Sunday, November 23, 2014

Porque é que não estou entusiasmada com o filme do Paper Towns


Acho que toda a gente tem um (ou vários) guilty pleasures na sua vida. No meu caso tenho muitos, e um deles é ter lido (e a certo ponto gostado) de alguns livros do John Green.

Para quem ainda não fez a ligação, John Green é o vlogger que escreveu o famoso 'The Fault in our Stars', a a comovente história de amor entre dois adolescentes com cancro, que mais tarde deu origem a um filme ainda mais popular que o livro (que é o que acontece a maior parte das vezes).
Devo confessar que li o livro e até gostei. Tinha uma leitura descontraída e fácil, tal como eu gosto, e estava escrito do ponto de vista da personagem principal, Hazel, o que dá mais credibilidade e interesse à narrativa.
Porém, não fiquei assim tão emocionada e muito menos me vieram as às lágrimas aos olhos, como aconteceu à maior parte das raparigas (e rapazes..) que o leram.
Ao início, não sabia bem porquê, porque eu até sou bastante chorona e comovo-me com tudo e mais alguma coisa, por isso fez-me confusão ser a única pessoa imune ao livro. Mas depois de pensar um bocado sobre o assunto, apercebi-me que não era por eu não ter cancro e por isso não perceber o que é que as personagens estavam a passar, e daí não conseguir sentir metade do que elas sentiriam. Percebi que não gostava assim tanto do livro porque a história era demasiado embelezada.


Ao contrário do que muita gente acha, eu não tenho nada contra histórias de amor e romance. Até pelo contrário, adoro esse tipo de coisas. Adoro ficar comovida, adoro esperar que um dia me aconteça algo parecido, adoro fantasiar acerca disso, e adoro desenhar BD inspirada nisso. Mas mesmo por isso, é que também gosto que sejam sinceras, e que não sejam apenas chickflicks de fantasia criadas apenas para render à custa do dinheiro de uma data de raparigas e mulheres encalhadas.
O que aconteceu é que, apesar de tudo, fui ver o filme e, ao contrário do que é normal, gostei mais do filme do que do livro, isto é, da abordagem das personagens. No livro, tanto a Hazel como o Augustus são uns pretensiosos snobs que passam a vida a falar de tretas snobs e a criticar livros e tudo e todos. Estão sempre a relembrar em como têm sorte de se terem conhecido, porque eles são os únicos adolescentes decentes e cultos em toda a América. No filme, eles parecem mais humanos e normais, e têm comportamentos mais compreensíveis e humildes de alguém que tem a idade deles e vive na situação deles. Continuam a gostar de ler e de serem cultos, mas fazem isso duma maneira muito menos arrogante e irritante.

Mas, apesar de tudo, apeteceu-me ler mais livros do John Green. Comecei pelo 'Looking for Alaska'. 
Bem, é completamente diferente... ou talvez não. 
O enredo e o tema não têm nada haver: é sobre um rapaz que se apaixona por uma rapariga num colégio interno <- basicamente não há muito mais que isto - portanto, espera-se um livro completamente diferente... ou não.
A primeira coisa que notei de igual foi o facto de também estar escrito na primeira pessoa: e tudo bem até aí, nada de mal; a questão é que o rapazinho fala e pensa exactamente da mesma maneira que a Hazel do The Fault in Our Stars. Se não houvesse uma introdução no primeiro capítulo, eu não destinguiria a Hazel do Miles. Usam as mesmas expressões, falam com os mesmos maneirismos, o mesmo tipo de sarcasmo e sentido de humor, a maneira que narram a história... é um bocado pobre no que toca aos dotes literários do autor. E nesse ponto, fiquei muito desiludida.
Depois a história em si é um monte de clichés. A rapariga misteriosa, rebelde e sensual que atrai o inocente  e inseguro Miles. E depois ele apaixona-se a torto e a direito por ela e ela vai aproveitar-se disso e vai ser uma cabra ao longo do livro todo.
Mas eu li tudo.
E quando acabei, comecei outro (por esta altura, pareço uma masoquista).

Foi aí que fui ler Paper Towns. E para minha surpresa (ou talvez não), o enredo era-me bastante familiar... um rapaz inocente, tímido e inseguro apaixona-se por uma rapariga misteriosa, rebelde e sensual... espera - é igual ao Looking for Alaska.
Margo = Alaska em praticamente tudo: são as duas o esteriotipo de rapariga que todos os rapazes têm uma paixão na sua adolescência. Tirando tudo aquilo que já escrevi acima, ela é também bastante independente, surpreendente e parece que não tem noção disso. Está sempre a meter-se em sarilhos e a lixar a vida, porque a cidade onde mora é demasiado pequena para a sua grande personalidade! E como é óbvio, ela vai ser uma cabra para o Miles também. E esse coitado, vai ser um cãozinho atrás dela o tempo todo, porque o amor e admiração que ele lhe tem é muito maior que a sua fraca auto-estima.
Poupem-me.
E como eu não sou assim tão masoquista, não li mais o Paper Towns. 
Mas fui à Fnac, e estava lá o Ambundance of Katherines. Li umas páginas, a mesma coisa.

