Sunday, December 13, 2015

Talco de Vidro (graphic novel)


Na semana passada, ainda na Comic Con, comprei este romance gráfico - okay, odeio este termo, vou dizer BD - esta BD do autor brasileiro Marcello Quintanilha. Nunca tinha lido nada dele, apenas tinha visto algumas pranchas expostas no festival de Beja e era daí que a minha fraca ideia do trabalho dele vinha.
Talco de Vidro conta a história duma mulher, Rosângela (nome estranho), que tem uma vida supostamente perfeita, com um emprego estável, marido ideal e duas adoráveis crianças. É uma pessoa que vive num lugar fantástico e privilegiado, aquele tipo de pessoa que toda a gente olha com admiração, mas ,ao mesmo tempo, com carinho, porque uma senhora assim, ''tão calma e tão doce'', é normal que só tenha tido tudo de bom ao longo da sua vida.
E por isso, o que seria de esperar de Rosângela seria que ela fosse, de facto, feliz e tranquila na sua vidinha de capa de revista, e assim o seria se não fosse a inveja e a insegurança que sente em relação à sua prima, uma rapariga linda ao qual a vida já não foi tão generosa. 

O narrador do livro descreve os acontecimentos e as desgraças da Rosângela como se fosse um colega de trabalho cusco, que não tem nada para fazer na vida senão comentar a dos outros: não percebemos bem a posição dele, que, apesar de ser narrador ausente, fala como se fosse a consciência da protagonista, que vai desculpando ironicamente e permanentemente todas as falhas e pensamentos pecaminosos que Rosângela vai desenvolvendo ao longo do enredo.
E digo-vos já que é AFLITIVO. O decorrer da acção é muito intenso - ao mesmo tempo que parece tudo acontece demasiado rápido, tudo vai sempre voltando atrás, em flashbacks, intensificando e evidenciando pormenores, quase que sufocando o nosso pensamento. A certa altura, eu já tinha pena da Rosângela e só me dava vontade de gritar CALA-TE! àquele narrador, que não tem papas na língua.

Mas, para além de ser bem contado, o livro também é bastante bem conseguido a nível gráfico. Adorei os desenhos e o estilo de traço que o autor decidiu adoptar, que apesar de ser um desenho com uma vertente digital bastante acentuada, não deixa de ter um traço natural e agradavelmente fluído.
É um desenho simples e directo, não tem linhas a mais nem a menos do que precisa e isso é um prazer para os meus olhos e uma característica que demonstra e reforça a qualidade do desenho.

Portanto, acho que assim concluo que foi uma leitura positiva e uma compra bem feita.
Acho que fico tentada a voltar a ler mais deste autor e posso recomendar-vos que também o façam.

Inté!






Saturday, December 12, 2015

Sobreviver à Comic Con



É verdade! Uma semana depois, venho deixar o meu testemunho do ''maior festival de cultura pop'' do país.
Muita gente, na segunda feira, me veio perguntar ''Ah e foi giro?'', e respondi sempre a mesma coisa ''Sim, sim, cansativo'', porque, na verdade, é a primeira coisa que penso quando me falam da Comic Con - cansativo.

Também estive presente na edição do ano passado (mas na altura não me apeteceu escrever nada sobre isso) e, em termos de comparação, este ano foi muito mais intenso. Não só pelo facto da área do evento ter praticamente duplicado, como também (consequentemente) teve muito mais visitantes.
As principais razões que me levam à Comic Con são ''profissionais'', vou lá pela BD e pouco mais, por isso não esperem que eu vá redigir muito sobre cosplay ou painéis de Séries - que (infelizmente) não apanhei nenhum, nem este ano nem no ano passado.

No geral, acho que foi um evento bem conseguido para aquilo que é suposto ser. Já foi a minha segunda vez e acredito que para o ano se vá repetir. Sendo assim, acho que é boa ideia ter em mente alguns tópicos, para que a próxima edição seja uma experiência ainda melhor. Assim, partilho agora com vocês um pequeno manual de sobrevivência, caso queiram aventurar-se no mundo dos geeks e da cultura pop em Matosinhos em 2016 e por em diante.



