Friday, July 11, 2014

O drama dos Arctic Monkeys no NOS Alive.

Eu tenho uns suspensórios iguais e tenho que admitir que once you go suspensórios, you never go back cinto.
Ontem fui ao Optimus NOS Alive no esgotado dia 10 de Julho, em que a cabeça de cartaz era a banda britânica Arctic Monkeys.

Estava calor e eu detesto calor porque deixo de ser uma rapariga e passo a ser uma bolha de transpiração e mau estar, mas mesmo assim estava muito animada e bem disposta e, acima de tudo, preparada para passar umas 6 horas seguidas de pé a levar encontrões, cerveja e sabe-se lá mais o quê até poder ver os gajinhos lá para a meia noite.
Pois é, porque quando gosto dos artistas só fico satisfeita quando tou lá à frente, e se ser pequenina tem vantagens, uma delas é a facilidade em furar (discretamente) multidões até conseguir um lugarzinho VIP atrás das vedações que impedem fãs histéricas de saltar para o palco. MAS, não é disso que eu vou escrever.

Sinceramente, já fui a muitos concertos e festivais mas nunca escrevi sobre nenhum. E também não sei porque é que estou e fiquei tão impressionada com o que vivi ontem, porque era o que eu já deveria estar à espera.

Para começar, a base de todo este post, a faixa etária do público no geral era entre os 13 e os 16 anos (ouch) e por mais triste e talvez ridículo que pareça, eu era a pessoa mais velha no raio de 10 m que me rodeava, sem contar com as mamãs e os papás que estavam atrás das suas princesas a impedir que os brutos dos outros meninos lhe passassem à frente ou lhes tocassem sequer <- isto é verídico: eu e a minha irmã fomos chamadas à atenção 2 vezes por uma mamã que estava a ficar chateada porque o meu ombro tocou no ombro da filha dela - drama.

E agora, aquilo que todos sabemos/falamos/etc, aquilo que é a causa/consequência da faixa etária reduzida: o facto dos Arctic Monkeys terem perdido a graça.

Há muita maltinha da minha idade e afins que defendem ser os ''verdadeiros'' fãs, seja lá o que isso for, que já gostavam deles quando eram 'bons' e não eram 'comerciais' e 'populares' e não atraiam miúdas histéricas de 14 anos que usam florzinhas na cabeça e calções da Bershka que mostram o rabo.
A verdade é que eu só os ouço 'a sério' à cerca de 1 ano, por isso se os fundamentalistas me quiserem por no mesmo pacote que as pitinhas, acho que é legítimo (?)

Isto tudo porque quando cheguei a casa, pelas 4 da manhã, fui ao Facebook enquanto o meu chá arrefecia e a maior parte daquilo que me aparecia no mural eram posts, reportagens e gente ressabiada a mandar vir com o concerto e com o que aconteceu aos Interpol.


Acontece que antes dos AM, eu e as pitinhas de 14 anos tivémos que ver as bandas anteriores, uma delas os aclamados Interpol, que como é óbvio, não é propriamente algo que se insere nos gostos e interesses musicais daquele público geral. Eu não esperava outra coisa até, visto que as bandas anteriores tinham um lado mais juvenil, pop rock e tal, o que agrada muito mais à juventude. Por isso, acho que não é de culpar o público, porque os Interpol não deram um concerto mau ou um concerto seca, como a maltinha à minha volta tanto se queixava - eles aproveitaram esse tempo para tirar muitas selfies e mandar sms aos miguxos em como estavam excitados pós AM - mas de facto não era o público certo para aquele tipo de banda. É música para um público mais maturo.
Agora, isso não tem nada haver com os AM. Não era preciso começarem a fazer comparações exageradas entre uma banda e outra só por causa do público de merda.
Acho que a única culpa é mesmo o erro de terem posto os Interpol naquele dia, com aquelas bandas. Ficariam muito melhor com os Libertines, acho.
Percebo que os AM estejam com uma febre de fama, e que todo este sucesso lhes subiu à tola *cof* Alex *cof* e que tenham deixado de ser uma banda fixe ''alternativa'' para a malta dos alargadores e agora esteja mais numa de usar gel e cantar letras todas sobre a mesma coisa. Sim, isso concordo, mas não acho bem que a maior parte da maltinha que diz mal ser aquela que ainda há uns tempos atrás os achava brutais e que eram 'boa qualidade'.