E pronto, não quero estar aqui a difamar o John Green, porque eu até gosto dele como Vlogger mas como escritor, para mim é mais uma moda, alguém que arranjou uma receita e agora é só fabricar livros atrás de livros com o mesmo tipo de história cliché que atrai adolescentes e totós como eu.
Daí não ter o minímo interesse para ao filme (e ainda por cima, a Cara Devinadashdaxn (não sei escrever o nome dela) foi escolhida para fazer de Margo e isso para mim é simplesmente... não. 
Mas eu já me conheço, e provavelmente vou ver o filme.




Saturday, November 22, 2014

In Clothes Called Fat (graphic novel)


Quando estava no secundário, tive uma fase exaustiva e obcessiva por Anime e Manga. Li muita manga, consumi muito merch de Anime e fui uma high roler de convenções nipónicas do tipo Iberanimes e Anipops.
Acontece que, tal como toda a gente previa, enjoei de todo esse mundo. Enjoei e fartei-me de tal forma que até agora, não tive vontade de voltar a pegar em nada que me fizesse ler de trás para a frente.

E agora, passados estes anos, decidi voltar a tentar ler manga, mas não podia ser outra vez manga do costume. Já chega de guinchos e gemidos de gajas de 13 anos vestidas de neko maidens e de gajos musculados efeminados, das histórias clichés que não fazem sentido e de personagens estereotipadas e previsíveis; queria encontrar algo que me voltasse a dar fé e vontade para ler manga, algo diferente.
E num dia como todos os outros, fui à BDmania e encontrei este exemplar.

In Clothes Called Fat, uma graphic novel escrita e desenhada por Moyoco Anno (uma artista multifacetada uau) aborda o tema dos distúrbios alimentares e a forma como eles influenciam a nossa vida toda - amorosa, profissional, etc...

A capa é tão deprimente e perturbadora como o seu interior, adianto já.

A história desenrola-se à volta de Noko, que é uma jovem adulta que trabalha numa empresa de sei lá o quê (não apanhei/não me lembro) e passa o tempo a ser provocada e gozada pelas colegas de trabalho devido ao facto de ser tímida, frágil e, acima de tudo, gorda. Noko namora com o mesmo homem há 8 anos, Saito, do qual ela vem a saber ter um caso amoroso com a colega mais antipática lá da empresa. 
Apesar de ter um emprego que detesta, um namorado que se aproveita dela, de passar a vida a ser provocada e humilhada, Noko não faz nada para alterar isso, porque ela assume as coisas são como são e não vale a pena fazer nada. No entando, afoga as mágoas a comer, porque quando come tudo fica bem e os seus problemas desaparecem. 
A certa altura, ela farta-se da vida que tem e passa a acreditar que só irá ser feliz quando for 'magra', quando for uma 'dessas pessoas eleitas'. Então desde o momento em que ela se inscreve numa clínica de emagrecimento até ao final do livro, Noko não só vai perder peso e massa corporal, como também perde a noção da realidade e de sentido crítico sobre ela mesma.
É um livro um bocado violento e puxado, mais por causa do argumento do que pelas imagens desenhadas.

Quanto ao desenho, o estilo está mais perto da manga da velha guarda (antes do século XXI) do que da manga actual. As personagens são muitos estilizadas e por isso às vezes torna-se um pouco difícil de as destingir ao início, mas, ao longo do livro, vamo-nos habituando ao estilo (muito próprio) da autora e torna-se muito mais fácil de separar as coisas. O desenho adequa-se ao tipo de história dramática e crua; é tudo muito áspero, angular, carregado e exagerado mas, ao mesmo tempo, simples e delicado. Às vezes até parece um bocado como um croquis, um esboço.

Mas no geral, gostei. Era mais ou menos aquilo que eu procurava em termos de 'manga alternativa' e nisso não fiquei desiludida.
Para quem gosta de drama pesado e de histórias da vida real que não acabam particularmente bem, é um livro que aconselho.


6.5/10



Friday, July 11, 2014

O drama dos Arctic Monkeys no NOS Alive.

Eu tenho uns suspensórios iguais e tenho que admitir que once you go suspensórios, you never go back cinto.
Ontem fui ao Optimus NOS Alive no esgotado dia 10 de Julho, em que a cabeça de cartaz era a banda britânica Arctic Monkeys.

Estava calor e eu detesto calor porque deixo de ser uma rapariga e passo a ser uma bolha de transpiração e mau estar, mas mesmo assim estava muito animada e bem disposta e, acima de tudo, preparada para passar umas 6 horas seguidas de pé a levar encontrões, cerveja e sabe-se lá mais o quê até poder ver os gajinhos lá para a meia noite.
Pois é, porque quando gosto dos artistas só fico satisfeita quando tou lá à frente, e se ser pequenina tem vantagens, uma delas é a facilidade em furar (discretamente) multidões até conseguir um lugarzinho VIP atrás das vedações que impedem fãs histéricas de saltar para o palco. MAS, não é disso que eu vou escrever.

Sinceramente, já fui a muitos concertos e festivais mas nunca escrevi sobre nenhum. E também não sei porque é que estou e fiquei tão impressionada com o que vivi ontem, porque era o que eu já deveria estar à espera.

Para começar, a base de todo este post, a faixa etária do público no geral era entre os 13 e os 16 anos (ouch) e por mais triste e talvez ridículo que pareça, eu era a pessoa mais velha no raio de 10 m que me rodeava, sem contar com as mamãs e os papás que estavam atrás das suas princesas a impedir que os brutos dos outros meninos lhe passassem à frente ou lhes tocassem sequer <- isto é verídico: eu e a minha irmã fomos chamadas à atenção 2 vezes por uma mamã que estava a ficar chateada porque o meu ombro tocou no ombro da filha dela - drama.

E agora, aquilo que todos sabemos/falamos/etc, aquilo que é a causa/consequência da faixa etária reduzida: o facto dos Arctic Monkeys terem perdido a graça.

Há muita maltinha da minha idade e afins que defendem ser os ''verdadeiros'' fãs, seja lá o que isso for, que já gostavam deles quando eram 'bons' e não eram 'comerciais' e 'populares' e não atraiam miúdas histéricas de 14 anos que usam florzinhas na cabeça e calções da Bershka que mostram o rabo.
A verdade é que eu só os ouço 'a sério' à cerca de 1 ano, por isso se os fundamentalistas me quiserem por no mesmo pacote que as pitinhas, acho que é legítimo (?)

Isto tudo porque quando cheguei a casa, pelas 4 da manhã, fui ao Facebook enquanto o meu chá arrefecia e a maior parte daquilo que me aparecia no mural eram posts, reportagens e gente ressabiada a mandar vir com o concerto e com o que aconteceu aos Interpol.


Acontece que antes dos AM, eu e as pitinhas de 14 anos tivémos que ver as bandas anteriores, uma delas os aclamados Interpol, que como é óbvio, não é propriamente algo que se insere nos gostos e interesses musicais daquele público geral. Eu não esperava outra coisa até, visto que as bandas anteriores tinham um lado mais juvenil, pop rock e tal, o que agrada muito mais à juventude. Por isso, acho que não é de culpar o público, porque os Interpol não deram um concerto mau ou um concerto seca, como a maltinha à minha volta tanto se queixava - eles aproveitaram esse tempo para tirar muitas selfies e mandar sms aos miguxos em como estavam excitados pós AM - mas de facto não era o público certo para aquele tipo de banda. É música para um público mais maturo.
Agora, isso não tem nada haver com os AM. Não era preciso começarem a fazer comparações exageradas entre uma banda e outra só por causa do público de merda.
Acho que a única culpa é mesmo o erro de terem posto os Interpol naquele dia, com aquelas bandas. Ficariam muito melhor com os Libertines, acho.
Percebo que os AM estejam com uma febre de fama, e que todo este sucesso lhes subiu à tola *cof* Alex *cof* e que tenham deixado de ser uma banda fixe ''alternativa'' para a malta dos alargadores e agora esteja mais numa de usar gel e cantar letras todas sobre a mesma coisa. Sim, isso concordo, mas não acho bem que a maior parte da maltinha que diz mal ser aquela que ainda há uns tempos atrás os achava brutais e que eram 'boa qualidade'.



Por mais difícil que seja (para mim também), um público nem sempre define um banda, infelizmente, neste caso puder ser. Eu e muita gente esperamos que isto seja a fase pirosa de liceu dos AM e que o próximo album seja mais completo, mas também, não vou mentir e até gostei do AM.

Agora,


  1. Perderam qualidade? Talvez sim
  2. O público era medíocre? Sim
  3. Eles têm culpa disso? Não sei
  4. Apesar de tudo, diverti-me, gostei e fartei-me de dançar e caguei para estra treta toda? Completamente.
Porque apesar de tudo, era escolha minha deixar-me ser afectada ou não por toda esta situação e a verdade é que eu o bilhete custou dinheiro e eu ia ali para ver uma banda que gostava, para me divertir, e não esperei 6h de pé cheia de sede para ainda por cima mandar vir com eles.

Por isso,
Gostei do concerto.
Gostei do evento.
E agora tou com sono e vou comer.



