Thursday, April 3, 2014

A praxe e o traje

Se eu tivesse um traje talvez fosse tão linda como esta menina.




Supostamente este blog ia apenas servir para eu falar de banda desenhada e afins, mas acontece que eu, universitária que sou, também tenho uma opinião acerca da grande balada académica do momento - praxes e trajes académicos!


Antes de mais, não sou a favor nem contra, nem duma coisa nem doutra. Apesar de eu não trajar e de achar as praxes estúpidas, não sou anti-praxe nem ando a espalhar o ódio. Simplesmente, mantenho-me fora.

Mas parece que ultimamente as coisas andam muito intensas, e algo que até agora era tomado como uma rotina (nestes ultimos 10 anos vá), desde a tragédia do Meco que toda a gente, de repente, se lembrou como as praxes são más e horríveis e desumanas e etc. Foi preciso mais alguém morrer para começarem a considerar esta 'tradição' toda de novo.

Enfim, vou ser muito sincera.
Eu não trajo porque acho o traje uma espécie de cosplay à portuguesa, em que o pessoal gasta mais de 100 euros num fato que nem deve ser confortável, veste-o meia dúzia de vezes por ano, só para poder mostrar ao mundo que teve média para ser aceite numa universidade (ou nem isso). O traje, pelo que sei, apareceu como forma de uniforme que a malta usava na universidade e servia para nivelar todos os alunos, e não segmentar ninguem devido às suas posses ou estatuto social, mas atualmente tem uma função completamente oposta - há uma elitezinha - os que trajam, e há os que não trajam, que é o resto.
Só por aí, fiz a minha escolha.

Mas neste post, o que vai acontecer é que a minha opinião é formada à volta da minha experiência na minha faculdade, que, antes de mais, é a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, que, digam o que disserem, nunca teve tradição de traje ou praxes ou qualquer outra piroseira.

Porém, percebo que haja muitos alunos de coimbra (e fora de coimbra) que acham o traje giro, e aí não tenho nada contra.
Acima de tudo, é uma questão de liberdade - quem quer fazer que faça, quem não quer, não faça. E é aí que defendo a minha faculdade e admiro porque, ao contrário do que acontece em muitas outras, nunca fui obrigada a participar em nada, nunca fui 'gozada' nem pressionada em participar em praxes, e tive a liberdade de não querer ter nada haver com isso.
Mas isso é aqui nos artistas, não sei como é lá fora para além dos testemunhos dos meus amigos de outras faculdades.

Quando às praxes, tenho muita pena da maltinha que defende 'ah mas a praxe integra' 'ah mas é na praxe que conheces pessoas' 'ah mas tenho o direito a ser humilhado se é isso que eu quero'. Filhos, se essa é a vossa prespectiva de vida e essa é a vossa noção de dignidade, olhem, deviam começar a reconsiderar as vossas prioridades. Eu fiz muitos amigos, integrei numa lista, conheço gente de todos os cursos e quase todos os anos, e eu e muita gente conseguimos isto tudo sem termos ido às praxes. Se precisam de andar com a cara pintada a cantar músicas pimbas pelo Rossio para se sentirem integrados em seja o que for, tenho pena da vossa fraca personalidade.

Mas acho bem e acho que sim, deve haver formas de integração nas universidades, mas tem que ser praxes? Tem que ser esse tipo de coisas? Eu própria participei num pedi-paper, e foi muito divertido, mas porque é que tem de ser tudo à volta da bebida e das figuras triste em público? Mais uma vez, cada um na sua liberdade.

Por isso, apenas tenho a dizer que sim, acho a praxe um bocado parva, o traje um desperdício de dinheiro, e que como aluna em Belas-Artes, acho que quase temos obrigação de irmos mais longe do que copiar 'tradições' das outras faculdades, e reavivarmos as nossas (porque a gente tinha, metade do pessoal aqui não sabe - como por exemplo, as boinas), mas no entanto, se quiserem, façam lá as tunas (ou tubas, ainda nao percebi) façam lá os jogos, vistam o traje, mas não elevem isso ao que não é.

Inté.