Sunday, July 24, 2016

Um post sobre literatura sem bonecos

Mais uma vez, volto a falhar às minhas promessas e não tenho escrito nada por aqui ultimamente.
Acontece que, apesar de ser Verão, não tenho tido férias nenhumas e o trabalho tem-me consumido a maior parte do tempo e da energia - mas atenção, isto não é uma queixa!

Mas, infelizmente, também não tenho tido muito tempo para ler BD, sendo que a última coisa que li foi Portugal de Cyril Pedrosa, que penso ser completamente inútil comentar aqui, não por não ter gostado - muito pelo contrário - mas mesmo por ser uma obra tão boa, mas tão boa, que sinto que qualquer coisa que fosse dizer não iria trazer nada de inovador ou de revelador, apenas seriam constatações óbvias. No entanto, acreditem ou não, tenho andado a ler bastante prosa - sim mãe, livros sem bonecos, para pessoas crescidas - e tem sido uma viva fonte de ideias e criatividade, tanto para desenhar como para escrever - yep, eu gosto muito de escrever, até tenho um blog, vejam só!
Mas, no entanto, não me sinto muito capacitada de comentar esses livros aqui visto que o meu conhecimento literário é quase 0, portanto, seja o que for que possa escrever sobre eles aqui, será sempre fruto da minha opinião humilde de leitora/consumidora/apreciadora(?).

Agora, para matar uma eventual curiosidade vossa, tenho lido bastantes "lamechices", como ando a justificar às pessoas. Comecei por Margueritte Duras, da qual li O Amante, O Jardim e Olhos Azuis, Cabelo Negro. Depois passei para Katherine Mansfield da qual apenas li uma compilação de contos. Ao mesmo tempo, conheci Lou Andreas-Salomé e Rainer Maria-Rilke, que não só foram amantes, como ficaram melhores amigos até Rilke morrer. Neste momento, estou numa de Virginia Woolf, da qual comecei agora as Ondas. Se me perguntarem o que é que me interessa nesta gente toda, não sei bem explicar. É uma coisa muito ''sentimental'', se é que me entendem, por mais lamechas que seja. Por um lado, há várias coisas que os ligam - a época (são mais ou menos todos contemporâneos uns dos outros), os temas (coisas melancólicas do quotidiano, paixões que morrem, histórias que não levam a lado nenhum, apenas moem a cabeça) e cartas. Eles escrevem cartas e cartas entre eles, correspondências quase infinitas dum tempo em que, graças a Deus!, não existia telemóveis ou qualquer outra forma de comunicação mais instantânea. Desde há uns meses atrás que ando DESESPERADA à procura da Correspondência Amorosa entre o Rilke e a Lou Andreas-Salomé, a qual vim a saber que está esgotada e de que a editora não planeia tão depressa re-editar (por mais e-mails que lhe tenha mandado). Isto é sério - se souberem onde haja um exemplar, por favor digam-me! Comentário, mensagem privada, mail... quero mesmo muito esse livro! 
À parte da minha busca incessável por feiras do livro e alfarrabistas, tenho tentado trabalhar e ler mais. E vocês perguntam - e não andas cansada? Sim, as olheiras e as costas doridas tornaram-se numa característica física permanente da minha personagem. Mas! não me arrependo, só quando fico stressada, que é quase sempre.
Porém, a minha intenção ao criar este blog nunca foi para me auto promover ou falar de mim mesma, ao início até me encantava a ideia de ser relativamente anónima, mas acontece que não poderia escrever nada neste post se não referisse mais ou menos o que é que me tem impedido de ser electronicamente e virtualmente pontual.

Entretanto, soube ontem dos vencedores dos Prémios Eisner e aproveito este post para comentar que fiquei feliz com alguns deles, entre os quais (obviamente) o Super Mutant Magic Academy da J. Tamaki, que venceu a categoria Best Publication for Teens.  Killing and Dying do Tomine, Paper Girls, Step Aside, Pops!, Nimona e Southern Bastards foram outros que me deixaram muito satisfeita por terem vencido nas suas categorias, apesar de alguns serem bastante previsíveis.

Enfim, por agora é tudo, espero poder escrever em breve sobre coisas mais interessantes que estas.

E, já agora, fiquem aqui com o meu trabalho mais recente de ilustração, que foi a capa para a Estante da Fnac, e com uma amostra do meu belo dedo.


Inté e não apanhem escaldões quando forem à praia dar mergulhos por mim!

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