Friday, December 2, 2016

Very Much Typical Portuguese Post

Infelizmente, este post que vem quebrar o grande silêncio de 2 meses que sofreu este blog, não tem praticamente nada haver com BD, e peço desculpa, desde já, aos (poucos) leitores que poderão ficar desiludidos.
Obrigada, 9gag, pela fiel ilustração. (Note-se a bola de futebol, canto inferior esquerdo)



Acontece que recentemente li no site da BBC um artigo sobre o meu querido adorado país que descreve Portugal como um país triste de gente que gosta de estar triste: The European Country that Loves being Sad. Carreguei no link e tive interesse em ler o artigo talvez por me ter rido e ter concordado até certo ponto, mas não foi preciso ler muito mais do que um parágrafo para ver que o texto ia noutra direcção.

Toda a gente que me conhece sabe que sou opinosa e fico muito ''exaltada'' quando falamos destes tópicos mais patriotas mas, se calhar, é isso que faz de mim uma ''typical portuguese girl'', de acordo com estes turistas que passam uma semana em Lisboa a comer pastéis de bacalhau com queijo da serra, lêem um poema traduzido do Fernando Pessoa e ouvem 5 minutos de fado numa tasca em Alfama e, automaticamente, estão licenciados em Estudos Lusitanos.
Sim, eu gosto do meu país (como estou sempre a repetir) e mesmo por gostar e (ainda) não ter desistido dele é que este tipo de propaganda me irrita.
Vim a saber que Portugal é, neste momento, o destino nº1 dos americanos. Temos álcool barato, vida nocturna, boa gastronomia, sol e casinhas so much very typical, algumas com mais de 100 anos (o que para eles é pré-histórico) - que mais é que eles podem querer dum destino de férias? Há 1 ano atrás, éramos uma província espanhola, agora somos motivo para ter saudade.

Não quero, de todo, soar discriminatória/xenófoba/ofensiva com este post, mais uma vez, aqui não há ódio - estou apenas exaltada - é das hormonas, sou uma mulher né?

Mas, continuando, logo no início do artigo, escrito por um american, que, aparentemente, passou uns dias em Portugal, o autor começa por dizer que no one tells you to have a nice day. No one particularly cares if you have a nice day, because chances are they’re not having a nice day either. If you ask a Portuguese person how they’re doing, the most enthusiastic reply you can expect is mais ou menos (so so) (...) But don’t pity the Portuguese. They’re content with their discontentment, and, in an odd but enlightening way, actually enjoy it.
RESUMO: Portugal é um país de emos carracundos masoquistas? É que os Tokyo Hotel nem tocaram cá assim tantas vezes.

Okay - o que é que se passa de errado aqui? Porque, mais uma vez, na verdade até concordo a certo ponto. Quando fui guia de estudantes de Erasmus, eu muitas vezes brincava com eles dizendo coisas do género, que mais facilmente toda a gente se queixa de tudo do que elogia ou comenta algum aspecto positivo sobre seja o que for. Mas, no entanto, os portugueses não são melancholic por desporto, como ele gosta de descrever ao longo de todo o artigo. Não é um estilo de vida optado, uma moda, um 'fase rebelde de adolescência', um fashion statement - as pessoas não estão tristes e não estão cabisbaixas por opção, talvez haja uma série de razões reais por detrás disso que vão para além do nosso aparente masoquismo. E é preciso numerá-las? Talvez para um estrangeiro sim, uma pessoa que não tem culpa de não saber o que é que de facto se passa no nosso país, porque não é durante 2 semanas ou mesmo um período de Erasmus que se consegue perceber isso.
Porque, talvez as pessoas estejam tristes porque vêm o seu dinheiro a ser sugado pelo Estado e a não terem nada em retorno, ou porque têm familiares a morrer em filas de espera que os serviços de saúde não conseguem controlar. Ou, escapando a estes clichés que todos nós ouvimos diariamente nos telejornais, as mães portuguesas estão tristes porque têm de ver os seus filhos emigrar, porque por mais condições que lhes tenham dado e promessas feitas, o país continua a adiar o apoio que devia ser devido. E todos nós sabemos que há ainda mais razões para estarmos tristes - há sempre.

Mas, no entanto, enquanto são impressas canecas e t-shirts da Amália e glorificamos todo este espírito lusitano #sad, Portugal está a ter o maior boom turístico dos últimos tempos e em Lisboa isso sente-se na pele. 
Na mesma forma que artigos destes são escritos, há muitos outros a promover o quão cool é Lisboa, como é uma pérola Europeia, como toda a gente devia vir para cá e, acima de tudo, como os Portugueses são tão afáveis e simpáticos! Nessa onda, surge aquele vídeo viral do estudante alemão a falar aos pais em como Lisboa é a cidade dos seus sonhos e em como ele vai estender a sua estadia lá

Aquilo que eu sinto perante isto tudo deve ser semelhante ao que muitas outras pessoas sentem quando vivem num centro turístico - há tanta coisa que não faz qualquer sentido que acaba por ser mentira. É toda esta artificialidade.
Por um lado, para nós jovens portugueses, vendem-nos cada vez mais cedo a ideia de que, se queremos fazer alguma coisa da vida - especialmente na área artística - temos de ir para fora! Lá fora (seja lá o que isso for, é uma frase tão batida e dita tão de cor que até podem estar a falar da Lua) é que estão as boas oportunidades, universidades, vagas de emprego, coisas a sério! Cá, não dá para nada porque não há oportunidade/investimento/opções/emprego/futuro/etc na área/especialidade/opção que queremos. É a mensagem default que te aparece mal acabamos o 9º ano. Ou a pré-primária (não há tempo a perder). Mas, por outro lado, fazem vídeos super inspiradores em que mostram em como a Champalimaud seria uma faculdade fantástica, como nós jovens estudantes temos o hábito de jantar vinho com tapas todas as noites nas nossos apartamentos na Lapa, em como os transportes, de facto, funcionam bem e nunca estão demasiado cheios de turistas e nos fazem valer o passe, e mais vocês já sabem.

Sim, de facto concordo que Portugal é um país fantástico e Lisboa é uma cidade que não quero trocar por outra tão depressa, mas também concordo que somos um país de pessoas tristes mas que, acima de tudo, têm uma desgraçada falta de auto-estima - vivo num país que prefere vender-se descaradamente ao turismo, arrisca-se a perder a sua identidade e aquilo que, na verdade, faz com que haja tanta gente a vir e a interessar-se por Portugal. Despreza e negligencia o seu próprio povo e as gerações mais novas, mas depois diz ao resto da Europa para vir estudar para cá, porque só têm vantagens (que não têm para nos oferecer a nós). Porque, por mais tempo que tenha passado, a atitude provinciana é sempre a mesma, que o que vem 'de fora' é que vale, que nós somos pequenos e num mundo tão grande ninguém nos valoriza.
Todos os dias conheço cada vez mais gente da minha geração de que vem para cá de férias e acaba por ligar aos pais, tal como o rapaz alemão, para informar que não tem planos de voltar. Mas não ouço disso dos meus colegas, das minhas amigas, dos filhos dos amigos dos meus pais.

