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Recentemente:

O Atelier da Noite / Breakfast at Tiffany's

Anteontem de manhã, vi pela primeira vez aos vinte cinco anos, Breakfast at Tiffany's, com Audrey Hepburn, ou a Boneca de Luxo, como é conhecido em Portugal.
Parece-me quase escusado falarmos deste filme; é quase como fazer um ensaio na faculdade para a cadeira de Pintura sobre o Guernica do Picasso. Não estou a comparar o filme à obra-prima da pintura, nem o Picasso a Audrey Hepburn (ou a Truman Capote, se a comparação for justa), mas é aquele tipo de coisa que já foi tão falada, dissecada e analisada que, sinceramente, não sei que mais se poderá dizer, que mais se poderá acrescentar que contribua para este tópico.

Enfim, vou então antes começar pelo livro que também li nestes últimos dias aqui fechada. É um livro que saiu este ano, 2020, e que terminei ontem à noite, antes de adormecer. Comprei o livro na Fnac mesmo antes disto tudo.

Chama-se o Atelier da Noite, de Ana Teresa Pereira, publicado pela Relógio D'Água. É um livrito que deve ser lido (quase) de uma vez, como se …
Mensagens recentes

Seth - It's A Good Life if You Don't Weaken

Este post foi escrito pela autora convidada, Twiggy, o cãozinho, que devido à sua popularidade e a pedidos de muitas famílias, volta a presentear-nos com esta resenha.


It's a Good Life if You Don't Weaken é uma graphic novel de Seth publicada em 1996, cujo a tradução directa resulta em qualquer coisa como "Seria um bom livro se não fosse uma SECA". Sim, nem tenho qualquer pudor em dizê-lo, mesmo sendo daquelas "obras" altamente consagradas e premiadas, editada pela Drawn & Quarterly e tudo, ainda com não-sei-quantas edições em diferentes línguas. Isso, no entanto, não impede que seja este um livro narcisista, egocêntrico e consequentemente desinteressante, mesmo que tenha tudo para ser o contrário.  A Joana disse-me: "contextualiza!" e eu respondo, como assim? Contextualizar, em que sentido? Temporalmente? Porque até isso é dúbio: esta novela gráfica, autobiográfica, é passada nos anos 80, narrada, desenhada e escrita por um tipo que se veste c…

Grilo Falante #7 - Patrícia Furtado

A convidada de hoje é ilustradora e conseguem ver as suas ilustrações em diversos formatos, plataformas, para diferentes públicos e idades. Hoje, Patrícia Furtado escreve-nos sobre um livro de banda desenhada. Aqui seguem as suas palavras sobre Jim Henson's Tale of Sand.




Tenho uma maneira muito particular de apreciar banda desenhada e, confesso, ainda não li alguns dos meus livros preferidos. Coleciono-os, namoro-os, demoro-me a folheá-los, examino as páginas, as imagens, as cores, guardo-os e volto a tirá-los da prateleira. Eventualmente, também os leio, do princípio ao fim. Com tempo. Não é que desvalorize o argumento em relação à arte, afinal aqueles desenhos estão ali porque foram primeiro escritos daquele modo. Mas, por alguma razão, gosto de os saborear assim, de modo fragmentado, como um filme que apanhamos várias vezes a meio, até ao dia em que o vemos todo, de uma assentada.
Isto para dizer que, quando a Mosi me pediu para falar de um livro, pensei logo no maravilhoso “Ji…

