Sunday, January 1, 2017

9 Razões Aceitáveis para ir ao Thought Bubble em Leeds


Antes de mais, boas festas e boas entradas!

Ignorando o facto que não tenho escrito nada, hoje vou falar do festival internacional de BD de Leeds, o Thought Bubble Sequential Art Festival.
Tive o privilégio de poder ter ido à convenção nos passados dias 5 e 6 de Novembro (já foi há meses, eu sei) mas a experiência ainda está muito viva em mim e agora sim consigo fazer uma boa apreciação e justificar-vos porque é que vocês têm mesmo de ir e porque é que eu vou fazer de tudo para lá voltar.

Antes de mais, Leeds é uma cidade britânica que fica a cerca de 1h de Manchester. Muita gente me avisou que nada acontecia lá, e que era ainda mais parada que a Amadora - não é assim TÃO mau. A sensação com que fiquei é que Leeds é uma espécie de centro comercial gigante: nunca vi tantos supermercados concentrados na minha vida.

Voltando ao que interessa,
Apesar do festival começar dia 1 de Novembro, aquilo que move as pessoas, que é a convenção, ocupa apenas os dias 5 e 6. Durante esse fim de semana, 3 pavilhões de bancas de artista, feira de BD e stands tanto amadores como profissionais ficam cheios de visitantes de todo o Reino Unido e até da Europa. Durante os outros dias, haviam pequenas conferências, exposições, mostras de filmes espalhados por vários pontos da cidade, sejam lojas, livrarias, galerias, espaços públicos...
Esperava ter conhecido mais gente de outros países, até portugueses, mas a esmagadora maioria era Inglesa e praticamente todas as pessoas com quem falei e a quem contei que era portuguesa ficaram super impressionadas com o facto de termos vindo de Portugal para Leeds só por causa de BD #truluv.
Portanto, admitindo que foi, provavelmente, o melhor evento de BD que fui, vou tentar convencervos porque é que têm de ir e esperar que a organização do TB me pague uma gratificicação por toda esta publicidade.

1. A convenção é um Artist Alley gigante

Basicamente, consistia em 3 grandes espaços, todos eles cheios de bancas de artista e stands (mais de 400 no total - não consegui apanhar nem metade) - Royal Armouries, New Dock Hall e Comixology Marqee . O ambiente é bastante informal e descontraído, um bocado como a Artist Alley de qualquer outro evento cá em portugal, mas com uma dimensão astronomicamente maior e com artistas/editoras de todos os estilos e de todo o tipo de público. As mesas não têm nenhuma organização específica, portanto, um pouco à semelhança do que aconteceu na primeira edição da Comic Con Portugal, é provável encontrarmos autores bem populares sentados ao lado de estudantes de Belas Artes de Leeds - o que é óptimo e promove ainda mais a comunicação e o contacto entre participantes e visitantes, sendo que...


2. ... É uma boa forma e oportunidade de conhecer pessoas

Devido à proximidade (não só pelas razões do tópico acima, mas também porque chegava a um ponto em que aquilo ficava tão cheio que se tornava impossível estar lá dentro sem andar aos encontrões e a esfregarmo-nos nas outras pessoas), também é bastante fácil estabelecer contactos e trocar ideias com uma série de pessoas diferentes. Recomendo vivamente a quem for ao TB que leve sempre consigo um saquinho com cartões de contacto, portfolios, zines, o que for! porque é uma óptima forma de dar a conhecer também o nosso trabalho e trocá-lo com o de outros artistas, por exemplo. Não só estão artistas nas bancas como também estão editoras, e muitas delas à procura de novas parcerias e projectos. (Estas viagens não podem nem devem ser só turisto, se é que me faço entender).


3. Os Livros são todos MUITO mais baratos.

Se há coisa que vale a pena comprar na convenção do TB é livros, álbuns e livros. Não só porque encontram uma variedade e oferta que dificilmente encontrariam em Portugal, mas essencialmente porque os preços são estupidamente baixos. Por exemplo, consegui comprar um hardcover, cores, A4, que normalmente não custaria menos de 20€ por 9libras. E, naquela altura até compensou porque a Libra estava desvalorizada em relacção ao Euro.


Nota: A maior parte das maquinas de cartão Visa que fornecem nas lojas, que também há em algumas bancas da convenção, dão a possibilidade de optar entre Euros e Libras para o pagamento. Se a Libra continuar desvalorizada, vale a pena optar pagar em libras, a máquina fará a conversão, não pagaremos taxa e ficará mais barato do que se fosse em Euros. Só se paga taxa nas ATM.


4. Existem MUITO mais coisas para além da Manga e Anime

A maior parte das convenções cá em Portugal são dedicadas essencialmente à cultura do Anime e da Manga, o que não é mau, mas, infelizmente, acaba por ser sempre mais do mesmo. À parte da AmadoraBD e do Festival de Beja, é difícil ir a um evento de Banda Desenhada que não seja à volta da venda de merchandise e de Cosplay - que seja. O TB é porreiro porque tem a dimensão da Comic Con Portugal e consegue ser só dedicada a BD, e quando digo BD é mesmo BD e tem um pouco de tudo: desde auto publicação e zines a clássicos da Marvel, graphic novels a manga, Tintin e Peanuts - tudo.
Continua a haver cosplay e 2 ou 3 bancas de merchandise, mas o evento não perde o foco e tema principal - a Banda Desenhada enquanto Sequential Art Form (por mais pomposo que isso soe, é assim que eles lhe chamam).