Por isso sim, se calhar os portugueses andam tristes ou cabisbaixos, ou melhor, têm razões para isso. Porque na verdade, o feedback que recebo dos meus contactos estrangeiros é que os portugueses são, de facto, pessoas acolhedoras. Obrigado, Bom dia, Boa Tarde, mesmo como portuguesa, e mesmo que seja com entoações com mais ou menos entusiasmo, é raro a loja/café/restaurante onde não ouça quando entro. E, não sei se é português ou não, mas é normal que a simpatia seja uma atitude recíproca.

Mas a saudade, o fado, e o drama católico agora são fashion, e não tarda que isso seja também uma atracção turística, mais um parágrafo para escrever noutro artigo do Huffington Post.

Inté.




Monday, October 10, 2016

Geis - Alexis Deacon


Já faz algum tempo que não escrevo aqui no blog (como tradicionalmente costumo de começar os posts) portanto, visto que hoje pus um ponto final no último volume do Altemente, vim quebrar o silêncio com uma pequena review opinosa sobre a última graphic novel que comprei.

Encontrei este tesouro na Bertrand da Rua Garret que, como quase todas Bertrands, apesar de não ter muita BD, tem quase sempre BD boa. A loja da Rua Garret, que está em obras, tem ainda menos BD que o habitual, portanto este livro não foi propriamente o achado mais surpreendente de sempre, visto que nem estava escondido no meio de livros de arquitectura manhosa, estava literalmente especado na estante das novidades e destaques da entrada.
E digo-vos, foi amor à primeira vista. São poucas as vezes que isso acontece, mas quando acontece é intenso - acho que vocês sabem o que é, certo? A capa em si já me captou alguma atenção, mas mal folheei a primeira página apaixonei-me. Não demorou uma semana para voltar e comprar um exemplar.

Adiante, àquilo que interessa. Geis - A Matter of Life and Death, é o primeiro volume duma série desenhada e escrita por Alexis Deacon e publicada pela Nobrow, uma editora britânica que tem lançado muitas obras interessantes nestes últimos tempos. Tal como a editora, Alexis Deacon é mais conhecido pelo seu trabalho na área da ilustração infantil mas, desta vez, decidiu apostar numa graphic novel mais matura e sombria.
Não deixa, no entanto, de ser uma obra de fantasia em que o protragonista é uma criança e, apesar de poder ser lida por crianças e por qualquer idade (mesmo), de infantil não tem nada.

Como já devem ter reparado, se me conhecem e/ou se lêm regularmente este blog, o meu gosto em BD (e em qualquer outra coisa, como filmes, livros... etc) geralmente tende a inclinar mais para slice of life, drama, tramas da vida e coisas desse género. Há quem pense (e não os julgo, assumem isso dos meus desenhos e é compreensível que assim julguem) que eu não goste nada de fantasia ou aventura, mas isso é uma mentira total. Na verdade, são temas que me interessam bastante, especialmente quando são bem desenvolvidos (a minha infância foi passada à custa de LOTR, mmorpgs e ficção científica). Portanto, apesar de eu agora promover coisas mais "realistas" e "humanas", não deixo de ter um fraquinho por coisas deste género.
No caso de Geis, a história começa quando a matriarca de um determinado realm morre e uma feiticeira sombria, a cargo da falecida, inicia um torneio para determinar o sucessor. Nesta primeira parte, ficamos a saber um pouco sobre alguns dos convocados, da protagonista que não sabe porque é que está ali e do mundo em que vivem. É um universo mágico muito similar aos dos contos de fadas da nossa infância, mas não é tanto como uma idade média com magia e dragões; é mais parecido com o ambiente e com a estética do Castelo Andante e do subaquático do Ponyo, ambos do Studio Ghibli (não sei bem descrever porquê), o que para mim é bem mais apelativo e criativo.
Mas, o melhor do livro (para mim) não é a história, apesar de ser bastante cativante. O cerne desta paixão intensa é a qualidade gráfica desta graphic novel: é tudo aquilo que procuro em desenho e BD. Traço solto, orgânico e natural, caracterização dos personagens simples mas altamente expressiva e a cor é quase apenas sugestiva, usada em função de criar ambiente e sensações - muito naturalista. O controlo da luz/sombra é fantástico e é isso que dá aquele ambiente de filme Disney dos anos 40/50 que tantos arrepios nos deu. É puramente místico!

Escusado será dizer que estou desejosa de saber do 2º volume. No entanto, enquanto não sai, recomendo a toda a gente que leia, ou pelo menos veja o trabalho do Alexis - vale a pena!
Não tenho muito mais que dizer, mas no entanto vou deixar aqui algumas páginas:


Inté! e boas leituras.

Monday, September 12, 2016

Fui ver a Vida Secreta dos nossos Bichos e foi esquisito.


Pode conter SPOILERS

Há uns dias atrás fui finalmente ver The Secret Life of Pets, ou A Vida Secreta dos Bichos, apesar de todos os comentários depreciativos que tenho andado a ouvir. Acredito que seja uma pessoa esperançosa, mas ao menos não fui com demasiadas expectativas e a desilusão não foi tão grande como temia.

Antes de mais, não digo que não gostei, mas também não adorei. Honestamente, nem sei. Houve momentos bastante engraçados em que me ri, houve outros em que fiquei comovida e quase que chorei (uma das razões pela qual queria muito ver o filme é porque tenho duas cadelinhas, cujo a história é muito parecida com a sinopse do filme), mas também houve (muitos) momentos em que fiquei desconfortável - acho que não arranjo melhor adjectivo.
Sim, desconfortável. Para começar, não percebi qual é que era mesmo o público alvo deste filme: supostamente era um filme infantil, mas a maior parte das piadas eram bastante maturas. No entanto, a sala de cinema era basicamente composta por crianças abaixo dos 10 anos, acompanhadas pelos respectivos pais e mães. De filme infantil, só tem mesmo a limitação legal de idade mínima (maiores de 6 anos) e o facto de ser animado, porque ao longo da história, o diálogo dos personagens, o sentido de humor é claramente voltado para um público mais maturo/jovem adulto. 
Não estou a dizer que estava à espera de ver o Noddy ou qualquer outra coisa do Disney Kids, mas haviam certas cenas que eram desconfortavelmente violentas para o tipo de audiência que estava comigo na sala - como, por exemplo, a subcultura dos esgotos liderada pelo coelhinho esquisito, onde fizeram bastante ênfase na ideia de MATAR os donos. 


Existem outros filmes de animação que à partida são direccionados para o público infantil mas que, na verdade, acabam por tentar agradar mais aos pais e às plateias mais velhas, como o pioneiro Toy Story (então o primeiro...), Shrek ou o Magadáscar, da Dreamworks. Também podemos ir mais longe (e mais atrás na linha do tempo) e relembrar a Fuga das Galinhas ou (o mais soft) Por Àgua Abaixo, ambos do estúdio Aardman.  Todos estes filmes eu fui ver ao cinema quando era pequena e, apesar de nem todos me terem deixado constrangida e com pesadelos (no caso da Fuga Das Galinhas e do 1º Toy Story), só agora, todos estes anos depois, é que percebo realmente a essência e as verdadeiras mensagens por detrás destas longas metragens.