Por mais difícil que seja (para mim também), um público nem sempre define um banda, infelizmente, neste caso puder ser. Eu e muita gente esperamos que isto seja a fase pirosa de liceu dos AM e que o próximo album seja mais completo, mas também, não vou mentir e até gostei do AM.

Agora,


  1. Perderam qualidade? Talvez sim
  2. O público era medíocre? Sim
  3. Eles têm culpa disso? Não sei
  4. Apesar de tudo, diverti-me, gostei e fartei-me de dançar e caguei para estra treta toda? Completamente.
Porque apesar de tudo, era escolha minha deixar-me ser afectada ou não por toda esta situação e a verdade é que eu o bilhete custou dinheiro e eu ia ali para ver uma banda que gostava, para me divertir, e não esperei 6h de pé cheia de sede para ainda por cima mandar vir com eles.

Por isso,
Gostei do concerto.
Gostei do evento.
E agora tou com sono e vou comer.



Wednesday, July 9, 2014

Baby's in Black (graphic novel)


Para quem ainda não sabe, eu sou uma grande e devota fã da banda intemporal os Beatles, e como tal, tenho tendência a comprar muito merchandise inútil e usar tudo o que tenha o Yellow Submarine estampado.
E este livro pode ter sido ligeiramente consequência disso (ao início).
Na minha última visita à BD Mania, encontrei esta pérola escondida no meio de outras graphic novels indies, e chamou-me à atenção não só pelo tipo de desenho, mas porque percebi rapidamente que era sobre o 5º Beatle, Stuart Sutcliffe, aquele que abandonou a banda para se dedicar às artes plásticas (opa opa!).

Baby's in Black é o graphic novel de estreia de Arne Bellstorf, um ilustrador e cartoonista alemão residente em Hamburgo. Arne encontrou uma foto de Astrid Kirchherr e a partir daí a sua curiosidade pela relacção dela com os Beatles (mais propriamente o Stuart) foi crescendo e originou então esta obra.



A história passa-se na famosa viagem dos jovens Beatles (ainda desconhecidos) a Hamburgo, na Alemanha. Estamos no início dos anos 60, e os Beatles ainda eram então John, Paul, Peter(não há Ringo ainda), Stuart e o pequeno George (que ainda tinha 17 anos!). E é num clube ranhoso que Klaus, amigo de Astrid, conhece e ouve pela primeira vez a banda de Liverpool, e fica tão fascinado com a sua música e energia, que obriga Astrid a ir testemunhar por ela mesma o quão brutais eram aqueles rapazes ingleses a tocar.
E assim Astrid conhece Stuart. 
Sem querer desenvolver mais o enrredo, este livro é uma forma fácil, leve e agradável de conhecer o passado da banda, o ambiente de Hamburgo nos anos 60, o peso da arte, e acima de tudo, uma história de amor que marcou a vida de Astrid. 

Notas giras: foi Astrid que sugeriu o corte tigela aos Beatles! Foi Klaus que anos mais tarde desenhou a capa de Revolver!

Capa feita pelo Klaus Voorman, que também fez coisas para outras bandas.

Quanto aos desenhos, gostei, mas muitas vezes foi-me confuso distinguir os personagens secundários, porque os penteados e a roupa eram sempre muito identicas e não há muitas diferenças de cara para cara. Quando aos Beatles, estão bastante reconhecíveis, até mesmo sendo desenhados de forma tão simples e estilizada (isso também é parte da qualidade, acho).

Enfim, é uma boa leitura, agradável aos olhos, e para mim não é preciso ser fã dos Beatles para se gostar.

6.5/10




Para quem gosta de Beatles e de BD (como eu) há mais uma graphic novel que vos pode interessar, mas com um estilo mais americano, mais visualmente trabalhado, e que se foca na vida de Brian Epstein, o homem que acreditou nos Beatles e que os levou à fama. Curiosamente, chama-se The Fifth Beatle (lol), que é uma certa forma de homenagem que os membros da banda fizeram, porque sem este os Beatles nunca teriam sido quem eram.


Links úteis: