Tuesday, February 23, 2016

Coisas que me fizeram/fazem chorar

Importante: pode conter spoilers de coisas :(


Ao contrário do que muita gente pensa, eu sou uma chorona incrível. Tudo e mais alguma coisa me faz chorar, mas não no sentido negativo! E, apesar desta afirmação, não são coisas como Nicolas Sparks ou o Titanic ou a Adele que puxam o meu lado emotivo, mas sim coisas que, muitas vezes, nem sei bem explicar qual é a razão. Mas às vezes sei, e é por isso que vou escrever este post disparatado, porque lá no fundo acredito que as melhores 'obras de arte' são aquelas que me comovem e me fazem chorar.
Sendo assim, vou começar a minha ode aos chorões, tentando defender a minha dignidade e seriedade.

The Nao of Brown

Não foi ao nível de baba e ranho, mas foi o suficiente para ser o 1º deste post. Já falei anteriormente desta graphic novel aqui no blog, e acho que ficou claro o quão genial é e o quanto adorei cada página que li desta obra. Relata a vida da Nao, uma mulher que sofre de OCD, e como isso a impede de lidar normalmente com a vida. Mas atenção, não é a OCD das limpezas e organização - é uma OCD homicida, literalmente.

Chorei bastante essencialmente um pouco antes do fim, no breaking point, quando a Nao tem um dos seus 'ataques' e o namorado não compreende. É bonito e comovente porque é a história duma pessoa que percebe que tem de se aceitar a si própria para que consiga viver em paz, com ela e com os outro.

Toy Story 3


Sei que nesta situação não fui a única. Muita gente não conseguiu aceitar o facto do Andy abdicar dos seus brinquedos - e eu fui uma dessas pessoas. Okay, percebo que tenha sido a atitude mais correcta e moralmente aceitável, visto que ele na universidade não ia dar muito uso ao Woody e Companhia... mas era o Woody! Não compreendo, a sério.
À parte disso, Toy Story continua a ser uma sequela de 2 filmes bastante nostálgicos da minha infância, o que faz com que seja sempre comovente ver ou rever.

Anúncio da Coca Cola


Muita gente diz que é treta - e possivelmente é. Seja como for, a mensagem não deixa de ser bonita, e acho que não tem haver com ser da Coca Cola ou não, porque eu nem sequer bebo Coca Cola.

As figuras de Alberto Giacometti





A minha relacção com o Giacometti é uma história muito engraçada. 
Tudo começou no secundário, quando o meu professor de desenho nos obrigou a desenhar vezes sem conta estas estatuetas e uma série de desenhos dele. Acabei por lhe ganhar um ódio, porque não percebia qual era o interesse nem a obsessão por estes palitos com pernas, e muito menos os desenhos, que davam uma trabalheira enorme a copiar dos PowerPoints que o professor exibia.
Só mais tarde, já no 2º ano de faculdade, para História da Arte Contemporânea, numa das minhas tentativas de injecção cultural dois dias antes dum teste, dei por mim a ler uma fotocópia dum artigo escrito pelo Sartre sobre o Giacometti. Nesse artigo explicava a relacção dele com o artista, porque aparentemente eram amigos. Sartre, a partir duma conversa que teve com o Giacometti, explicava como todo o trabalho dele se baseava na distância e o que isso significava para ele enquanto artista. 
Em todos os seus desenhos, as figuras estão estáticas, frontais ao observador, os rostos difusos, e à volta há toda uma envolvente, um ambiente que embala a figura, às vezes como se tivesse a ser sugada por ele. Giacometti diz a Sartre que para ele a distância é desejo. Ele vai a um bar, e do outro lado da sala, estão duas prostitutas lindas, sentadas a provocá-lo. Mas ele não vai ter com elas, não porque não tem dinheiro, mas porque o desejo só existe no momento em que existe aquela distância a separá-los. O desejo daquilo que ele vê e não pode ter.
Ora, isto justifica toda a obra dele; justifica as pessoas perdidas nas florestas de riscos e justifica as estatuetas anónimas, que fazem lembrar sombras ou então silhuetas de alguém que vemos muito ao longe. Muitas destas estatuetas, que ele fez individualmente, foram só no dia da exposição, quando elas se encontravam no chão à espera de montagem, que Giacometti reparou que fariam muito mais sentido se estivessem todas juntas, dispersas, cada uma virada para seu lado. Eram como árvores duma enorme floresta, todas sozinhas, mas nenhuma isolada. Eram um enorme colectivo de singulares.
Quando concluí isto tudo, fiquei com a ideia de um Giacometti solitário que ficava encostado a um canto nas festas, a observar as pessoas mas sem ir ter com elas, alguém que via tudo de fora, porque, na verdade ,nunca se sentiu incluído. Como é normal, senti uma empatia e uma compaixão imensa que consequentemente me deixou bastante comovida.
E nunca mais o odiei, de tal forma que até é dos meus artistas preferidos.