Chicken Run (2000) (os comentários no youtube dizem tudo)
Tinha 6 anos quando vi este filme no cinema e lembro-me de, tanto eu como a minha mãe, sairmos caladas da sala de cinema. Da mesma forma que na altura não via mais nada nos filmes do Tim Burton para além do ambiente arrepiante e das personagens medonhas, também não tive capacidade de perceber que a Fuga das Galinhas é, de facto, uma história bem inteligente e (há quem diga até) uma metáfora satirizada do terror dos campos de concentração, durante a 2a Guerra Mundial. Apesar de ser um bocado pesado para uma criança do 1º ano, continuo a defender que é preferível a séries fúteis e surrealistas que passam actualmente no Disney Channel, cujo o único problema da vida daqueles adolescentes é com quem e como é que vão ao prom. MAS, isso é tema que dá para outro post, ainda maior que este.
Se há coisa que detesto no entretenimento infantil é que seja estupidificante e vazio de conteúdo, por isso não achem que estou contra este tipo de animação, pelo contrário. Acho que é uma forma bastante inteligente e divertida de educar crianças, mudar mentalidades e ginasticar a cabecinha através do cinema, da arte e do entretenimento. Agora, o que difere neste caso específico dos Bichos é que o contéudo maturo e desconfortável não provoca nada de positivo, é apenas isso, desconfortável e forçado. Por outro lado, surpreendentemente, o Inside Out e o Zootopia foram bastante positivos e bem construídos, em termos de argumento e mensagem a transmitir. Na minha opinião, por mais 'mainstream' que sejam classificados, tanto um como outro foram filmes que conseguiram abranger o público infantil e também o mais adulto, sem ser demasiado violento ou infantil (tanto o Inside Out como o Zootopia tocam temas sensíveis, como a descriminação e o racismo, no caso do segundo.)
E isso é o que leva à razão pela qual quis mesmo escrever este post, aquilo que me irritou mais no filme - a tradução e a dobragem.

Muita gente manda vir comigo e insiste permanentemente para eu dar uma segunda hipótese aos desenhos animados de hoje em dia, como Adventure Time, Regular Show, e essas coisas que passam maioritariamente no CN, mas a verdade é que é muito pouco provável que a minha vontade mude, ainda mais com estas novas dobragens.
A mesma razão pela qual não consigo ouvir rap/hip hop português (no geral) é a mesma razão pela qual cada vez detesto mais a televisão infantil dobrada - mau português - e fala aqui a pessoa que tem uma colecção interminável de erros gramaticais e gralhas neste mesmo blog.
Mas, continuando, aborrece-me solenemente que uma língua tão rica, tão antiga, tão diversificada como a nossa, não só em sons e fonemas como em variedade de palavras e sinónimos, seja reduzida a calões forçados e faltas de criatividade e exercício mental. Não dá! Tanto nessas séries de desenhos animados como neste filme dos Bichos, todos os personagens falam como um Youtuber português de 13 anos que passa demasiado tempo ao telemóvel. Isto podia ser justificado como 'caracterização dos personagens', mas vai muito mais para além disso: é uma tentativa falhada de captar o 'público jovem' do milénio, e em vez de ser 'fixe', é simplesmente ridículo. É tão ridículo e despropositado quanto aqueles professores do liceu que vinham falar buéda fixes e bacanos com a malta, para mostrarem ao peeps como eram curtidos, mas acabavam por serem apenas caricatos e humilhantes. Em cada 5 palavras, 4 são 'meu' ou 'bué' ou 'bacano' ou 'fixe'. 
Não consigo, simplesmente. Chamem-me snob, chamem-me picuinhas, mas há coisas que cada vez me chateiam mais. Estes assassínios à nossa língua são cada vez mais estupidificantes e redutores, em vez de incentivarem o público a falar melhor e a compreender porque é que o acordo ortográfico é um atentado à nossa cultura e às nossa história. 
Mas a dobragem não serve de desculpa para a minha falta de interesse nos desenhos animados do CN - antes da versão dobrada, já tinha visto as originais e, por mais inovadoras que sejam as técnicas de animação, por mais contemporâneos que sejam os temas, nada disso se consegue sobrepor ao vazio e à falta de conteúdo destas produções (agora caiu o Carmo e a Trindade).
 Não vou desenvolver estes argumentos porque só levam àquele tipo de conversa do género "no meu tempo ..." ou "antigamente é que ..." ou ainda "hoje em dias (blah blah blah) já não vale nada", e isso também não é verdade. Há muita coisa boa e bem feita a ser produzida hoje em dia, e defendo isso. Mas, tal como dantes, também há muito lixo e, infelizmente, o lixo é muito mais acessível (e rentável).

Portanto, para concluir, A Vida Secreta dos Bichos, tal como já muita gente disse, tinha tudo para ser um filme bem interessante, humoristicamente inteligente e divertido, mas não foi. Um filme infantil não tem que ser puramente entretenimento - nem deve - mas para isso também não precisa de ser vulgar ou estupidificante, por mais ténue que essa linha seja. Infelizmente, quase que ponho na mesma categoria que pus o Bee the Movie ou os Monstros vs Aliens - filmes que podiam ser giros, mas são apenas constrangedores e cheios de humor fácil e forçado, numa tentativa falhada de juntar gerações. 

Enfim, não me odeiem depois deste post. Eu estimo muito os meus poucos leitores!

Inté e, como sempre, prometo escrever mais. 

BAZA!



Thursday, August 25, 2016

Daytripper - Fábio Moon e Gabriel Bá


Antes de dizer seja o que for sobre este livro, aviso já que me vai ser muito difícil escrever sobre ele, porque nem sei bem o que achei; não sei se gostei ou se não gostei - melhor, acho que isso nem sequer é o mais importante numa apreciação (nunca deveria ser, nestes casos).

Já andava para ler esta graphic novel há imenso tempo, e mal soube que ia fazer parte da nova colecção da Levoir, andei a contar as semanas para poder (finalmente) comprá-lo e ter (finalmente) a oportunidade de o ler. Se calhar foi toda essa expectativa, de todos os comentários (entre alguns elogios) que tenho ouvido sobre o trabalho dos gémeos, que facilitou com que o livro não fosse bem o que estava à espera.
Mas também, o que é que eu estava à espera?

Do Fábio Moon e Gabrial Bá não tinha lido muita coisa. Li o Umbrella Academy quando estava algures a ultrapassar a minha fase emo, por volta de 2010, e, mais recentemente, li um livrinho deles que encontrei na BDteca dos Olivais, mas nem me lembro do nome nem nada, só sei que tinha tons de verde... (sinto-me idiota agora).
Mas seja como for, não tinha grande ideia deles, apenas do que diziam deles, e tanto conheço gente que os venera como gente que não compreende essa veneração, de todo.
Por isso é que quis ler tanto o Daytripper, para ter a minha própria ideia e criar a minha própria opinião e, também, fazer com que seja o mínimo possível influenciada pelas outras que já ouvi (eis a parte complicada).

Portanto, agora que acabei de ler, e admitindo que demorou mais do que geralmente demoro a ler outra graphic novel, não consigo dizer se gostei ou não. Isto porque há coisas que gostei mas há muitas coisas que não gostei. Fui informar-me pela interwebs de outras críticas e reviews, e a maioria delas são bastante positivas e facilmente percebi o quão aclamado é este livro (sem contar com os prémios que teve, estampados na contracapa do álbum), por isso sinto-me um bocado hesitante em dizer que, simplesmente, não gostei ou que isto e isto não é bom... mas mais uma vez, como já disse várias vezes aqui neste blog, para que é que serve escrever aqui se não é para ser honesta? 
E como o propósito de tudo isto é desabafar e dizer o que me apetece, aqui vai.

