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Mensagens

A mostrar mensagens de 2016

Geis - Alexis Deacon

Já faz algum tempo que não escrevo aqui no blog (como tradicionalmente costumo de começar os posts) portanto, visto que hoje pus um ponto final no último volume do Altemente, vim quebrar o silêncio com uma pequena review opinosa sobre a última graphic novel que comprei.

Encontrei este tesouro na Bertrand da Rua Garret que, como quase todas Bertrands, apesar de não ter muita BD, tem quase sempre BD boa. A loja da Rua Garret, que está em obras, tem ainda menos BD que o habitual, portanto este livro não foi propriamente o achado mais surpreendente de sempre, visto que nem estava escondido no meio de livros de arquitectura manhosa, estava literalmente especado na estante das novidades e destaques da entrada.
E digo-vos, foi amor à primeira vista. São poucas as vezes que isso acontece, mas quando acontece é intenso - acho que vocês sabem o que é, certo? A capa em si já me captou alguma atenção, mas mal folheei a primeira página apaixonei-me. Não demorou uma semana para voltar e comprar um…

Fui ver a Vida Secreta dos nossos Bichos e foi esquisito.

Há uns dias atrás fui finalmente ver The Secret Life of Pets, ou A Vida Secreta dos Bichos, apesar de todos os comentários depreciativos que tenho andado a ouvir. Acredito que seja uma pessoa esperançosa, mas ao menos não fui com demasiadas expectativas e a desilusão não foi tão grande como temia.
Antes de mais, não digo que não gostei, mas também não adorei. Honestamente, nem sei. Houve momentos bastante engraçados em que me ri, houve outros em que fiquei comovida e quase que chorei (uma das razões pela qual queria muito ver o filme é porque tenho duas cadelinhas, cujo a história é muito parecida com a sinopse do filme), mas também houve (muitos) momentos em que fiquei desconfortável - acho que não arranjo melhor adjectivo. Sim, desconfortável. Para começar, não percebi qual é que era mesmo o público alvo deste filme: supostamente era um filme infantil, mas a maior parte das piadas eram bastante maturas. No entanto, a sala de cinema era basicamente composta por crianças abaixo dos 1…

Daytripper - Fábio Moon e Gabriel Bá

Antes de dizer seja o que for sobre este livro, aviso já que me vai ser muito difícil escrever sobre ele, porque nem sei bem o que achei; não sei se gostei ou se não gostei - melhor, acho que isso nem sequer é o mais importante numa apreciação (nunca deveria ser, nestes casos).
Já andava para ler esta graphic novel há imenso tempo, e mal soube que ia fazer parte da nova colecção da Levoir, andei a contar as semanas para poder (finalmente) comprá-lo e ter (finalmente) a oportunidade de o ler. Se calhar foi toda essa expectativa, de todos os comentários (entre alguns elogios) que tenho ouvido sobre o trabalho dos gémeos, que facilitou com que o livro não fosse bem o que estava à espera. Mas também, o que é que eu estava à espera?
Do Fábio Moon e Gabrial Bá não tinha lido muita coisa. Li o Umbrella Academy quando estava algures a ultrapassar a minha fase emo, por volta de 2010, e, mais recentemente, li um livrinho deles que encontrei na BDteca dos Olivais, mas nem me lembro do nome nem …

Um post sobre literatura sem bonecos

Mais uma vez, volto a falhar às minhas promessas e não tenho escrito nada por aqui ultimamente. Acontece que, apesar de ser Verão, não tenho tido férias nenhumas e o trabalho tem-me consumido a maior parte do tempo e da energia - mas atenção, isto não é uma queixa!
Mas, infelizmente, também não tenho tido muito tempo para ler BD, sendo que a última coisa que li foi Portugal de Cyril Pedrosa, que penso ser completamente inútil comentar aqui, não por não ter gostado - muito pelo contrário - mas mesmo por ser uma obra tão boa, mas tão boa, que sinto que qualquer coisa que fosse dizer não iria trazer nada de inovador ou de revelador, apenas seriam constatações óbvias. No entanto, acreditem ou não, tenho andado a ler bastante prosa - sim mãe, livros sem bonecos, para pessoas crescidas - e tem sido uma viva fonte de ideias e criatividade, tanto para desenhar como para escrever - yep, eu gosto muito de escrever, até tenho um blog, vejam só! Mas, no entanto, não me sinto muito capacitada de …

Paper Girls 1(comics)

No fim de semana passado fui ao Festival de BD de Beja para lançar o meu livro, Altemente - volume 1, e aproveitei para fazer umas comprinhas nos minutos livres... Entre os poucos livros adquiridos que o meu orçamento de estudante permitiu consta a primeira compilação da nova série da Image Paper Girls.
Já conhecia esta série há algum tempo; tinha visto alguns números na BD Mania e o desenho da capa tinha-me chamado à atenção mas, no entanto, nunca tinha chegado a ler. Mais tarde, minha cara amiga Rita Silvestre recomendou-me vivamente que lê-se Paper Girls, e tomando isso como um sinal de que a minha suspeita de que era uma boa série estava certa, aproveitei a oportunidade e comprei esta compilação dos primeiros volumes.
Passando à parte técnica introdutória... Paper Girls é escrito pelo Briank K. Vaughan, o mesmo argumentista de Saga, e desenhado por Cliff Chiang (mas as cores são de Matt Wilson). Fiquei surpreendida, de facto! Estava um bocado exitante, tinha medo de não me intere…

Super Mutant Magic Academy (comics)

Já faz algum tempinho desde que escrevi aqui pela última vez! Não é por falta de vontade nem por falta de tempo (okay, também não tenho tido muito tempo, é verdade), mas é essencialmente por falta de tema.. Tenho andado a ler bastante, mas não sei bem o que escrever. Porém, hoje quebro esse silêncio, para mais que sei que há gente que lê o meu blog! Sempre que alguém me diz isto, ganho ainda mais vontade de voltar a escrever. Portanto, aqui estou.

