Thursday, June 11, 2015

I Kill Giants (Graphic Novel) + Festival de Beja


Não é por vontade minha (ou falta dela) que não ando a escrever nada neste blog. A verdade é que ando, como qualquer universitário nesta altura do ano, atarefada com uma data de trabalhos para fazer e pouco tempo me deixam para actividades realmente úteis, interessantes e produtivas - como escrever em blogs.

Mas no meio de tanto trabalho, suor e lágrimas, arranjei um fim de semana para ir com as minhas meninas a Beja, ao festival internacional de BD. Foi a minha 2ª ida ao festival, e foi muito melhor que a primeira, digo-vos já.
A organização está toda de parabéns. Houve uma série de novidades, entre as quais os concertos desenhados, que acho que funcionaram muito bem e trouxeram imensa vida ao festival.
É um festival de pequena dimensão, mas isso não é uma desvantagem - pelo contrário. É graças a isso que acaba por ser muito mais íntimo e confortável que as outras convenções megalómanas. Não sentimos aquele distanciamento hierárquico dos autores de BD, o que acaba por atrair várias faixas etárias e diversos tipos de gente, não só profissionais a afeccionados de BD, mas uma coisa é certa, quem ali está gosta mesmo de Banda Desenhada. Pelo menos, eu sinto isso pelo modo que as pessoas convivem, sentadas a desenhar umas com as outras, pelas famílias que vão juntas (mais os carrinhos de bebé e a avó) ver as exposições, pelos estudantes (como eu!) a mostrar diários gráficos aos seus heróis... É de facto, um ambiente super acolhedor, que recomendo vivamente a qualquer um.

E foi justamente no Festival Internacional de BD de Beja que gastei uma fortuna em BD (claro), entre os quais as Mil Tormentas de Tony Sandoval, um conjunto de fanzines brasileiras, a Entrevista do Sama e o I Kill Giants da dupla Joe Kelly e Ken Nimura.


A minha ideia era voltar a ler isto e só depois escrever alguma coisa sobre o livro, mas a verdade é que gostei tanto tanto tanto que fiquei demasiado entusiasmada e tive que escrever agora.
Li a versão portuguesa traduzida pela Kingpin, e a capa é igual a esta, só que tem o título em português por baixo do inglês. Apesar de estar em português (eu às vezes sou um bocado céptica, visto que há muitas traduções ranhosas) eu adorei.
Se calhar a razão pela qual eu gostei tanto foi por ter sido uma surpresa. Não estava certamente à espera do tipo de enredo, porque à primeira vista parece uma BD de acção, com muitas lutas e gajos de mau feito, mas acabou por ter isso e muito mais, e não da forma que eu espectava.

Não gosto de estragar o final a ninguém, mas se eu não o fizer também não posso explicar porque é que fiquei tão satisfeita com esta leitura, mas mesmo assim, vou tentar não fazê-lo. A verdade é que Barbara,de facto, luta com Gigantes. E são Gigantes enormes, horríveis, mortíferos e grotescos. Mas aquilo que está em questão não é o que ela luta, mas porquê. E será que a força que Barbara procura é apenas força física, ou há coisas que magoam mais que uma marretada?
Pronto, vou ficar por aqui.
Mas uma coisa vos digo, há coisas muito mais assustadoras que gigantes de 30 metros, e a Barbara sabe.

Recomendo-vos esta fantástica obra de arte, especialmente se gostam de chorar.