A sensação geral que me fica depois de ler o Daytripper é que é um livro que tem tudo para ser um livro fantástico, mas não sei se é. O tema por si já é brutal, de tal forma que é difícil fazer uma boa adaptação/narrativa que transmita de forma poética e, ao mesmo tempo, coerente todas as mensagens e ideias que os autores querem passar. A vida e a morte é o foco de toda a história. Há este personagem central, Brás, que é um aspirante a escritor mas que, no início da sua carreira, tem que se contentar em ser apenas escritor de obituários: e é assim que tudo começa. 
O livro tenta ser uma espécie de reflexão sobre o que é de facto a vida e quando é que ela começa; quais é que são os momentos importantes que a definem, o que é que nos move, e toda a fugacidade e fragilidade da nossa existência. Por isso, divido por capítulos, em que cada um é uma história, todos juntos dão sentido às várias possibilidades e oportunidades, memórias, etapas da vida de Brás, não só pelas coisas que ele fez mas também pelas pessoas que conheceu e que, inevitavelmente, alteraram o circuito da sua vida.
Agora, tudo isto tem um espírito bastante poético, certo? Ou pelo menos teria, se não tivesse tanto texto - e não estou a falar de discurso, é texto narrativo. E acho que é aí que o meu nariz começou a torcer.. sinto que o desenho aqui, em Daytripper, é uma mera ilustração para a enorme quantidade de texto que esta graphic novel tem. Acredito, também, que uma boa BD é aquela que sabe criar o equilíbrio/casamento ideal da imagem e da palavra, e, neste caso específico, senti-me sufocada por tanto texto. A maior parte das vezes, o texto dizia exactamente o que estava a acontecer na imagem, não o complementava nem acrescentava nada, apenas repetia o que já estávamos a ver. Na maior parte do tempo, enquanto lia o livro, sentia que estava a ver um filme e que alguém estava com a cabeça apoiada no meu ombro, a narrar permanentemente aquilo que estava a acontecer.
Pelo que li, não só na introdução mas também noutras críticas, o livro pretende fazer-nos pensar sobre todas estas questões da vida, da morte, etc... mas torna-se impossível quando, ao mesmo tempo, nos apresenta a "papinha toda feita". Todo este texto narrativo não nos dá espaço nem liberdade a interpretar ou a pensar por nós próprios; automaticamente põe o leitor numa posição predefinida e encaminham-nos numa direcção já feita e, possivelmente acabamos por chegar ao mesmo destino: nada. Não só nos corta o pensamento, mas tanto texto também se torna maçador, especialmente quando é puramente palha. Desculpei, no entanto, porque talvez haja assim tanto texto devido ao facto do personagem ser escritor...? Não sei, continua a ser uma seca.

Mas, por outro lado, não deixa de ser uma mensagem bonita e positiva. É, claramente, um trabalho bastante pessoal e emotivo do lado dos autores, e isso também se sente. Acredito que seja por isso que tem tanta narração e talvez seja por isso que tudo é tão descrito e detalhado daquela forma..

Voltando ao que já disse, acho que tem tudo para ser um bom livro, mas não sei se foi a melhor concretização. Talvez não seria tão massudo se tivesse lido por partes, como originalmente foi publicado. Quanto aos desenhos, cada vez se torna mais difícil para mim ver coisas a cores completas, cada vez sou mais da equipa do 'quando menos cores melhor'.. Quando vi os esboços conceptuais nas ultimas páginas, fiquei a achar ainda mais que teria resultado muito melhor se, em vez de saturarem tudo com cores, tivessem simplesmente usado um ou outro apontamento de cor, para dar uma ideia de sombra/profundidade. Mas, isso é puramente o meu gosto pessoal.

    

Como podem ver, acho que a cor mata bastante a expressividade e a naturalidade no desenho.
E vou sempre odiar gradientes (e eles usam bastantes, aqui 
é que não se nota) #sorrynotsorry.

Enfim, no entanto não quero que fiquem com a ideia que não gostei, apenas não era tão avassalador como esperava - mas esperar essas coisas é sempre o primeiro passo para a desilusão.

E agora acabo este post como tenho acabado todos os outros, a prometer que irei escrever mais!
Inté!

Sunday, July 24, 2016

Um post sobre literatura sem bonecos

Mais uma vez, volto a falhar às minhas promessas e não tenho escrito nada por aqui ultimamente.
Acontece que, apesar de ser Verão, não tenho tido férias nenhumas e o trabalho tem-me consumido a maior parte do tempo e da energia - mas atenção, isto não é uma queixa!

Mas, infelizmente, também não tenho tido muito tempo para ler BD, sendo que a última coisa que li foi Portugal de Cyril Pedrosa, que penso ser completamente inútil comentar aqui, não por não ter gostado - muito pelo contrário - mas mesmo por ser uma obra tão boa, mas tão boa, que sinto que qualquer coisa que fosse dizer não iria trazer nada de inovador ou de revelador, apenas seriam constatações óbvias. No entanto, acreditem ou não, tenho andado a ler bastante prosa - sim mãe, livros sem bonecos, para pessoas crescidas - e tem sido uma viva fonte de ideias e criatividade, tanto para desenhar como para escrever - yep, eu gosto muito de escrever, até tenho um blog, vejam só!
Mas, no entanto, não me sinto muito capacitada de comentar esses livros aqui visto que o meu conhecimento literário é quase 0, portanto, seja o que for que possa escrever sobre eles aqui, será sempre fruto da minha opinião humilde de leitora/consumidora/apreciadora(?).

Agora, para matar uma eventual curiosidade vossa, tenho lido bastantes "lamechices", como ando a justificar às pessoas. Comecei por Margueritte Duras, da qual li O Amante, O Jardim e Olhos Azuis, Cabelo Negro. Depois passei para Katherine Mansfield da qual apenas li uma compilação de contos. Ao mesmo tempo, conheci Lou Andreas-Salomé e Rainer Maria-Rilke, que não só foram amantes, como ficaram melhores amigos até Rilke morrer. Neste momento, estou numa de Virginia Woolf, da qual comecei agora as Ondas. Se me perguntarem o que é que me interessa nesta gente toda, não sei bem explicar. É uma coisa muito ''sentimental'', se é que me entendem, por mais lamechas que seja. Por um lado, há várias coisas que os ligam - a época (são mais ou menos todos contemporâneos uns dos outros), os temas (coisas melancólicas do quotidiano, paixões que morrem, histórias que não levam a lado nenhum, apenas moem a cabeça) e cartas. Eles escrevem cartas e cartas entre eles, correspondências quase infinitas dum tempo em que, graças a Deus!, não existia telemóveis ou qualquer outra forma de comunicação mais instantânea. Desde há uns meses atrás que ando DESESPERADA à procura da Correspondência Amorosa entre o Rilke e a Lou Andreas-Salomé, a qual vim a saber que está esgotada e de que a editora não planeia tão depressa re-editar (por mais e-mails que lhe tenha mandado). Isto é sério - se souberem onde haja um exemplar, por favor digam-me! Comentário, mensagem privada, mail... quero mesmo muito esse livro! 
À parte da minha busca incessável por feiras do livro e alfarrabistas, tenho tentado trabalhar e ler mais. E vocês perguntam - e não andas cansada? Sim, as olheiras e as costas doridas tornaram-se numa característica física permanente da minha personagem. Mas! não me arrependo, só quando fico stressada, que é quase sempre.
Porém, a minha intenção ao criar este blog nunca foi para me auto promover ou falar de mim mesma, ao início até me encantava a ideia de ser relativamente anónima, mas acontece que não poderia escrever nada neste post se não referisse mais ou menos o que é que me tem impedido de ser electronicamente e virtualmente pontual.