5. Leeds dá para se fazer toda a pé

Recomendo que guardem 1 dia para visitarem a cidade de Leeds, não que seja o epicentro cultural do Reino Unido, mas é uma cidade com o tamanho ideal para se fazer toda a pé, sem ser assim tão pequena. Fique onde ficar o vosso Hotel, não vai ser preciso gastarem dinheiro em transportes públicos porque tudo fica a 20 minutos (a passo rápido) de tudo. O Hotel onde fiquei, o Ibis Leeds Centre, ficava já nas fronteiras da cidade (eu sei, não joga muito com o nome do Hotel) no lado oposto à localização da convenção do TB. Demorava cerca de 20/30 minutos, a pé até lá, e mesmo de noite fazia-se bem. No entanto, existem muito mais hotéis e hotéis muito mais centrais e se prepararem a viagem com antecedência, não será difícil marcar um quarto no centro.

À parte da convenção que se organiza no mesmo pólo, o TB tem outros eventos espalhados pela cidade, sejam exposições, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, exibições de filmes, festas, etc... que, como já referi antes, acontecem ao longo da semana toda do festival.

6. Aproveitem para visitar a Travelling Man

Fonte
A Travelling Man é uma loja especializada em Banda Desenhada situada no centro de Leeds que, apesar de ter um stand na convenção TB, não deixa de valer a pena em ser visitada. Como devem adivinhar, tem uma oferta e uma variedade de catálogo impressionante, que vai desde comics a manga, graphic novels, zines e álbuns de ilustração infantil. A loja parece pequenina e muito aconchegada, mas tem dois pisos, sendo que o primeiro é dedicado a BD e o piso inferior a jogos de RP, jogos de tabuleiro e cartas.
Ah! Se tiverem zines ou livros vossos, podem deixá-los lá para venda, na hora. Os donos são bastante simpáticos e acessíveis e têm um expositor à entrada exclusivo para vender aquilo que autores independentes trazem e oferecem.

Para além da Travelling Man, também há uma Forbidden Planet. É uma loja bem maior, mas foca-se mais em merchandise e cultura pop. No entanto, tem um piso inferior só para BD, maioritariamente Manga e Comics (DCs e Marvels).

7. Vale a pena ir à festa.

Isto digo eu porque sou uma pessoa de festas. Uma das vantagens do TB é a facilidade de expandir toda a nossa rede de contactos e não há melhor forma de o fazer do que a pagar copos ao pessoal - mas não podem ser muitos porque cada cerveja custa, no mínimo, 4 libras (isto não é o Bairro Alto!).
No entanto, a festa que tem acontecido no sábado coincidente com o da convenção, não tem a entrada incluída no bilhete, o que significa que têm um bilhete à parte para a festa (não é muito caro, mas também não inclui nenhuma bebida ou petisco).
Já que a cerveja é tão cara quanto tudo resto, aproveitem para experimentar outras coisas, como por exemplo todas as variedades de cidra que encontrarem. Sendo uma fã de cidra, fiquei a saber que Somersby afinal não é nada de especial. 

A festa este ano foi um enorme sucesso, segundo a organização, e foi feita no Trinity Kitchen, um complexo de restaurantes e bares hipsters na cobertura do centro comercial Trinity Leeds. Eu sei, parece manhoso, mas foi bastante divertido e uma óptima forma de descontrair. Garanto, não há nada melhor do que dançar Britney Spears com gente que, até àquela altura, só existiam na capa de livros de BD e em entrevistas do youtube, 3 horas depois de lhe terem pedido um autógrafo com os joelhos a tremer.

Nota: O que acontece em Leeds, fica em Leeds.

8. Meal deals a 3,99 libras - ou então, jacked potato!

Se há coisa que ficou em conta nesta viagem a Leeds foi a alimentação. Ao contrário das bebidas, que custam os olhos da cara, aparentemente também custam mais do que uma refeição leve! 
Há uma cadeia de comida take away, Greggs, que vendem uma promoção, 'meal deal', que consiste numa sandes/tosta/burrito/wrap/refeição leve tipo go-natural + bebiba e café ou 'sobremesa' (bolo/chocolate/pacote de bolachas) por apenas 3,99 libras! Também encontram meal deals semelhantes noutras cadeias de 'fast food', com boas alternativas ao conceito de fast food que já conhecemos. 
Se querem optar por algo mais típico da terra, têm o clássico fish and chips e as jacked potatoes, que consistem numa grande batata aberta ao meio na qual enfiam recheio (chilli, mayonese com atum, etc) dentro, geralmente servido com batata.
Encontram bastante comida rápida, comida de rua, cafés simpáticos e acolhedores locais com preços simpáticos - isto se não pedirem bebidas! - sem terem que gastar um dinheirão em restaurantes. E garanto-vos, não passei fome em Leeds, muito pelo contrário.

Jacked Potato que se vendia nos dias da convenção, que fico a 5libras.


9. E para o ano vai ser melhor! 

Como se esta edição de 2016 não tivesse sido já bastante boa e nem foi assim à tanto tempo, a organização já começou a organizar a edição de 2017, que será em Setembro em vez de Novembro e, segundo o que prometem, terá uma dimensão ainda maior e uma colaboração muito mais activa por parte da cidade de Leeds em si.
O primeiro convidado já foi confirmado e é Gerard Way, mais conhecido como o vocalista dos My Chemical Romance (a minha pessoa de 2010 está a chorar por dentro)

Se quiserem mais informações, o TB está sempre em actualização através do site e do blog do Wordpress.

Mas já sabem, para que a viagem fique em conta, quanto mais cedo marcarem as passagens e estadias, melhor. Ah, e se não perderem os voos, melhor ainda (falo por experiência própria, não recomendo).

PS: Quero agradecer à Mariana, a minha companheira de viagem, que também forneceu estas fotografias.