Hannah Hunt - Vampire Weekend



Nem sequer é das minhas banda preferidas, de longe, mas esta música dos Vampire Weekend é sem dúvida uma das minhas músicas preferidas de sempre.
É aquilo a que chamo uma música visual, porque sempre que a ouço consigo ver claramente uma história a passar na minha cabeça. 
É sobre duas pessoas que estavam apaixonadas mas que a coisa acaba por não funcionar. Pensavam que o amor era eterno e durava para sempre, e que ele conhecia a Hannah Hunt, mas na verdade nem tudo é assim tão linear, as pessoas crescem/mudam/revelam-se, e nós desiludimo-nos.
Mas isto é tudo contado duma forma muito metafórica e poética, por isso isto acaba por ser a minha intrepetação da letra. Houve uma altura que fui investigar sobre ela, mas não aprofundei muito porque gosto da minha ideia e da forma que ela se materializa na minha imaginação.
Mas deixa-me sempre nostálgica e melancólica, de tal maneira que sempre que ouço esta música sozinha e me concentrar nas letras, acabo por chorar que nem uma Madalena.

Há mais coisas que me fazem chorar, mas achei que este post já estava demasiado longo e não estou energética o suficiente para escrever mais. Seja como for, isto serve para justificar e defender todos os chorões que se escondem com vergonha atrás de mangas ensopadas e cadeirões de salas de cinema - chorar não é motivo de embarasso! Pelo menos para mim, é um sinal de humanidade e de ligação emocional, seja com um anúncio da coca cola ou com uma pintura ou com um filme.
Talvez um dia escreva uma sequela a este post. Até lá, mantenham os olhos bem lavados.

Inté!


Tuesday, February 9, 2016

Controvérsia de This One Summer - Livros Banidos


This One Summer é uma das graphic novels que mais gostei até hoje, e desde que foi lançada, em 2014, já foi premiada com uma série de prémios, entre Eisner Awards ao Cadelcott Honor. Simultâneamente, foi igualmente alvo de uma série de polémicas e de críticas - especialmente por parte de pais e educadores - por ser um livro ''bastante gráfico'' e ''demasiado maturo'' para crianças.

Antes de mais, já falei desta graphic novel anteriormente aqui no blog, e já falei o quão boa esta obra é - em praticamente todos os aspectos. Não só tem ilustrações estupidamente boas, como o argumento e a história são inteligentemente bem estruturados e didácticos - mas claro que isto é uma opinião e que depende do ponto de vista.

A questão é que os livros que geralmente ganham o Caldecott Honor são livros infantis, e merecem-no pela excelência na sua ilustração - que foi a razão pela qual premiaram o This One Summer. E quando digo livros infantis, são livros que têm como público idades até aos 8 anos - This One Summer é classificado especificamente para maiores de 12. 
Agora, no belo país onde as armas são permitidas a menores e em que os adolescentes de 16 anos podem atropelar cães e velhotes, a maior parte dos progenitores e bibliotecas públicas ou escolares nem sequer abriram o livro, muito menos se informaram sobre ele antes de o adquirirem - só o fizeram porque era premiado Caldecott. Não estou a dizer que concordo que o livro seja gráfico, muito pelo contrário, mas não estou a dizer que era o livro que ia dar a um miúdo de 7 anos para ler - simplesmente porque ele não ia perceber nada.

This One Summer trata de uma fase de transição da nossa vida entre a infância e a adolescência, e as protagonistas têm 10 e 13 anos. Trata de assuntos reais, quotidianos e pessoais que vão desde problemas familiares, primeiras paixões a gravidezes indesejadas, depressões ou questões existenciais - e é mesmo por isso que é um livro excelente, porque consegue tocar em todos estes temas num único enredo, sem ser demasiado pesado ou lamechas.

No entanto, acontece que algures na Florida, mais 3 bibliotecas baniram o livro, porque uma criança o levou para casa da biblioteca da escola e a mãe ficou chocada com o conteúdo explícito que foi exposto ao filho. ''Explícito''. Esta mesma mãe, que está tão preocupada que o filho não seja exposto a livros ''explícitos'', é a mesma que o deixa andar pela biblioteca a ver o que lhe apetece, provavelmente coisas verdadeiramente explícitas.
No entanto, não concordo que a atitude mais correta seja esconder esse tipo de material das crianças. As gravidezes indesejadas, as depressões, as coisas menos agradáveis da vida são coisas que mais tarde ou mais cedo vão ser conhecidas por essas crianças e não é a fazer de conta que elas não existem que vão evitar que elas aconteçam. Não é através de séries televisivas onde ninguém trabalha, estuda, e que toda a gente passa o dia a cantar e a esbanjar dinheiro em roupa para o prom que os miúdos vão perceber do que é feita a vida, só lhes vai tornar mais doloroso o crescimento. 
Não estou a dizer que devemos criar agora todas as crianças a obrigá-las a ver as piores notícias do telejornal das 8h hàs 20h, mas a realidade é o que é e não é a escondê-la e a disfarçá-la que a tornamos melhor - só sabendo como ela verdadeiramente é, é que podemos saber como a podemos melhorar.

No entanto, eu não sou mãe, não sou professora, nem educadora e normalmente não adoro crianças, mas tenho orgulho em ser uma pessoa cheia de esperança e acredito sempre que o futuro pode ser melhor e o futuro parte delas, das crianças, por isso se podemos contribuir para um futuro melhor, porque confiar mais nelas?

Bem, já me desviei muito do assunto, mas se quiserem aprofundar esta temática dos livros banidos, a Comic Book Legal Defence tem toda informação necessária e tem andado a fazer um excelente trabalho em prol da BD como uma forma de educação e na defesa da liberdade de expressão.

E já agora,
bom Carnaval!