Entretanto, soube ontem dos vencedores dos Prémios Eisner e aproveito este post para comentar que fiquei feliz com alguns deles, entre os quais (obviamente) o Super Mutant Magic Academy da J. Tamaki, que venceu a categoria Best Publication for Teens.  Killing and Dying do Tomine, Paper Girls, Step Aside, Pops!, Nimona e Southern Bastards foram outros que me deixaram muito satisfeita por terem vencido nas suas categorias, apesar de alguns serem bastante previsíveis.

Enfim, por agora é tudo, espero poder escrever em breve sobre coisas mais interessantes que estas.

E, já agora, fiquem aqui com o meu trabalho mais recente de ilustração, que foi a capa para a Estante da Fnac, e com uma amostra do meu belo dedo.


Inté e não apanhem escaldões quando forem à praia dar mergulhos por mim!

Wednesday, June 1, 2016

Paper Girls 1(comics)


No fim de semana passado fui ao Festival de BD de Beja para lançar o meu livro, Altemente - volume 1, e aproveitei para fazer umas comprinhas nos minutos livres...
Entre os poucos livros adquiridos que o meu orçamento de estudante permitiu consta a primeira compilação da nova série da Image Paper Girls.

Já conhecia esta série há algum tempo; tinha visto alguns números na BD Mania e o desenho da capa tinha-me chamado à atenção mas, no entanto, nunca tinha chegado a ler. Mais tarde, minha cara amiga Rita Silvestre recomendou-me vivamente que lê-se Paper Girls, e tomando isso como um sinal de que a minha suspeita de que era uma boa série estava certa, aproveitei a oportunidade e comprei esta compilação dos primeiros volumes.

Passando à parte técnica introdutória... Paper Girls é escrito pelo Briank K. Vaughan, o mesmo argumentista de Saga, e desenhado por Cliff Chiang (mas as cores são de Matt Wilson).
Fiquei surpreendida, de facto! Estava um bocado exitante, tinha medo de não me interessar muito pela história (como aconteceu com Saga, ao ínicio) mas a verdade é que fiquei vidrada logo nas primeiras 4 páginas!
A história começa em 1988 num bairro suburbano americano, quando um grupo de raparigas de 12 anos testemunha um acontecimento sobrenatural que ultrapassa qualquer noção de espaço/tempo e quebra qualquer barreira de realidade. A narrativa é fluída e rítmica, apesar de ser intensa; demora tempo a desenvolver, sem notarmos por isso, porque os acontecimentos têm o ritmo bem orientado e o suspense é bem acentuado, o que torna a história super interessante e dá cada vez mais vontade de saber o que vai acontecer depois.
Quanto à arte, é quase impossível apontar coisas negativas. De alguma maneira, faz lembrar Fiona Staples em Saga - o desenho é limpo e vagamente estilizado, mas super expressivo, enquanto a paleta de cores foca-se mais em criar ambiente/sensação do que ter a preocupação de ser realista. De qualquer forma, com o tipo de reputação e background que Cliff Chiang tem, é bastante presunçoso e pedante da minha parte tentar dizer seja o que for em reacção ao trabalho dele, tirando o que é relativo ao meu gosto pessoal. Qualquer outra apreciação é inútil e já foi certamente dita mil vezes por outras pessoas mais ou menos entendidas no assunto. É que às vezes sinto-me ridícula neste tipo de situações... mas esqueço-me que criei este blog para isso mesmo, falar de BD despreocupadamente.
Bem, continuando e ignorando o aparte, apesar das parecenças que me parecem existir entre a Fiona Staples e Cliff Chiang (e se concordarem, também admitem que não é muito surpreendente visto que trabalharam os dois com o mesmo argumentista...) acho que prefiro o desenho do C. Chiang - mas apenas porque sinto que o tratamento do desenho dele é melhor, se é que me vou conseguir fazer entender... No caso do Saga, o desenho é mais estilizado, apesar de ter um traço realista, mas os fundos parecem-me demasiado menosprezados e às vezes dá a impressão que as personagens são colagens em cima de fundos desfocados. No Paper Girls, o contraste fundo/personagens não é tão abismal e por isso acho que resulta melhor. Em vez de jogar só com as cores, Chiang também faz proveito da grossura das linhas para dar destaque àquilo que está em primeiro plano e é importante em relacção ao que é só paisagem. Não consegui encontrar nenhuma informação que mo provasse, mas em Paper Girls, o lineart parece ser tradicional e desenhado com uma caneta de tinta com o bico achatado, semelhante a uma caneta caligráfica, que na minha opinião dá imensa expressividade ao desenho.
Mesmo assim, um dia gostava de dar outra oportunidade ao Saga, porque apesar de tudo continua a parecer um trabalho excelente e boas críticas/comentários não lhe faltam.

Saga
Paper Girls

Enfim, agora vou ficar à espera que saiam mais números de Paper Girls e foi sem dúvida uma boa compra!
Recomendo a toda a gente que gosta de Sci-Fi que escapa a clichés e naves espaciais que fazem PEW PEW.

e prometo, mais uma vez, que vou tentar escrever aqui mais vezes.
Inté!

 





Friday, May 6, 2016

Super Mutant Magic Academy (comics)


Já faz algum tempinho desde que escrevi aqui pela última vez! Não é por falta de vontade nem por falta de tempo (okay, também não tenho tido muito tempo, é verdade), mas é essencialmente por falta de tema..
Tenho andado a ler bastante, mas não sei bem o que escrever. Porém, hoje quebro esse silêncio, para mais que sei que há gente que lê o meu blog! Sempre que alguém me diz isto, ganho ainda mais vontade de voltar a escrever.
Portanto, aqui estou.


E, coincidência ou não, venho com o propósito de falar um bocadinho sobre esta obra prima da Jillian Tamaki, a mesma autora (co-autora) do livro que falei no meu último post, Skim. Só que desta vez, esta obra é inteiramente dela, seja desenho seja argumento.
Eu estava um bocado hesitante em escrever sobre este livro, Super Mutant Magic Academy, por várias razões:
- Dá a impressão que não leio mais nada e não conheço mais nada para além de Jillian Tamaki
- E é basicamente isso.

Mas quero lá saber do que vocês acham, este blog serve para compensar a falta de conversas sobre BD que existem no meu quotidiano, por isso eu escrevo aquilo que me apetece e vou pôr as minhas inseguranças ridículas de parte.

Voltando ao que interessa, este livro que vos falo hoje chama-se Super Mutant Magic Academy e é uma antologia de pequenas sequências cómicas desenhadas e escritas pela Jillian Tamaki. Antologia porque é uma compilação de 200 e tal mini comics que relatam o quotidiano dos alunos e professores que frequentam a Super Mutant Magic Academy. 
Para quem nunca ouviu falar destes comics, a ideia que transparece é que se trata duma espécie de X-Men fundido com um estilo descontraído/infantil típico de coisas como Adventure Time ou qualquer outra série da Boom! Studios, mas desiludo-vos já (ou talvez não) que não tem nada haver com isso - felizmente para mim, porque se fosse eu nem lia.

