Saturday, May 24, 2014

Blue is the Warmest Color - Le Bleu est une Couleur Chaude (graphic novel)



Foi nesta semana passada que fui à Fnac (outra vez) e decidi gastar uns euros na versão traduzida para inglês de 'Le Bleu est une Couleur Chaude'.

Já conhecia o livro há um tempo, e não é por causa da recente adaptação ao cinema - A vida de Àdele - que tanto foi falada durante semanas, por causa da Palma d'Ouro e de tudo o resto.
O meu francês é mais defeciente que a minha tesoura para canhotos comprada no chinês, por isso só agora é li esta BD, esperei pela eventual dobragem para inglês, e entretanto vou pensando em francês...

Antes de mais, nunca vi o filme. Mas tenciono ver.
Portanto, todo este post é apenas relativo ao livro e às minhas expectativas do filme (que pelo que me parece, pelos trailers e etc, é bem mais comprido, pesado e explícito).

Le Bleu est une Couleur Chaude é um graphic novel (ou romance gráfico? mas isso soa tão mal...) escrito e desenhado por Julie Maroh, que foi publicado há uns 3 ou 4 aninhos, e que até ao estrondo do filme, não era muito conhecido.

Como já toda a gente sabe, é sobre uma relação homosexual entre duas raparigas, sendo uma delas a protagonista - Clementine - um bocado mais nova que a sua paixão Emma.
É o tipo de história que tem tudo para ser um cliché - começa com o highschool, há logo dramas com rapazes, os pais são uma seca, depressões e adolescência etc... mas no entanto, consegue ser mais que isso.
Acho que a história consegue captar as emoções devido à honestidade do enredo - a história toda enrola-se à volta de dúvidas. A história, acima de tudo, é sobre o dualidade de dúvida/certeza. Aceitação/negação. Expeculação.
A homossexualidade, que é um tema agora muito puxado e banalizado (a meu ver, atenção), foi posta noutra prespectiva, na prespectiva de alguém que luta contra ela, ao mesmo tempo que embraça.

Cleméntine é uma miúda normal, que dá a entender que teve uma infância e vida normal, e que nunca questionou a sua própria identidade porque também nunca teve necessidade - 'As raparigas namoram com rapazes'. E mesmo por isso, sentiu-se frustada e, acima de tudo, revoltadada quando começou a ter sentimentos que ela própria não reconhecia, quando um dia se cruza com uma rapariga de cabelo azul no meio da rua, daqual a sua imagem se tornou inesquecível.
Mas claro, também é um livro sobre paixão, amor, e relacções humanas, onde acompanhamos a evolução e amadurecimento da relação amorosa entre Clem e Emma.

Em termos gráficos, não é dos meus preferidos. Não sei, mas a aguarela parece-me massacrada a certo ponto, como se fosse usada da mesma maneira que um gouache, e, muitas vezes, encontra-se vestígios de anime nas expressões (e olhos) dos personagens. A anatomia não consigo perceber se é propositadamente desprocional (às vezes) ou se é falha, mas não é nada de grave ou que sobressaia muito.
Mas neste caso, os desenhos servem para suportar a história, e não o contrário.

Contudo, gostei. É o tipo de narrativas que gosto de ler, e apesar de nunca ter estado em tal situação, consigo de certa forma ligar-me às personagens e sentir a história, e quando um autor consegue isso é muito bom (para mim, é o mais importante.)

6.5/10





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