Wednesday, July 9, 2014

Baby's in Black (graphic novel)


Para quem ainda não sabe, eu sou uma grande e devota fã da banda intemporal os Beatles, e como tal, tenho tendência a comprar muito merchandise inútil e usar tudo o que tenha o Yellow Submarine estampado.
E este livro pode ter sido ligeiramente consequência disso (ao início).
Na minha última visita à BD Mania, encontrei esta pérola escondida no meio de outras graphic novels indies, e chamou-me à atenção não só pelo tipo de desenho, mas porque percebi rapidamente que era sobre o 5º Beatle, Stuart Sutcliffe, aquele que abandonou a banda para se dedicar às artes plásticas (opa opa!).

Baby's in Black é o graphic novel de estreia de Arne Bellstorf, um ilustrador e cartoonista alemão residente em Hamburgo. Arne encontrou uma foto de Astrid Kirchherr e a partir daí a sua curiosidade pela relacção dela com os Beatles (mais propriamente o Stuart) foi crescendo e originou então esta obra.



A história passa-se na famosa viagem dos jovens Beatles (ainda desconhecidos) a Hamburgo, na Alemanha. Estamos no início dos anos 60, e os Beatles ainda eram então John, Paul, Peter(não há Ringo ainda), Stuart e o pequeno George (que ainda tinha 17 anos!). E é num clube ranhoso que Klaus, amigo de Astrid, conhece e ouve pela primeira vez a banda de Liverpool, e fica tão fascinado com a sua música e energia, que obriga Astrid a ir testemunhar por ela mesma o quão brutais eram aqueles rapazes ingleses a tocar.
E assim Astrid conhece Stuart. 
Sem querer desenvolver mais o enrredo, este livro é uma forma fácil, leve e agradável de conhecer o passado da banda, o ambiente de Hamburgo nos anos 60, o peso da arte, e acima de tudo, uma história de amor que marcou a vida de Astrid. 

Notas giras: foi Astrid que sugeriu o corte tigela aos Beatles! Foi Klaus que anos mais tarde desenhou a capa de Revolver!

Capa feita pelo Klaus Voorman, que também fez coisas para outras bandas.

Quanto aos desenhos, gostei, mas muitas vezes foi-me confuso distinguir os personagens secundários, porque os penteados e a roupa eram sempre muito identicas e não há muitas diferenças de cara para cara. Quando aos Beatles, estão bastante reconhecíveis, até mesmo sendo desenhados de forma tão simples e estilizada (isso também é parte da qualidade, acho).

Enfim, é uma boa leitura, agradável aos olhos, e para mim não é preciso ser fã dos Beatles para se gostar.

6.5/10




Para quem gosta de Beatles e de BD (como eu) há mais uma graphic novel que vos pode interessar, mas com um estilo mais americano, mais visualmente trabalhado, e que se foca na vida de Brian Epstein, o homem que acreditou nos Beatles e que os levou à fama. Curiosamente, chama-se The Fifth Beatle (lol), que é uma certa forma de homenagem que os membros da banda fizeram, porque sem este os Beatles nunca teriam sido quem eram.


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Saturday, May 24, 2014

Blue is the Warmest Color - Le Bleu est une Couleur Chaude (graphic novel)



Foi nesta semana passada que fui à Fnac (outra vez) e decidi gastar uns euros na versão traduzida para inglês de 'Le Bleu est une Couleur Chaude'.

Já conhecia o livro há um tempo, e não é por causa da recente adaptação ao cinema - A vida de Àdele - que tanto foi falada durante semanas, por causa da Palma d'Ouro e de tudo o resto.
O meu francês é mais defeciente que a minha tesoura para canhotos comprada no chinês, por isso só agora é li esta BD, esperei pela eventual dobragem para inglês, e entretanto vou pensando em francês...

Antes de mais, nunca vi o filme. Mas tenciono ver.
Portanto, todo este post é apenas relativo ao livro e às minhas expectativas do filme (que pelo que me parece, pelos trailers e etc, é bem mais comprido, pesado e explícito).

Le Bleu est une Couleur Chaude é um graphic novel (ou romance gráfico? mas isso soa tão mal...) escrito e desenhado por Julie Maroh, que foi publicado há uns 3 ou 4 aninhos, e que até ao estrondo do filme, não era muito conhecido.

Como já toda a gente sabe, é sobre uma relação homosexual entre duas raparigas, sendo uma delas a protagonista - Clementine - um bocado mais nova que a sua paixão Emma.
É o tipo de história que tem tudo para ser um cliché - começa com o highschool, há logo dramas com rapazes, os pais são uma seca, depressões e adolescência etc... mas no entanto, consegue ser mais que isso.
Acho que a história consegue captar as emoções devido à honestidade do enredo - a história toda enrola-se à volta de dúvidas. A história, acima de tudo, é sobre o dualidade de dúvida/certeza. Aceitação/negação. Expeculação.
A homossexualidade, que é um tema agora muito puxado e banalizado (a meu ver, atenção), foi posta noutra prespectiva, na prespectiva de alguém que luta contra ela, ao mesmo tempo que embraça.