Eu já conhecia a SMMA há bastante tempo, desde o ano passado, literalmente, porque a primeira vez que ouvi falar disto foi através do Free Comic Book Day de 2015, que se vai repetir agora neste sábado, 7 de Maio. Fui logo investigar na interwebs sobre esta obra da J. Tamaki, e soube logo à partida que vinha de um webcomic e que tinha finalmente sido compilado para um livro. Para minha tristeza, não consegui apanhar a cópia do FCBD a tempo, mas fiquei à espera que fosse importado para Portugal. Não foi. Agora que tenho um pé de meia, encomendei-o e a minha vida voltou a ter sentido.
No dia que fui buscá-lo à BDMania, sensivelmente há 4 dias atrás, bela terça feira, posso garantir-vos que verti uma lágrima no momento em que lhe peguei pela primeira vez, não só porque vivia na expectativa há um ano mas também porque era francamente maior do que eu alguma vez imaginei - é quase tão espesso quanto o Blankets - atenção, quase! A grossura das folhas ajuda bastante.  

E, voltando ao que interessa mesmo, mais uma vez, em SMMA não há nenhuma preocupação de salvar o mundo, combater o mal, unir as forças do bem ou derrotar um vilão ancestral - não há nenhuma preocupação, para ser sincera. Não sei se é correcto dizer que este post pode conter spoilers, porque na verdade não há nenhuma narrativa sequencial concreta que atravessa SMMA, é simplesmente um conjunto de acontecimentos que têm uma ligação mais ou menos directa entre si, mas que não é forçosamente uma linha condutora temporal.
Há um grupo de personagens 'principais', por assim dizer, nas quais a sua presença se repete ao longo das tiras cómicas. Tamaki defende desde o ínicio que o conceito de todo este projecto é intencionalmente idiota; ela nunca teve interesse em Marvel's ou DC's e não foram propriamente as suas referências ao longo do seu crescimento nem durante a execução desta obra; ela estava muito mais interessada em como é que alguém com uma cabeça de lagarto conseguia manter uma relacção amorosa estável com um namorado humano mais velho do que propriamente em lutas sangrentas e poderes especiais. E se estas personagens alguma vez usam os seus poderes, é geralmente como chamadas de atenção ou para eliminar borbulhas da testa. 
Acho que é por isso que é tão interessante e divertido. Tamaki pega numa série de personagens sobrenaturais e põe-nas a viver problemas que nos são tão normais e .... naturais. E apesar de soar brejeiro, ao longo do livro não só se debatem com coisas mundanas como o sofrimento do liceu, namorados e falta de auto-estima, mas também (e quase essencialmente) questões existenciais, filosóficas e (verdadeiramente) profundas, relativas a ética, estética ou até mesmo a arte em geral (aqui acredito que seja por causa de Tamaki ter frequentado durante pouco tempo a licenciatura de Artes Plásticas, e tal como Satrapi, não gostaram o suficiente para chegar ao fim). Ou seja, todo este livro acaba por ser uma simulação ou um expeculação de como é que seria, de facto, o dia a dia de pessoas com características tão específicas como aquelas; pessoas que apesar de dispararem lasers dos olhos, transforamarem-se em raposas à noite, serem imortais, lá no fundo só querem um amigo, escapar às aulas de história, preencher formulários para a faculdade e debaterem-se sobre o verdadeiro sentido da vida e qual é o papel do artista contemporâneo numa sociedade actual capitalista e altamente consumista.

Portanto, isto tudo para dizer que mais uma vez, Jillian Tamaki não me desiludiu, pelo contrário, cada vez estou mais apaixonada, tanto pelos seus desenhos como por ela.
Se não querem encomendar o livro, podem sempre ler algumas das páginas pela net, que estão espalhadas pelo blog dela. Seja como for, o livro não é dinheiro mal gasto, de todo.

Quanto a este blog, vou tentar escrever mais vezes.
Ah, e já agora, queria agradecer a quem lê (mesmo que não comentem) e àqueles que comentam, um obrigado ainda maior! Já devia ter feito isto antes.

Inté,
que já devia estar a trabalhar.






Saturday, March 5, 2016

Skim (graphic novel)


Já faz algum tempo que não escrevo aqui sobre um livro específico, mas hoje vim quebrar essa falha através desta obra da Jillian e da Mariko Tamaki, as mesmas autoras de This One Summer (aquele livro de que eu não me calo).

Dizem que o dinheiro não traz felicidade, mas foi com dinheiro que comprei esta graphic novel que, para mim, é a mesma coisa.
Eu encomendei Skim há quase um ano, já acreditava que nunca o iria ter por causa de n razões que justificavam a sua ausência (uma delas o facto de ele estar, aparentemente, esgotado) mas, nesta terça feira, quando me sentei ao estirador do meu atelier para trabalhar, decidi ir ler o email e soube então que o amor da minha vida esperava por mim, na BDMania.

Escusado será dizer que que as minhas expectativas eram bastante altas, visto que a Jillian Tamaki é provavelmente a minha artista de comics preferida, e visto que, tal como This One Summer, esta obra carrega pelos ombros uma série de prémios, não só pela sua arte gráfica brutal mas também pela história e argumento.
Acabei de ler a última página sensivelmente à uns 15 minutos. Tentei ler o livro o mais devagar possível, observei os detalhes das ilustrações com a máxima atenção que o meu sono permitia. Tudo aquilo que descrevi acerca do This One Summer pode ser aplicado a Skim - o detalhe minucioso mas não desnecessariamente realista dos fundos e ambientes, a diversidade entre o design das personagens, o movimento e a anatomia tão bem controlados que é quase poesia visual - não, toda a esta obra é poesia visual. É impressionante como imagens aparentemente tão simples, uma pincelada, um breve apontamento de sombra e umas quantas manchas cinzentas conseguem transmitir tantos sons, sensações, cheiros e sentimentos. 
Pareço uma adolescente babada a falar do namorado, mas a verdade é que não sei muito de amor, mas acredito que seja parecido com isto (ou espero que seja?)

 

Mas continuando pelo que interessa mesmo a vocês, leitores, Skim, editado em 2008fala do drama da adolescência e de questões existenciais, angústia e desgostos de amor através da vida da protragonista, Kim (ou Skim, como lhe chamam) Apesar da minha descrição, também é uma história que dá uma certa esperança. É o mesmo tipo de história que podemos encontrar em (cá está ele outra vez) This One Summer, mas também em Ghost World (Clowes) ou nos short comics do Adrien Tomine. É o que Craig Tompson disse de Blankets - uma história onde não acontece nada, o que para muita gente é confuso ou uma seca. Mas isto acontece porque o objectivo destas narrativas não é chegar a um final,a uma conclusão. Não há um início, meio e fim. O que importa neste tipo de coisa é a reflexão e o que ela simboliza, a interpretação que fazemos e a mensagem que nos fica. É o puro slice of life, literalmente. É como se estivéssemos a simplesmente observar a vida de alguém, o mundo a nossa volta e, tal como a vida real, continua, mesmo depois da morte, continua para quem cá fica.