E, coincidência ou não, venho com o propósito de falar um bocadinho sobre esta obra prima da Jillian Tamaki, a mesma autora (co-autora) do livro que falei no meu último post, Skim. Só que desta vez, esta obra é inteiramente dela, seja desenho seja argumento. Eu estava um bocado hesitante em escrever sobre este livro, Super Mutant Magic Academy, por várias razões: - Dá a impressão que não leio mais nada e não conheço mais nada para além de Jillian Tamaki - E é basicamente isso.
Mas quero lá saber do que vocês acham, este blog serve para c…

Skim (graphic novel)

Já faz algum tempo que não escrevo aqui sobre um livro específico, mas hoje vim quebrar essa falha através desta obra da Jillian e da Mariko Tamaki, as mesmas autoras de This One Summer (aquele livro de que eu não me calo).
Dizem que o dinheiro não traz felicidade, mas foi com dinheiro que comprei esta graphic novel que, para mim, é a mesma coisa. Eu encomendei Skim há quase um ano, já acreditava que nunca o iria ter por causa de n razões que justificavam a sua ausência (uma delas o facto de ele estar, aparentemente, esgotado) mas, nesta terça feira, quando me sentei ao estirador do meu atelier para trabalhar, decidi ir ler o email e soube então que o amor da minha vida esperava por mim, na BDMania.
Escusado será dizer que que as minhas expectativas eram bastante altas, visto que a Jillian Tamaki é provavelmente a minha artista de comics preferida, e visto que, tal comoThis One Summer, esta obra carrega pelos ombros uma série de prémios, não só pela sua arte gráfica brutal mas também…

Coisas que me fizeram/fazem chorar

Importante: pode conter spoilers de coisas :(

Ao contrário do que muita gente pensa, eu sou uma chorona incrível. Tudo e mais alguma coisa me faz chorar, mas não no sentido negativo! E, apesar desta afirmação, não são coisas como Nicolas Sparks ou o Titanic ou a Adele que puxam o meu lado emotivo, mas sim coisas que, muitas vezes, nem sei bem explicar qual é a razão. Mas às vezes sei, e é por isso que vou escrever este post disparatado, porque lá no fundo acredito que as melhores 'obras de arte' são aquelas que me comovem e me fazem chorar. Sendo assim, vou começar a minha ode aos chorões, tentando defender a minha dignidade e seriedade.
The Nao of Brown Não foi ao nível de baba e ranho, mas foi o suficiente para ser o 1º deste post. Já falei anteriormente desta graphic novel aqui no blog, e acho que ficou claro o quão genial é e o quanto adorei cada página que li desta obra. Relata a vida da Nao, uma mulher que sofre de OCD, e como isso a impede de lidar normalmente com a vid…

Controvérsia de This One Summer - Livros Banidos

This One Summer é uma das graphic novels que mais gostei até hoje, e desde que foi lançada, em 2014, já foi premiada com uma série de prémios, entre Eisner Awards ao Cadelcott Honor. Simultâneamente, foi igualmente alvo de uma série de polémicas e de críticas - especialmente por parte de pais e educadores - por ser um livro ''bastante gráfico'' e ''demasiado maturo'' para crianças.
Antes de mais, já falei desta graphic novel anteriormente aqui no blog, e já falei o quão boa esta obra é - em praticamente todos os aspectos. Não só tem ilustrações estupidamente boas, como o argumento e a história são inteligentemente bem estruturados e didácticos - mas claro que isto é uma opinião e que depende do ponto de vista.
A questão é que os livros que geralmente ganham o Caldecott Honor são livros infantis, e merecem-no pela excelência na sua ilustração - que foi a razão pela qual premiaram o This One Summer. E quando digo livros infantis, são livros que têm como …

It's a Man's World - Boicote do Grand Prix de Angoulême

Há uns dias, vim a saber da lista dos 30 nomeados para o Grand Prix do frstival de BD de Angoulême, devido à grande polémica que anda a correr à volta do sexismo inerente. Este prémio não é só uma das maiores honras da vida profissional de qualquer autor de BD, mas é também um enorme impacto económico e uma das maiores distinções que um artista poderá ter na sua carreira e vida. O que revolta as pessoas neste momento - não só mulheres - é o facto de nenhum destes 30 nomeados ser uma mulher. Na verdade, nestes últimos 43 anos de Grand Prix, só houve 1 mulher vencedora (Florence Cestac).
Eu tive a sorte de ter ido ao festival de Angoulême há uns anos atrás, ainda tinha uns tenros 14/15 anos. Lembro-me bem da confusão que foi, da quantidade exorbitante de oferta, das tentas infinitas, do frio!... e também me lembro das zonas de autógrafos que, para além de serem praticamente todos franco-belgas, eram praticamente - senão todos - autores masculinos. Se haviam mulheres, não as vi (eu tamb…