Cleméntine é uma miúda normal, que dá a entender que teve uma infância e vida normal, e que nunca questionou a sua própria identidade porque também nunca teve necessidade - 'As raparigas namoram com rapazes'. E mesmo por isso, sentiu-se frustada e, acima de tudo, revoltadada quando começou a ter sentimentos que ela própria não reconhecia, quando um dia se cruza com uma rapariga de cabelo azul no meio da rua, daqual a sua imagem se tornou inesquecível.
Mas claro, também é um livro sobre paixão, amor, e relacções humanas, onde acompanhamos a evolução e amadurecimento da relação amorosa entre Clem e Emma.

Em termos gráficos, não é dos meus preferidos. Não sei, mas a aguarela parece-me massacrada a certo ponto, como se fosse usada da mesma maneira que um gouache, e, muitas vezes, encontra-se vestígios de anime nas expressões (e olhos) dos personagens. A anatomia não consigo perceber se é propositadamente desprocional (às vezes) ou se é falha, mas não é nada de grave ou que sobressaia muito.
Mas neste caso, os desenhos servem para suportar a história, e não o contrário.

Contudo, gostei. É o tipo de narrativas que gosto de ler, e apesar de nunca ter estado em tal situação, consigo de certa forma ligar-me às personagens e sentir a história, e quando um autor consegue isso é muito bom (para mim, é o mais importante.)

6.5/10





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Thursday, April 3, 2014

A praxe e o traje

Se eu tivesse um traje talvez fosse tão linda como esta menina.




Supostamente este blog ia apenas servir para eu falar de banda desenhada e afins, mas acontece que eu, universitária que sou, também tenho uma opinião acerca da grande balada académica do momento - praxes e trajes académicos!


Antes de mais, não sou a favor nem contra, nem duma coisa nem doutra. Apesar de eu não trajar e de achar as praxes estúpidas, não sou anti-praxe nem ando a espalhar o ódio. Simplesmente, mantenho-me fora.

Mas parece que ultimamente as coisas andam muito intensas, e algo que até agora era tomado como uma rotina (nestes ultimos 10 anos vá), desde a tragédia do Meco que toda a gente, de repente, se lembrou como as praxes são más e horríveis e desumanas e etc. Foi preciso mais alguém morrer para começarem a considerar esta 'tradição' toda de novo.

Enfim, vou ser muito sincera.
Eu não trajo porque acho o traje uma espécie de cosplay à portuguesa, em que o pessoal gasta mais de 100 euros num fato que nem deve ser confortável, veste-o meia dúzia de vezes por ano, só para poder mostrar ao mundo que teve média para ser aceite numa universidade (ou nem isso). O traje, pelo que sei, apareceu como forma de uniforme que a malta usava na universidade e servia para nivelar todos os alunos, e não segmentar ninguem devido às suas posses ou estatuto social, mas atualmente tem uma função completamente oposta - há uma elitezinha - os que trajam, e há os que não trajam, que é o resto.
Só por aí, fiz a minha escolha.

Mas neste post, o que vai acontecer é que a minha opinião é formada à volta da minha experiência na minha faculdade, que, antes de mais, é a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, que, digam o que disserem, nunca teve tradição de traje ou praxes ou qualquer outra piroseira.

Porém, percebo que haja muitos alunos de coimbra (e fora de coimbra) que acham o traje giro, e aí não tenho nada contra.
Acima de tudo, é uma questão de liberdade - quem quer fazer que faça, quem não quer, não faça. E é aí que defendo a minha faculdade e admiro porque, ao contrário do que acontece em muitas outras, nunca fui obrigada a participar em nada, nunca fui 'gozada' nem pressionada em participar em praxes, e tive a liberdade de não querer ter nada haver com isso.
Mas isso é aqui nos artistas, não sei como é lá fora para além dos testemunhos dos meus amigos de outras faculdades.

Quando às praxes, tenho muita pena da maltinha que defende 'ah mas a praxe integra' 'ah mas é na praxe que conheces pessoas' 'ah mas tenho o direito a ser humilhado se é isso que eu quero'. Filhos, se essa é a vossa prespectiva de vida e essa é a vossa noção de dignidade, olhem, deviam começar a reconsiderar as vossas prioridades. Eu fiz muitos amigos, integrei numa lista, conheço gente de todos os cursos e quase todos os anos, e eu e muita gente conseguimos isto tudo sem termos ido às praxes. Se precisam de andar com a cara pintada a cantar músicas pimbas pelo Rossio para se sentirem integrados em seja o que for, tenho pena da vossa fraca personalidade.