Portanto, quem espera sempre alcança e fico feliz desta espera ter valido tanto a pena.
Espero que tenham também consigam ler isto um dia, é um must have para qualquer um que goste de uma verdadeiramente boa graphic novel.





Até lá,
Inté.



Tuesday, February 23, 2016

Coisas que me fizeram/fazem chorar

Importante: pode conter spoilers de coisas :(


Ao contrário do que muita gente pensa, eu sou uma chorona incrível. Tudo e mais alguma coisa me faz chorar, mas não no sentido negativo! E, apesar desta afirmação, não são coisas como Nicolas Sparks ou o Titanic ou a Adele que puxam o meu lado emotivo, mas sim coisas que, muitas vezes, nem sei bem explicar qual é a razão. Mas às vezes sei, e é por isso que vou escrever este post disparatado, porque lá no fundo acredito que as melhores 'obras de arte' são aquelas que me comovem e me fazem chorar.
Sendo assim, vou começar a minha ode aos chorões, tentando defender a minha dignidade e seriedade.

The Nao of Brown

Não foi ao nível de baba e ranho, mas foi o suficiente para ser o 1º deste post. Já falei anteriormente desta graphic novel aqui no blog, e acho que ficou claro o quão genial é e o quanto adorei cada página que li desta obra. Relata a vida da Nao, uma mulher que sofre de OCD, e como isso a impede de lidar normalmente com a vida. Mas atenção, não é a OCD das limpezas e organização - é uma OCD homicida, literalmente.

Chorei bastante essencialmente um pouco antes do fim, no breaking point, quando a Nao tem um dos seus 'ataques' e o namorado não compreende. É bonito e comovente porque é a história duma pessoa que percebe que tem de se aceitar a si própria para que consiga viver em paz, com ela e com os outro.

Toy Story 3


Sei que nesta situação não fui a única. Muita gente não conseguiu aceitar o facto do Andy abdicar dos seus brinquedos - e eu fui uma dessas pessoas. Okay, percebo que tenha sido a atitude mais correcta e moralmente aceitável, visto que ele na universidade não ia dar muito uso ao Woody e Companhia... mas era o Woody! Não compreendo, a sério.
À parte disso, Toy Story continua a ser uma sequela de 2 filmes bastante nostálgicos da minha infância, o que faz com que seja sempre comovente ver ou rever.

Anúncio da Coca Cola


Muita gente diz que é treta - e possivelmente é. Seja como for, a mensagem não deixa de ser bonita, e acho que não tem haver com ser da Coca Cola ou não, porque eu nem sequer bebo Coca Cola.

As figuras de Alberto Giacometti





A minha relacção com o Giacometti é uma história muito engraçada. 
Tudo começou no secundário, quando o meu professor de desenho nos obrigou a desenhar vezes sem conta estas estatuetas e uma série de desenhos dele. Acabei por lhe ganhar um ódio, porque não percebia qual era o interesse nem a obsessão por estes palitos com pernas, e muito menos os desenhos, que davam uma trabalheira enorme a copiar dos PowerPoints que o professor exibia.
Só mais tarde, já no 2º ano de faculdade, para História da Arte Contemporânea, numa das minhas tentativas de injecção cultural dois dias antes dum teste, dei por mim a ler uma fotocópia dum artigo escrito pelo Sartre sobre o Giacometti. Nesse artigo explicava a relacção dele com o artista, porque aparentemente eram amigos. Sartre, a partir duma conversa que teve com o Giacometti, explicava como todo o trabalho dele se baseava na distância e o que isso significava para ele enquanto artista. 
Em todos os seus desenhos, as figuras estão estáticas, frontais ao observador, os rostos difusos, e à volta há toda uma envolvente, um ambiente que embala a figura, às vezes como se tivesse a ser sugada por ele. Giacometti diz a Sartre que para ele a distância é desejo. Ele vai a um bar, e do outro lado da sala, estão duas prostitutas lindas, sentadas a provocá-lo. Mas ele não vai ter com elas, não porque não tem dinheiro, mas porque o desejo só existe no momento em que existe aquela distância a separá-los. O desejo daquilo que ele vê e não pode ter.
Ora, isto justifica toda a obra dele; justifica as pessoas perdidas nas florestas de riscos e justifica as estatuetas anónimas, que fazem lembrar sombras ou então silhuetas de alguém que vemos muito ao longe. Muitas destas estatuetas, que ele fez individualmente, foram só no dia da exposição, quando elas se encontravam no chão à espera de montagem, que Giacometti reparou que fariam muito mais sentido se estivessem todas juntas, dispersas, cada uma virada para seu lado. Eram como árvores duma enorme floresta, todas sozinhas, mas nenhuma isolada. Eram um enorme colectivo de singulares.
Quando concluí isto tudo, fiquei com a ideia de um Giacometti solitário que ficava encostado a um canto nas festas, a observar as pessoas mas sem ir ter com elas, alguém que via tudo de fora, porque, na verdade ,nunca se sentiu incluído. Como é normal, senti uma empatia e uma compaixão imensa que consequentemente me deixou bastante comovida.
E nunca mais o odiei, de tal forma que até é dos meus artistas preferidos.

Hannah Hunt - Vampire Weekend



Nem sequer é das minhas banda preferidas, de longe, mas esta música dos Vampire Weekend é sem dúvida uma das minhas músicas preferidas de sempre.
É aquilo a que chamo uma música visual, porque sempre que a ouço consigo ver claramente uma história a passar na minha cabeça. 
É sobre duas pessoas que estavam apaixonadas mas que a coisa acaba por não funcionar. Pensavam que o amor era eterno e durava para sempre, e que ele conhecia a Hannah Hunt, mas na verdade nem tudo é assim tão linear, as pessoas crescem/mudam/revelam-se, e nós desiludimo-nos.
Mas isto é tudo contado duma forma muito metafórica e poética, por isso isto acaba por ser a minha intrepetação da letra. Houve uma altura que fui investigar sobre ela, mas não aprofundei muito porque gosto da minha ideia e da forma que ela se materializa na minha imaginação.
Mas deixa-me sempre nostálgica e melancólica, de tal maneira que sempre que ouço esta música sozinha e me concentrar nas letras, acabo por chorar que nem uma Madalena.

Há mais coisas que me fazem chorar, mas achei que este post já estava demasiado longo e não estou energética o suficiente para escrever mais. Seja como for, isto serve para justificar e defender todos os chorões que se escondem com vergonha atrás de mangas ensopadas e cadeirões de salas de cinema - chorar não é motivo de embarasso! Pelo menos para mim, é um sinal de humanidade e de ligação emocional, seja com um anúncio da coca cola ou com uma pintura ou com um filme.
Talvez um dia escreva uma sequela a este post. Até lá, mantenham os olhos bem lavados.

Inté!


Tuesday, February 9, 2016

Controvérsia de This One Summer - Livros Banidos


This One Summer é uma das graphic novels que mais gostei até hoje, e desde que foi lançada, em 2014, já foi premiada com uma série de prémios, entre Eisner Awards ao Cadelcott Honor. Simultâneamente, foi igualmente alvo de uma série de polémicas e de críticas - especialmente por parte de pais e educadores - por ser um livro ''bastante gráfico'' e ''demasiado maturo'' para crianças.

