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Mensagens

A mostrar mensagens de 2015

Talco de Vidro (graphic novel)

Na semana passada, ainda na Comic Con, comprei este romance gráfico - okay, odeio este termo, vou dizer BD - esta BD do autor brasileiro Marcello Quintanilha. Nunca tinha lido nada dele, apenas tinha visto algumas pranchas expostas no festival de Beja e era daí que a minha fraca ideia do trabalho dele vinha. Talco de Vidro conta a história duma mulher, Rosângela (nome estranho), que tem uma vida supostamente perfeita, com um emprego estável, marido ideal e duas adoráveis crianças. É uma pessoa que vive num lugar fantástico e privilegiado, aquele tipo de pessoa que toda a gente olha com admiração, mas ,ao mesmo tempo, com carinho, porque uma senhora assim, ''tão calma e tão doce'', é normal que só tenha tido tudo de bom ao longo da sua vida. E por isso, o que seria de esperar de Rosângela seria que ela fosse, de facto, feliz e tranquila na sua vidinha de capa de revista, e assim o seria se não fosse a inveja e a insegurança que sente em relação à sua prima, uma rapariga…

Sobreviver à Comic Con

É verdade! Uma semana depois, venho deixar o meu testemunho do ''maior festival de cultura pop'' do país. Muita gente, na segunda feira, me veio perguntar ''Ah e foi giro?'', e respondi sempre a mesma coisa ''Sim, sim, cansativo'', porque, na verdade, é a primeira coisa que penso quando me falam da Comic Con - cansativo.
Também estive presente na edição do ano passado (mas na altura não me apeteceu escrever nada sobre isso) e, em termos de comparação, este ano foi muito mais intenso. Não só pelo facto da área do evento ter praticamente duplicado, como também (consequentemente) teve muito mais visitantes. As principais razões que me levam à Comic Con são ''profissionais'', vou lá pela BD e pouco mais, por isso não esperem que eu vá redigir muito sobre cosplay ou painéis de Séries - que (infelizmente) não apanhei nenhum, nem este ano nem no ano passado.
No geral, acho que foi um evento bem conseguido para aquilo que é supo…

Diário de Uma Menina Narcisista

Alison Bechdell, Fun Home
Hoje fiquei em casa, supostamente para fazer um trabalho teórico que tenho de entregar para a semana mas, em vez disso, achei que era muito pertinente actualizar o meu blog - é incrível como a inspiração nos atinge nas alturas menos convenientes. Para descargo de consciência, já vou a meio do trabalho e já tenho uma estrutura mais ou menos concluída mas, como tudo na minha vida, o processo de pensar e escrever é simultâneo e simbiótico, e por isso vou deixar o trabalho ir correndo à velocidade e à medida que me vou lembrando de coisas para escrever.
A razão pela qual estou a falar deste trabalho é porque é a primeira vez que escrevo sobre a minha obra enquanto autora (que não sou) de BD, melhor, é a primeira vez que escrevo especificamente sobre aquilo que me motiva e inspira a fazer BD. À primeira, quando mal me falaram da ideia, fiquei super entusiasmada, mas tal como temia, mal cheguei a casa e me sentei em frente ao computador, fiquei cerca de 15 minutos…

Giant Days (comics)

Antes de mais, é muito raro eu comprar comics em issues. Não é que tenha alguma coisa contra, mas a verdade é que nunca houve nenhum que me interessasse. Portanto, pode-se dizer que Giant Days foi uma excepção.
Giant Days é publicado pela Boom! Studios, e estava planeado ser uma série de 6 issues, mas a partir do número 4 eles mudaram de ideias e, pelo que percebi, a série vai continuar para além do nº6. É um produto duma equipa formada por John Allison (que escreve), Lissa Treiman (que desenhou) e uma colorista chamada Whitney Cogar (ah, mais o lettering de Jim Campbell) Porém, Treiman só vai cumprir a parte do contracto que lhe coube, portanto só desenhou até ao número 6 e o número 7 já vai ser desenhado por outro artista, Max Sarin. No entando, ela vai continuar a desenhar as capas de cada número (está tudo explicado aqui no tumblr dela).
Continuando, Giant Days é sobre 3 raparigas universitárias que partilham o mesmo campus e dormitório e o enredo desenrola-se sobre as peripécias…

