Wednesday, January 6, 2016

It's a Man's World - Boicote do Grand Prix de Angoulême

Détournement de la mascotte du Festival d'Angoulême, par le dessinateur Pochep Philippe (www.pochep.fr)
cartoon feito por Pochep Philippe , sátira ao Fauve, mascote do FBD Angoulême

Há uns dias, vim a saber da lista dos 30 nomeados para o Grand Prix do frstival de BD de Angoulême, devido à grande polémica que anda a correr à volta do sexismo inerente. Este prémio não é só uma das maiores honras da vida profissional de qualquer autor de BD, mas é também um enorme impacto económico e uma das maiores distinções que um artista poderá ter na sua carreira e vida. O que revolta as pessoas neste momento - não só mulheres - é o facto de nenhum destes 30 nomeados ser uma mulher. Na verdade, nestes últimos 43 anos de Grand Prix, só houve 1 mulher vencedora (Florence Cestac).

Eu tive a sorte de ter ido ao festival de Angoulême há uns anos atrás, ainda tinha uns tenros 14/15 anos. Lembro-me bem da confusão que foi, da quantidade exorbitante de oferta, das tentas infinitas, do frio!... e também me lembro das zonas de autógrafos que, para além de serem praticamente todos franco-belgas, eram praticamente - senão todos - autores masculinos. Se haviam mulheres, não as vi (eu também sou baixinha, dêem-me um desconto eheh). 
Nessa altura, o mundo da BD profissional ainda era um planeta distante para mim, e Angoulême foi uma boa experiência no que toca a acordar-me para a realidade - a competitividade e a grande quantidade de oferta que já existe e que vou ter que encarar.

Sempre tive uma ideia muito tradicional da BD franco-belga e fiquei com essa ideia mais vincada depois de voltar de Angoulême, mas fico desiludida por, no ano em que estamos, na época que estamos a viver e na realidade actual, este grande festival de referência tenha tido uma atitude tão retrógrada, sexista e quadrada. 

Mas, por outro lado, nas redes sociais e na imprensa, está a acontecer um fenómeno que nunca aconteceu antes - apesar de todos os anos os nomeados serem sempre só homens, só em 2016 é que houve uma mudança de atitude.
Muitos dos autores nomeados, entre os quais Joann Starf , Riad Sattouf, Dan Clowes e Charles Burns, estão a recusar as suas nomeações, tentando boicotar declaradamente o Grand Prix de Angoulême, como protesto perante à atitude sexista do Jurí. 


Não só fiquei comovida com a atitude honorável destes senhores, como acho que isto é um reflexo de como os tempos estão a mudar - também no mundo da BD. Muitos destes homens revogam a sua nomeação, ao mesmo tempo que nomeiam várias autoras que mereciam igual atenção por parti do Jurí.
Actualmente, como já falei várias vezes neste blog, há praticamente mais mulheres a consumir BD do que homens, o que não só é consequência e causa de haver mais mulheres a fazer BD e mais BD direccionada para um público feminino. E mesmo que não fosse assim, não faz sentido nenhum que exista esta qualificação sexista no mundo da 9ª arte. Este ano de 2015 foi um ano notável de revelações talento no sexo feminino - nos Eisner Awards, muitos dos nomes são femininos!

Qualquer das formas, a nomeação dos prémios de Angoulême deviam ser encaradas como uma boa notícia, um sinal de revolução, de modernidade e de humanidade, não pelo negativo, mas pelas reacções que estão a acontecer e pelo que elas estão a causar.

E por fim, desde a publicação dos nomeados até agora, o hashtag #womendobd, que promove as mulheres enquanto artistas de valor e talendo na BD, está cada vez mais viral. E subscrevo, não só como artista, mas como mulher e consumidora.
Inté

#WomenDoBD

PS: para continuarem a seguir esta causa, siguam o site BDEgalité