1. Evita a fila da entrada!

Apesar de ser praticamente inevitável. Se fores o tipo de pessoa cautelosa e astuta (como eu) ou simplesmente um verdadeiro fã entusiasmado (com eu também) e compraste o teu bilhete/passe com antecedência, é praticamente inevitável a fila enorme que vais ter que enfrentar para entrar no evento. Para entrarem no recinto, vão ter que trocar o bilhete/passe por uma pulseira correspondente, e esse processo no sábado de manhã é o caos. Este ano, as minhas amigas ficaram 2horas (elas cronometraram) em pé na fila, isto no sábado. Como contornar isso? É possível!
  • Hipótese 1: Se tens um passe de 3 dias, aconselho-te a ires marcar entrada na sexta - porque sexta feira, quase ninguém vai, e se fores ao fim do dia, entras quase directamente. Assim, no dia seguinte, já terás a pulseira e podes entrar directamente no evento e saltar o processo de validação da pulseira.  A maior parte das pessoas (eu) compram o passe Weekend e só vão no sábado e domingo - e depois acabam por aproveitar apenas sábado à tarde e domingo, porque sábado de manhã estão na fila.
  • Hipótese 2: És um preguiçoso e decidiste comprar o bilhete diário no dia. Não é tão má jogada quanto parece, porque estas pessoas compraram o bilhete na bilheteira do recinto, podendo logo nessa mesma bilheteira ter a pulseira, ou seja, não tiveram que ir para a fila e entraram logo no evento. Suck it losers!

2. Leva almoço

Na primeira edição, a zona de alimentação era praticamente inexistente. Haviam uns 2 ou 3 cafés Iberqualquercoisa que serviam umas mini sandes/pseudo bifanas que não justificavam o seu preço e que, inevitavelmente, tinham filas e filas enormes. Ou seja, não bastaram as 2 horas que ficaste para validar a pulseira, como vais ter que esperar mais uma para conseguir um croquete.
Este ano, a zona de restauração estava muito mais diversificada e muito melhor organizada. Mas mesmo assim, não deixa de ser caótica, e, qualquer das formas, se é para comer uma sandes, mais vale trazeres uma de casa, que podes comer a qualquer altura que te apetecer sem ter que esperar em filas, e podes usar esses 4/5euros noutra coisa, tipo um porta-chaves manhoso em forma de Totoro!
O mesmo se aplica a uma garrafinha de água ;)

3. Vai à Artist Alley

Se o que queres é boa BD, é na Artist Alley que a vais encontrar. Nos stands e nas lojas não vais encontrar coisas muito diferentes do que vês nas Fnac, apenas vão estar mais baratas, mas na Artist Alley, para além de falares pessoalmente com os autores, vais encontrar muito mais variedade e surpreendente qualidade, seja qual for o estilo que procuras. E ainda para além disso, uma banca na Artist Alley é estupidamente cara, portanto qualquer compra que faças lá é uma óptima ajuda para o artista.


4. Cuidado com as diferenças de temperatura

Apesar de estarmos em Dezembro e estar frio na rua, não te deixes iludir. Dentro da Comic Con vai estar um calor desgraçado, especialmente na zona dos stands e dos video jogos. Este ano já houve bengaleiro, portanto aconselho toda a gente a levar um casaco bem quente, para que por baixo possa ter apenas algo mais leve, e não terem que andar a transpirar o resto do dia.


5. Diverte-te!

Sim, mesmo que seja domingo e estejas super cansado/a porque não tens dormido nada de jeito no hostel, lembra-te que só vai haver mais para o ano, e nem tens a certeza se vais! - este conselho aplica-se praticamente a qualquer viagem/evento/ocasião espontânea.
No domingo, eu andei literalmente a adormecer nas mesas da zona de alimentação e a rastejar pelos corredores, mas isso não impediu que fosse ao Armazém Assombrado namoriscar com zombies (ou ser confundida por um deles) e à Portfolio Review buscar o meu trabalho e ainda assim ter tempo para dançar, tirar fotos com uma série de desconhecidos e beber 3 litros de Pleno à custa de selfies.
Se podem fazer, façam - é a regra de ouro. É sempre melhor voltar a  casa cansado, mas com imensas memórias e histórias para contar, certo?

Pronto, e por agora não me lembro de mais nada que vos possa aconselhar.
Quem foi, espero que se tenha divertido. Quem não foi, aqui têm umas dicas para o ano que vem.

Inté!