Friday, May 6, 2016

Super Mutant Magic Academy (comics)


Já faz algum tempinho desde que escrevi aqui pela última vez! Não é por falta de vontade nem por falta de tempo (okay, também não tenho tido muito tempo, é verdade), mas é essencialmente por falta de tema..
Tenho andado a ler bastante, mas não sei bem o que escrever. Porém, hoje quebro esse silêncio, para mais que sei que há gente que lê o meu blog! Sempre que alguém me diz isto, ganho ainda mais vontade de voltar a escrever.
Portanto, aqui estou.


E, coincidência ou não, venho com o propósito de falar um bocadinho sobre esta obra prima da Jillian Tamaki, a mesma autora (co-autora) do livro que falei no meu último post, Skim. Só que desta vez, esta obra é inteiramente dela, seja desenho seja argumento.
Eu estava um bocado hesitante em escrever sobre este livro, Super Mutant Magic Academy, por várias razões:
- Dá a impressão que não leio mais nada e não conheço mais nada para além de Jillian Tamaki
- E é basicamente isso.

Mas quero lá saber do que vocês acham, este blog serve para compensar a falta de conversas sobre BD que existem no meu quotidiano, por isso eu escrevo aquilo que me apetece e vou pôr as minhas inseguranças ridículas de parte.

Voltando ao que interessa, este livro que vos falo hoje chama-se Super Mutant Magic Academy e é uma antologia de pequenas sequências cómicas desenhadas e escritas pela Jillian Tamaki. Antologia porque é uma compilação de 200 e tal mini comics que relatam o quotidiano dos alunos e professores que frequentam a Super Mutant Magic Academy. 
Para quem nunca ouviu falar destes comics, a ideia que transparece é que se trata duma espécie de X-Men fundido com um estilo descontraído/infantil típico de coisas como Adventure Time ou qualquer outra série da Boom! Studios, mas desiludo-vos já (ou talvez não) que não tem nada haver com isso - felizmente para mim, porque se fosse eu nem lia.

Eu já conhecia a SMMA há bastante tempo, desde o ano passado, literalmente, porque a primeira vez que ouvi falar disto foi através do Free Comic Book Day de 2015, que se vai repetir agora neste sábado, 7 de Maio. Fui logo investigar na interwebs sobre esta obra da J. Tamaki, e soube logo à partida que vinha de um webcomic e que tinha finalmente sido compilado para um livro. Para minha tristeza, não consegui apanhar a cópia do FCBD a tempo, mas fiquei à espera que fosse importado para Portugal. Não foi. Agora que tenho um pé de meia, encomendei-o e a minha vida voltou a ter sentido.
No dia que fui buscá-lo à BDMania, sensivelmente há 4 dias atrás, bela terça feira, posso garantir-vos que verti uma lágrima no momento em que lhe peguei pela primeira vez, não só porque vivia na expectativa há um ano mas também porque era francamente maior do que eu alguma vez imaginei - é quase tão espesso quanto o Blankets - atenção, quase! A grossura das folhas ajuda bastante.  

E, voltando ao que interessa mesmo, mais uma vez, em SMMA não há nenhuma preocupação de salvar o mundo, combater o mal, unir as forças do bem ou derrotar um vilão ancestral - não há nenhuma preocupação, para ser sincera. Não sei se é correcto dizer que este post pode conter spoilers, porque na verdade não há nenhuma narrativa sequencial concreta que atravessa SMMA, é simplesmente um conjunto de acontecimentos que têm uma ligação mais ou menos directa entre si, mas que não é forçosamente uma linha condutora temporal.
Há um grupo de personagens 'principais', por assim dizer, nas quais a sua presença se repete ao longo das tiras cómicas. Tamaki defende desde o ínicio que o conceito de todo este projecto é intencionalmente idiota; ela nunca teve interesse em Marvel's ou DC's e não foram propriamente as suas referências ao longo do seu crescimento nem durante a execução desta obra; ela estava muito mais interessada em como é que alguém com uma cabeça de lagarto conseguia manter uma relacção amorosa estável com um namorado humano mais velho do que propriamente em lutas sangrentas e poderes especiais. E se estas personagens alguma vez usam os seus poderes, é geralmente como chamadas de atenção ou para eliminar borbulhas da testa. 
Acho que é por isso que é tão interessante e divertido. Tamaki pega numa série de personagens sobrenaturais e põe-nas a viver problemas que nos são tão normais e .... naturais. E apesar de soar brejeiro, ao longo do livro não só se debatem com coisas mundanas como o sofrimento do liceu, namorados e falta de auto-estima, mas também (e quase essencialmente) questões existenciais, filosóficas e (verdadeiramente) profundas, relativas a ética, estética ou até mesmo a arte em geral (aqui acredito que seja por causa de Tamaki ter frequentado durante pouco tempo a licenciatura de Artes Plásticas, e tal como Satrapi, não gostaram o suficiente para chegar ao fim). Ou seja, todo este livro acaba por ser uma simulação ou um expeculação de como é que seria, de facto, o dia a dia de pessoas com características tão específicas como aquelas; pessoas que apesar de dispararem lasers dos olhos, transforamarem-se em raposas à noite, serem imortais, lá no fundo só querem um amigo, escapar às aulas de história, preencher formulários para a faculdade e debaterem-se sobre o verdadeiro sentido da vida e qual é o papel do artista contemporâneo numa sociedade actual capitalista e altamente consumista.

Portanto, isto tudo para dizer que mais uma vez, Jillian Tamaki não me desiludiu, pelo contrário, cada vez estou mais apaixonada, tanto pelos seus desenhos como por ela.
Se não querem encomendar o livro, podem sempre ler algumas das páginas pela net, que estão espalhadas pelo blog dela. Seja como for, o livro não é dinheiro mal gasto, de todo.

Quanto a este blog, vou tentar escrever mais vezes.
Ah, e já agora, queria agradecer a quem lê (mesmo que não comentem) e àqueles que comentam, um obrigado ainda maior! Já devia ter feito isto antes.

Inté,
que já devia estar a trabalhar.