Mas acho bem e acho que sim, deve haver formas de integração nas universidades, mas tem que ser praxes? Tem que ser esse tipo de coisas? Eu própria participei num pedi-paper, e foi muito divertido, mas porque é que tem de ser tudo à volta da bebida e das figuras triste em público? Mais uma vez, cada um na sua liberdade.

Por isso, apenas tenho a dizer que sim, acho a praxe um bocado parva, o traje um desperdício de dinheiro, e que como aluna em Belas-Artes, acho que quase temos obrigação de irmos mais longe do que copiar 'tradições' das outras faculdades, e reavivarmos as nossas (porque a gente tinha, metade do pessoal aqui não sabe - como por exemplo, as boinas), mas no entanto, se quiserem, façam lá as tunas (ou tubas, ainda nao percebi) façam lá os jogos, vistam o traje, mas não elevem isso ao que não é.

Inté.







Sunday, March 23, 2014

Scott Pilgrim vs O (tão criticado) Filme


Scott Pilgrim vs The World é uma série de 6 comics de Brian Lee O'Maley, e é, sem dúvida, uma das minhas séries preferidas e das que me deu mais gozo ler.
Não só é um conjunto de livros como também tem um filme, com o mesmo nome, e tal como todos os filmes que são feitos a partir de livros/jogos/comics/etc, é alvo de imensas críticas e insultos.

Eu fiz este post não pra criticar ou falar mal, mas para comparar e tentar mais ou menos explicar porque é que gosto imenso de tanto uma versão como a outra.

Em primeiro lugar, tal como é de esperar, o enredo do filme não é completamente igual. Okay, no geral é mais ou menos a mesma coisa, acaba e começa da mesma maneira, mas o desenvolvimento é bastante destorcido e empacotado numa longa metragem de hora e meia, o que é compreensível visto que se fizessem a história toda integralmente, o filme tinha que ter umas 6 horas. O filme foi feito antes de terem acabado a série dos comics, o que justifica que o final da banda desenhada não seja completamente igual ao do do filme e o que acontece um pouco antes também não; quero dizer, justifica todo o argumento do filme.
Há pequenas coisas no argumento do filme que, não considerando más, fogem um bocado ao original, como a relacção do Scott com a chinesa psicótica aka Knives Chau e a personalidade da gaja boa alternativa aka Ramona.
Enquanto no filme a Knives é psicótica até ao desfecho, no livro ela emadurece. Aqueles jogos de vídeo que eles jogavam no filme, nunca aconteceram no livro. E é praticamente isso só.
Quando à Ramona, ela no filme é perfeita, e os poucos defeitos que ela possa ter são completamente ignorados por toda a gente, porque a atitude de femme fatalle durona supera qualquer falha de personalidade. No livro, nem tanto. É uma bêbeda e muitas vezes gosta de se fazer de rainha do drama, logo após de se embebedar; desaparece para não sei onde sem avisar; tem bastantes breakdowns. Credo.

 ´

Depois há aquelas personagens suprimidas, como o pai da Knives, que pronto okay, não é essencial, mas, especialmente, a Lisa. A Lisa, que até tem 2 ou 3 capítulos para ela, é completamente ignorada no filme. Não existe sequer.

Com menos importância, também há aquelas situações no filme em que as personagens ou acções foram alteradas ou fundidas com outras. Confuso? Olhem, por exemplo:


Esta cena do filme, em que a Ramona tem a luta épica contra a Roxy, na verdade, no libro nunca aconteceu. Algumas das falas, nomeadamente aquelas tão conhecidas sobre o ponto secreto atrás do joelho, são retiradas da luta entre Ramona e a... Envy Adams, que acontece no livro, enquanto no filme, é já o Scott e a Roxy.

Estas são as maiores diferenças que consigo encontrar no filme, mas isso não me impediu de gostar imenso dele na mesma. Porquê?

Acho que não havia melhor escolha para os actores, especialmente a Julie. Se a Julie existisse, seria a Audrey Plaza. Todos os outros personagens, estão fantásticos também.
Agora o que torna o filme interessante é a forma como é dinamico e a maneira que foi editado. É fixe como o realizador tentou manter o espírito da banda desenhada, notando assim montes de efeitos alusivos à linguagem dos comics durante o filme. Acho que conseguiu também preservar o humor sarcástico e idiota do Brian Lee O'Maley, porque tive vontade de rir em muitas cenas, especialmente naquelas que eram obviamente transcritas dos livros quase à letra.

A maior parte das pessoas que conheci gosta muito de mandar vir com o filme, com o Michael Cera, e como já falei acima, do enredo. Mas eu justifico tudo da mesma maneira, e mesmo apesar das falhas, admito que gosto imenso do filme.

Acho que tanto um como o outro são prespectivas diferentes da mesma história, e tanto um como outro, são bastante aconselháveis.