Antes de mais, já falei desta graphic novel anteriormente aqui no blog, e já falei o quão boa esta obra é - em praticamente todos os aspectos. Não só tem ilustrações estupidamente boas, como o argumento e a história são inteligentemente bem estruturados e didácticos - mas claro que isto é uma opinião e que depende do ponto de vista.

A questão é que os livros que geralmente ganham o Caldecott Honor são livros infantis, e merecem-no pela excelência na sua ilustração - que foi a razão pela qual premiaram o This One Summer. E quando digo livros infantis, são livros que têm como público idades até aos 8 anos - This One Summer é classificado especificamente para maiores de 12. 
Agora, no belo país onde as armas são permitidas a menores e em que os adolescentes de 16 anos podem atropelar cães e velhotes, a maior parte dos progenitores e bibliotecas públicas ou escolares nem sequer abriram o livro, muito menos se informaram sobre ele antes de o adquirirem - só o fizeram porque era premiado Caldecott. Não estou a dizer que concordo que o livro seja gráfico, muito pelo contrário, mas não estou a dizer que era o livro que ia dar a um miúdo de 7 anos para ler - simplesmente porque ele não ia perceber nada.

This One Summer trata de uma fase de transição da nossa vida entre a infância e a adolescência, e as protagonistas têm 10 e 13 anos. Trata de assuntos reais, quotidianos e pessoais que vão desde problemas familiares, primeiras paixões a gravidezes indesejadas, depressões ou questões existenciais - e é mesmo por isso que é um livro excelente, porque consegue tocar em todos estes temas num único enredo, sem ser demasiado pesado ou lamechas.

No entanto, acontece que algures na Florida, mais 3 bibliotecas baniram o livro, porque uma criança o levou para casa da biblioteca da escola e a mãe ficou chocada com o conteúdo explícito que foi exposto ao filho. ''Explícito''. Esta mesma mãe, que está tão preocupada que o filho não seja exposto a livros ''explícitos'', é a mesma que o deixa andar pela biblioteca a ver o que lhe apetece, provavelmente coisas verdadeiramente explícitas.
No entanto, não concordo que a atitude mais correta seja esconder esse tipo de material das crianças. As gravidezes indesejadas, as depressões, as coisas menos agradáveis da vida são coisas que mais tarde ou mais cedo vão ser conhecidas por essas crianças e não é a fazer de conta que elas não existem que vão evitar que elas aconteçam. Não é através de séries televisivas onde ninguém trabalha, estuda, e que toda a gente passa o dia a cantar e a esbanjar dinheiro em roupa para o prom que os miúdos vão perceber do que é feita a vida, só lhes vai tornar mais doloroso o crescimento. 
Não estou a dizer que devemos criar agora todas as crianças a obrigá-las a ver as piores notícias do telejornal das 8h hàs 20h, mas a realidade é o que é e não é a escondê-la e a disfarçá-la que a tornamos melhor - só sabendo como ela verdadeiramente é, é que podemos saber como a podemos melhorar.

No entanto, eu não sou mãe, não sou professora, nem educadora e normalmente não adoro crianças, mas tenho orgulho em ser uma pessoa cheia de esperança e acredito sempre que o futuro pode ser melhor e o futuro parte delas, das crianças, por isso se podemos contribuir para um futuro melhor, porque confiar mais nelas?

Bem, já me desviei muito do assunto, mas se quiserem aprofundar esta temática dos livros banidos, a Comic Book Legal Defence tem toda informação necessária e tem andado a fazer um excelente trabalho em prol da BD como uma forma de educação e na defesa da liberdade de expressão.

E já agora,
bom Carnaval!




Wednesday, January 6, 2016

It's a Man's World - Boicote do Grand Prix de Angoulême

Détournement de la mascotte du Festival d'Angoulême, par le dessinateur Pochep Philippe (www.pochep.fr)
cartoon feito por Pochep Philippe , sátira ao Fauve, mascote do FBD Angoulême

Há uns dias, vim a saber da lista dos 30 nomeados para o Grand Prix do frstival de BD de Angoulême, devido à grande polémica que anda a correr à volta do sexismo inerente. Este prémio não é só uma das maiores honras da vida profissional de qualquer autor de BD, mas é também um enorme impacto económico e uma das maiores distinções que um artista poderá ter na sua carreira e vida. O que revolta as pessoas neste momento - não só mulheres - é o facto de nenhum destes 30 nomeados ser uma mulher. Na verdade, nestes últimos 43 anos de Grand Prix, só houve 1 mulher vencedora (Florence Cestac).

Eu tive a sorte de ter ido ao festival de Angoulême há uns anos atrás, ainda tinha uns tenros 14/15 anos. Lembro-me bem da confusão que foi, da quantidade exorbitante de oferta, das tentas infinitas, do frio!... e também me lembro das zonas de autógrafos que, para além de serem praticamente todos franco-belgas, eram praticamente - senão todos - autores masculinos. Se haviam mulheres, não as vi (eu também sou baixinha, dêem-me um desconto eheh). 
Nessa altura, o mundo da BD profissional ainda era um planeta distante para mim, e Angoulême foi uma boa experiência no que toca a acordar-me para a realidade - a competitividade e a grande quantidade de oferta que já existe e que vou ter que encarar.

Sempre tive uma ideia muito tradicional da BD franco-belga e fiquei com essa ideia mais vincada depois de voltar de Angoulême, mas fico desiludida por, no ano em que estamos, na época que estamos a viver e na realidade actual, este grande festival de referência tenha tido uma atitude tão retrógrada, sexista e quadrada. 

Mas, por outro lado, nas redes sociais e na imprensa, está a acontecer um fenómeno que nunca aconteceu antes - apesar de todos os anos os nomeados serem sempre só homens, só em 2016 é que houve uma mudança de atitude.
Muitos dos autores nomeados, entre os quais Joann Starf , Riad Sattouf, Dan Clowes e Charles Burns, estão a recusar as suas nomeações, tentando boicotar declaradamente o Grand Prix de Angoulême, como protesto perante à atitude sexista do Jurí. 


Não só fiquei comovida com a atitude honorável destes senhores, como acho que isto é um reflexo de como os tempos estão a mudar - também no mundo da BD. Muitos destes homens revogam a sua nomeação, ao mesmo tempo que nomeiam várias autoras que mereciam igual atenção por parti do Jurí.
Actualmente, como já falei várias vezes neste blog, há praticamente mais mulheres a consumir BD do que homens, o que não só é consequência e causa de haver mais mulheres a fazer BD e mais BD direccionada para um público feminino. E mesmo que não fosse assim, não faz sentido nenhum que exista esta qualificação sexista no mundo da 9ª arte. Este ano de 2015 foi um ano notável de revelações talento no sexo feminino - nos Eisner Awards, muitos dos nomes são femininos!

Qualquer das formas, a nomeação dos prémios de Angoulême deviam ser encaradas como uma boa notícia, um sinal de revolução, de modernidade e de humanidade, não pelo negativo, mas pelas reacções que estão a acontecer e pelo que elas estão a causar.

E por fim, desde a publicação dos nomeados até agora, o hashtag #womendobd, que promove as mulheres enquanto artistas de valor e talendo na BD, está cada vez mais viral. E subscrevo, não só como artista, mas como mulher e consumidora.
Inté

#WomenDoBD

PS: para continuarem a seguir esta causa, siguam o site BDEgalité