Mãe, eu quero fazer BD! - episódio 2

No mês passado, comecei o meu 4º e último ano no curso de Pintura na Faculdade de Belas Artes. Agora já posso dizer, com segurança, que sou uma ''veterana'' (apesar de não gostar muito dessa expressão) desta Faculdade.  E apesar de ainda não ter terminado o curso, sinto que já posso fazer alguma reflexão sobre os anos que cá passei, sobre todas as alegrias e crises existenciais e sobre como cresci e mudei enquanto pessoa e ''artista''.
Muitos são os caloiros e curiosos que vêm ter comigo e perguntam ''se vale a pena ir para as Belas Artes'' e ''se Pintura é o curso certo?''. Mas a pergunta mais frequente e natural que surge de toda a gente é a clássica ''e estás a gostar do curso?'', aquela pergunta que ouço desde o primeiro dia de aulas (literalmente) e que, gradualmente, irá evoluir para ''e gostaste do curso?''. A mudança do tempo verbal não é a única, o que muda é essencialmente a pers…

Mãe, eu quero fazer BD!

Eu sou daquelas pessoas que tem a sorte de saber, desde pequenina, o que é que queria ser quando fosse grande. Apesar de ter tido algumas crises de fé e desvios ao longo do caminho, acabei sempre por voltar ao mesmo objectivo - eu quero fazer BD, quero desenhar e quero contar histórias através de desenhos. Ora, isto é tudo muito bonito e comovente para a minha avó, mas a realidade que conhecemos é que não é assim tão fácil nem poético entrar no maravilhoso mundo das artes, ainda por cima das artes ''populares'' da banda desenhada, que facilmente são colocadas no degrau mais baixo do panorama artístico. Pelo menos, era assim que sempre me foram postas as coisas.
O que acontece é que isso está a mudar, e isso tem muitas vantagens mas também algumas desvantagens.
Há pouco tempo, foi publicado no Sktchd um conjunto de estatísticas acerca da venda de Banda Desenhada baseada em questionários feitos a apenas 25 lojas de BD, de vários cantos do mundo, incluíndo o Canadá, Irla…

I Kill Giants (Graphic Novel) + Festival de Beja

Não é por vontade minha (ou falta dela) que não ando a escrever nada neste blog. A verdade é que ando, como qualquer universitário nesta altura do ano, atarefada com uma data de trabalhos para fazer e pouco tempo me deixam para actividades realmente úteis, interessantes e produtivas - como escrever em blogs.
Mas no meio de tanto trabalho, suor e lágrimas, arranjei um fim de semana para ir com as minhas meninas a Beja, ao festival internacional de BD. Foi a minha 2ª ida ao festival, e foi muito melhor que a primeira, digo-vos já. A organização está toda de parabéns. Houve uma série de novidades, entre as quais os concertos desenhados, que acho que funcionaram muito bem e trouxeram imensa vida ao festival. É um festival de pequena dimensão, mas isso não é uma desvantagem - pelo contrário. É graças a isso que acaba por ser muito mais íntimo e confortável que as outras convenções megalómanas. Não sentimos aquele distanciamento hierárquico dos autores de BD, o que acaba por atrair várias …

This One Summer (graphic novel)

Esta semana estava gastei bom dinheiro em literatura, mais precisamente nesta graphic novel ''This One Summer'', de Jillian e Mariko Tamaki.
Admito que ao início estava um bocado hesitante, não por causa dos desenhos (que são uma delícia, já agora), mas porque tinha medo de me desiludir e não gostar da história. Felizmente aconteceu o contrário, até fiquei surpreendida pela positiva.
This One Summer relata, na primeira pessoa, um verão passado na habitual casa de férias em Awago Beach, uma pequena aldeia onde a família de Rose passa as férias todos os anos. Windy, a amiga de infância de Rose que é 1 ano e meio mais nova, é quem brinca com ela durante o verão inteiro, desde sempre. Mas, este ano as coisas correm de maneira diferente. É uma história muito crua, sincera e modesta, acerca daquela altura em que deixamos de ser crianças e passamos para a adolescência. Vários problemas começam a surgir, Rose ganha consciência de outros e as coisas tornam-se tensas e a vida d…