Links úteis:
http://projectc.net/scottpilgrim/site.html


Saturday, March 22, 2014

The Nao of Brown (graphic novel)


Quinta feira à tarde tive um ataque misto de ansiedade/nervosismo, e como sempre faço nessas situações, fui às compras. E como tenho a sorte de ter uma fnac perto de mim, foi lá que fui primeiro e também foi lá que desencantei este fantástico livro, edição de capa dura, com mais ou menos 200 páginas de puro prazer visual.

The Nao of Brown é uma graphic novel de Glyn Dillon, que é curiosamente amigo de Jamie Hewllett, o artista e cartoonista por detrás da Tank Girl e dos Gorillaz (o que faz dele um Deus com um lápis na mão).

O enredo é focado na protagonista, Nao, 28 anos, que se descreve a si própria como uma hafu - meia inglesa meia japonesa - que sofre de OCD, mas não é apenas aquela OCD de estar sempre a limpar tudo e a organizar fanáticamente e obcecadamente as massassinhas de letras na canja de galinha; ela tem pensamentos terríveis, macrabos e criminosos, que consequentemente dão-lhe vontade de cometer coisas que ela própria e qualquer pessoa ou autoridade policial condenaria.
Ela vive constantemente escrava dos seus rituais mentais, ao mesmo tempo que frequenta o grupo de budistas ali da zona, numa tentativa mais ou menos sucedida de controlar a sua anxiedade e pensamentos sociopatas. 
Tem uma paixão enorme por anime de culto e brinquedos de vinil, e sonha um dia ela também poder ser ilustradora e conceber os seus próprios brinquedos.
Tudo se intensifica quando ela se apaixona por um homem alcoolico que faz reparações a máquinas de lavar, e ele próprio também tem os seus demónios.

Não quero contar a história toda, apenas digo que gostei, apesar de sentir que vou ter de ler outra vez, porque sinto que ainda não assimilei tudo.

Há várias coisas que me fizeram lembrar do filme da Amélie; a personalidade da Nao (tirando os problemas sociopatas..), a maneira como ela analiza a realidade e o mundo à volta dela, a relacção com o interesse amoroso, até certas expressões faciais... talvez seja porque o tema e a 'lição' acabem por ser os mesmos: pessoas introvertidas e/ou com dificuldades em lidar com a realidade ultrapassam os seus problemas e vencem os seus medos.

Eu acho isso bonito e inspirador, talvez porque me relacciono facilmente. 

Quando à arte e aos desenhos, para mim é o suficiente para ler o livro.
Não consigo apontar um único defeito, tudo e tão delicado e ao mesmo tempo tão expressivo. Tem a quantidade necessária de linhas, e as cores são suaves e a marcação da luz tão bem conseguida, o que resulta num desenho muito leve e luminoso. 
É difícil não ficar com vontade de desenhar depois de olhar para eles durante tanto tempo.

Enfim, acho que foi uma leitura bastante positiva e recomendo a todas as pessoas que gostem de histórias sobre sentimentos e complicações humanas, ou para quem gosta de coisas bem desenhas.

9/10


''The artwork makes me jealous, the storytelling makes me even more jealous and the watercolour painting just pisses me off.'' 
Jamie Hewlett sobre The Nao of Brown








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Sunday, February 23, 2014

I Never Liked You (graphic novel)


Parece-me um pouco arriscado fazer uma review de um livro que é considerado um best off das graphic novels/strip comics autobiográficas, mas, mesmo assim, vou continuar ahah.

I Never Liked You, de Chester Brown, foi originalmente publicado em várias tiragens, entitulado de Fuck, e centra-se na adolescência do autor e da sua relacção constrangedora com várias personagens do sexo oposto.

É aquilo a que eu chamo o 'meu tipo de livro'. É simples, despreocupado, mas, acima de tudo, honesto. Para mim, não me parece pretencioso ou arrogante, parece exactamente aquilo que deve ser - uma memória, fragmentada, em várias strips curtas que duram no máximo 2 ou 3 páginas.

Neste tipo de livros é fácil identificarmo-nos com as personagens, ou pelo menos sentir alguma coisa em relacção a elas, seja simpatia e compreensão ou então algo mais negativo.
Eu não sou um rapaz, mas mesmo assim consegui identificar-me com este livro, não através do protagonista, mas das várias raparigas que são apresentadas.

Dá-me a entender que esta obra foi concebida à medida que o autor se ia lembrando de certas coisas, e depois ia organizando cronologicamente para fazer sentido.

Chester Brown auto-retrata-se como aquele tipo de gajo que todos nós conhecemos a certa altura da nossa vida escolar - introvertido, cínico, egoísma e de certa forma inseguro, aquele que entra mudo e sai calado e parece que secretamente odeia tudo e todos.
E ao longo do enrredo, vemos como esse adolescente enfezado se relacciona com uma série de personagens do sexo feminino, desde a Mãe até à primeira paixão do liceu. Chester tem uma enorme dificuldade em lidar com os seus próprios sentimentos, que nem ele próprio se apercebe, e tem piada ver que ao longo do livro a expressão facial do protagonista é sempre a mesma - aconteça o que acontecer, ele parece indiferente em relacção a tudo.

