Sunday, February 23, 2014

I Never Liked You (graphic novel)


Parece-me um pouco arriscado fazer uma review de um livro que é considerado um best off das graphic novels/strip comics autobiográficas, mas, mesmo assim, vou continuar ahah.

I Never Liked You, de Chester Brown, foi originalmente publicado em várias tiragens, entitulado de Fuck, e centra-se na adolescência do autor e da sua relacção constrangedora com várias personagens do sexo oposto.

É aquilo a que eu chamo o 'meu tipo de livro'. É simples, despreocupado, mas, acima de tudo, honesto. Para mim, não me parece pretencioso ou arrogante, parece exactamente aquilo que deve ser - uma memória, fragmentada, em várias strips curtas que duram no máximo 2 ou 3 páginas.

Neste tipo de livros é fácil identificarmo-nos com as personagens, ou pelo menos sentir alguma coisa em relacção a elas, seja simpatia e compreensão ou então algo mais negativo.
Eu não sou um rapaz, mas mesmo assim consegui identificar-me com este livro, não através do protagonista, mas das várias raparigas que são apresentadas.

Dá-me a entender que esta obra foi concebida à medida que o autor se ia lembrando de certas coisas, e depois ia organizando cronologicamente para fazer sentido.

Chester Brown auto-retrata-se como aquele tipo de gajo que todos nós conhecemos a certa altura da nossa vida escolar - introvertido, cínico, egoísma e de certa forma inseguro, aquele que entra mudo e sai calado e parece que secretamente odeia tudo e todos.
E ao longo do enrredo, vemos como esse adolescente enfezado se relacciona com uma série de personagens do sexo feminino, desde a Mãe até à primeira paixão do liceu. Chester tem uma enorme dificuldade em lidar com os seus próprios sentimentos, que nem ele próprio se apercebe, e tem piada ver que ao longo do livro a expressão facial do protagonista é sempre a mesma - aconteça o que acontecer, ele parece indiferente em relacção a tudo.

Continuando, o autor também não tem problemas em retratar-se com o idiota que foi, que apesar de (aparentemente) a maior parte das raparigas naquela história terem uma paixoneta nele, ele não soube encarar nenhuma delas, nem sequer a única que ele gostava.

É um livro emocionalmente leve e simples, ideal para ler à tarde quando queremos descansar.
Recomendo!

6.5/10




Links úteis:
http://en.wikipedia.org/wiki/I_Never_Liked_You
http://en.wikipedia.org/wiki/Chester_Brown





Friends With Boys (graphic novel)



Então parece que o primeiro post vai ser sobre esta graphic novel que comprei anteontem e que, infelizemente, já estou um pouco arrependida de o ter feito.

Friends With Boys, de Faith Erin Hicks, é um livro que me parecia interessante, não só porque o estilo do desenho me agradou à primeira como também parecia ter um tema divertido e/ou despreocupado. Mas foi uma desilusão.

Para começar, o estilo faz muito lembrar o Brian Lee O'Maley, os personagens têm as caras todas muito parecidas, o que geralmente não é muito bom (é um bocado monotomo não é?). Quer dizer, consegue-se ver que há uns que têm o nariz maior, ou sobrencelhas mais grossas, mas não passa disso. Se rapassemos o cabelo a todas as personagens, não iamos conseguir destinguir ninguém. Porém, no geral, as expressões e o grafismo em si é muito apelativo e bem conseguido, sem falhas anatómicas ou coisas do género. As roupas e a caracterização também são muito diversificadas, o que torna as personagens um pouco mais interessantes.

Agora o que falhou mesmo nesta leitura foi o argumento.
É aquele tipo de histórias em que estamos sempre à espera que aconteça alguma coisa, que haja algum plot twist, uma explicação, um fecho, e isso simplesmente não acontece. Parece que foi a primeira parte duma sequela, porque quando acabei, senti que a maior parte das coisas foram deixadas a meio ou por resolver, e não sei se foi má escrita do guião ou preguiça da autora. O fantasma não serve para nada, nem se percebe porque é que ele andava a seguir a malta toda. A mãe fugiu e nem se sabe porquê.
O título, Friends With Boys, leva-nos a acreditar que esse vai ser o tema central da história, quando na verdade, não é. É apenas um dos factores na vida da protagonista, Maggie. Provavelmente o objectivo da autora era retratar a prespectiva duma rapariga que foi criada por 1 pai e 3 irmãos, sem uma forte fonte feminina na família, e que, pela primeira vez na vida vai enfrentar o ensino público, mas isso apenas acabou por se tornar o pano de fundo.
A história acaba por se enrolar à volta da amizade que ela acaba por desenvolver com uma personagem altamente esteriotipada, Lucy, que por sua vez tem um irmão também altamente estereotipado, Alistair. E a partir daí, o centro da narrativa é à volta daqueles problemos típicos do 'high school', como por exemplo, aquela guerra interminável dos miúdos populares versus os 'outcasts', tipo Glee.

Talvez eu esteja a ser demasiado dura com isto tudo, mas eu não tenho muita paciência para este tipo de histórias e para este tipo de personagens e parece que ultimamente estão cada vez mais populares e banalizadas.

Quanto às personagens, tirando os irmãos que acabam por ser pouco relevantes para a história, são todos altamente previsíveis e estereotipados.
Maggie - a miuda tímida, que foi educada em casa até ao 9º ano, que por causa de ter irmãos, não gosta de coisas 'de menina', só quer encaixar na escola, etc etc;
Lucy - a punkzinha emo adorável, que é diferente das miúdas normais (uau), desbocada e constrangedora, que por um lado parece uma versão anime da Trilby the Wet Moon*;
Alistair - aquele gajo misterioso, que parece esconder um passado terrível, e que nós tentamos adivinhar ao longo do livro. Também é todo alternativo claro.
Gajos populares - que surpreendentemente, não fazem parte da equipa de futebol, mas sim de voleibol! (vá lá, ao menos isso). Mas são todos parecidos entre si, cabelo à surfista, sempre de fato de treito, giros, bons, ótarios, etc. e claro que vão implicar com a Lucy porque é isso que os populares fazem aos 'diferentes'.

Enfim, não foi o pior livro de sempre, até foi bastante mediano, já li coisas muito piores, e como já disse, o desenho safa o enrredo desinteressante e as personagens enjoativas.

4/10

*
Lucy
Trilby, de Wet Moon



Links úteis:
http://www.friendswithboys.com/
http://www.faitherinhicks.com/index.php