Continuando, o autor também não tem problemas em retratar-se com o idiota que foi, que apesar de (aparentemente) a maior parte das raparigas naquela história terem uma paixoneta nele, ele não soube encarar nenhuma delas, nem sequer a única que ele gostava.

É um livro emocionalmente leve e simples, ideal para ler à tarde quando queremos descansar.
Recomendo!

6.5/10




Links úteis:
http://en.wikipedia.org/wiki/I_Never_Liked_You
http://en.wikipedia.org/wiki/Chester_Brown





Friends With Boys (graphic novel)



Então parece que o primeiro post vai ser sobre esta graphic novel que comprei anteontem e que, infelizemente, já estou um pouco arrependida de o ter feito.

Friends With Boys, de Faith Erin Hicks, é um livro que me parecia interessante, não só porque o estilo do desenho me agradou à primeira como também parecia ter um tema divertido e/ou despreocupado. Mas foi uma desilusão.

Para começar, o estilo faz muito lembrar o Brian Lee O'Maley, os personagens têm as caras todas muito parecidas, o que geralmente não é muito bom (é um bocado monotomo não é?). Quer dizer, consegue-se ver que há uns que têm o nariz maior, ou sobrencelhas mais grossas, mas não passa disso. Se rapassemos o cabelo a todas as personagens, não iamos conseguir destinguir ninguém. Porém, no geral, as expressões e o grafismo em si é muito apelativo e bem conseguido, sem falhas anatómicas ou coisas do género. As roupas e a caracterização também são muito diversificadas, o que torna as personagens um pouco mais interessantes.

Agora o que falhou mesmo nesta leitura foi o argumento.
É aquele tipo de histórias em que estamos sempre à espera que aconteça alguma coisa, que haja algum plot twist, uma explicação, um fecho, e isso simplesmente não acontece. Parece que foi a primeira parte duma sequela, porque quando acabei, senti que a maior parte das coisas foram deixadas a meio ou por resolver, e não sei se foi má escrita do guião ou preguiça da autora. O fantasma não serve para nada, nem se percebe porque é que ele andava a seguir a malta toda. A mãe fugiu e nem se sabe porquê.
O título, Friends With Boys, leva-nos a acreditar que esse vai ser o tema central da história, quando na verdade, não é. É apenas um dos factores na vida da protagonista, Maggie. Provavelmente o objectivo da autora era retratar a prespectiva duma rapariga que foi criada por 1 pai e 3 irmãos, sem uma forte fonte feminina na família, e que, pela primeira vez na vida vai enfrentar o ensino público, mas isso apenas acabou por se tornar o pano de fundo.
A história acaba por se enrolar à volta da amizade que ela acaba por desenvolver com uma personagem altamente esteriotipada, Lucy, que por sua vez tem um irmão também altamente estereotipado, Alistair. E a partir daí, o centro da narrativa é à volta daqueles problemos típicos do 'high school', como por exemplo, aquela guerra interminável dos miúdos populares versus os 'outcasts', tipo Glee.

Talvez eu esteja a ser demasiado dura com isto tudo, mas eu não tenho muita paciência para este tipo de histórias e para este tipo de personagens e parece que ultimamente estão cada vez mais populares e banalizadas.

Quanto às personagens, tirando os irmãos que acabam por ser pouco relevantes para a história, são todos altamente previsíveis e estereotipados.
Maggie - a miuda tímida, que foi educada em casa até ao 9º ano, que por causa de ter irmãos, não gosta de coisas 'de menina', só quer encaixar na escola, etc etc;
Lucy - a punkzinha emo adorável, que é diferente das miúdas normais (uau), desbocada e constrangedora, que por um lado parece uma versão anime da Trilby the Wet Moon*;
Alistair - aquele gajo misterioso, que parece esconder um passado terrível, e que nós tentamos adivinhar ao longo do livro. Também é todo alternativo claro.
Gajos populares - que surpreendentemente, não fazem parte da equipa de futebol, mas sim de voleibol! (vá lá, ao menos isso). Mas são todos parecidos entre si, cabelo à surfista, sempre de fato de treito, giros, bons, ótarios, etc. e claro que vão implicar com a Lucy porque é isso que os populares fazem aos 'diferentes'.

Enfim, não foi o pior livro de sempre, até foi bastante mediano, já li coisas muito piores, e como já disse, o desenho safa o enrredo desinteressante e as personagens enjoativas.

4/10

*
Lucy
Trilby, de Wet Moon



Links úteis:
http://www.friendswithboys.com/
http://www.faitherinhicks.com/index.php