Why Art? - Reflectir sobre o processo e o acto criativo

"If the thing we call 'the arts' has a biological function, what is it?"
É a pergunta que Lynda Barry repete ao longo de "Syllabus, Notes from a accidental professor", o livro publicado pela Drawn and Quarterly que compila uma série de anotações, reflexões e exercícios das suas aulas e dos seus pensamentos individuais.
Por diversas razões, sejam elas exteriores ou interiores, a pergunta existencial que recai no "porque é que eu faço isto" cada vez tem mais pesa na minha consciência. Quando falo de mim, creio que falo pelos milhares de milhões de pessoas que reflectem sobre isto diariamente: qual é, na verdade, a necessidade de fazer coisas?  Comer, dormir, andar, ir ao supermercado, passar um recibo, comprar uma casa, fazer exercício, são tudo coisas que fazemos e que conseguimos encontrar uma resposta, mais ou menos lógica, muito ou pouco emocional, que justifica a acção e actividade que nos comprometemos a fazer. Eu vou ao supermercado porque pr…

Grilo Falante #6 - Twiggy

A Twiggy é o cãozinho refilão com quem partilho casa há quase 13 anos. Como qualquer cãozinho, a Twiggy adora invadir o meu quarto e espatifar coisas. O livro sobre o qual ela escreveu foi o que tentou roer mais vezes.


Eu não gosto de banda desenhada.
Nunca gostei, mas fui obrigada a viver com ela, por várias razões óbvias.
Mesmo assim, fui proposta à última hora que escrevesse uns poucos parágrafos sobre um livro de BD ou ilustração que me tivesse marcado. Ora, ao contrário dos outros convidados, não me ocorreu nenhum exemplo que me tivesse marcado pela positiva. Muito pelo contrário, lembrei-me do terror que é Fruits Basket, de Natsuki Takaya, nesta edição em inglês da Tokyopop.
A Joana (ou Mosi, como lhe chamam) comprou demasiados mangas shoujo entre 2008 e 2012, e Fruits Basket foi uma das colecções em que ela chegou a comprar mais de 10 números. Eram 18, na verdade. Porque é que ela parou? Não me disse, mas por mim, podia ter ficado pelo 1º - e vou explicar já porquê.

Fruits Baske…

Dockwood - Jon MacNaught

Este passado fim de semana, 9 e 10 de Março, estive na quarta edição do festival CoimbraBD. Na viagem de regresso ao sul, li Dockwood de Jon MacNaught, que comprei na banca da Bruaá.
Já conhecia, mais ou menos, o trabalho do Jon McNaught, e já tinha visto este livro na Fnac e na Bertrand. As edições da Nobrow sempre me chamaram à atenção, e este exemplo não se escapa: a lombada é de tecido, a capa é rígida, tipo cartão, com textura de papel de desenho. O preto e o laranja são vibrantes e o padrão hipnotizante. Enfim - sensações que também tive com o Geis, por exemplo, e que são causadas não só pelo trabalho incrível destes artistas, mas também porque a editora sabe realçar muito bem as qualidades dos mesmos.

Mas falemos só deste.

O livro está dividido em duas partes, duas histórias sobre o Outono. A primeira coisa que uma pessoa nota quando abre o livro são as grelhas nas quais são organizados os quadradinhos na prancha - duma forma quase geométrica e obsessiva. No entanto, o estilo,…

Grilo Falante #5 - André Pereira

No ano passado, eu e o André fomos ao festival de banda desenhada norte americano Small Press Expo, onde partilhámos uma banca e eu dirigi um workshop. No meio disso, conhecemos pessoalmente a Ivy Atoms, que é a autora do livro que o André escolheu para esta rubrica.


Comecei a pôr likes nos desenhos da Ivy Atoms em 2012; tropecei nela por acaso, acho que no Tumblr,  onde lhe fiz follow imediatamente; dali segui-a até umas outras quantas redes sociais, onde ainda hoje a acompanho.
Impedido pelo Oceano Atlântico de viajar até à costa Oeste americana para folhear em pessoa os zines com que a Ivy ia enchendo bancas em pequenos eventos de edição independente, convenções de anime e encontros de furries, e incapaz de cobrir o preço de transporte exigido para a importação da mercadoria para a Europa, fui acompanhando, do meu galinheiro digital, o desfile de meninas-mágicas e cadelinhas chorosas que a Ivy ia despejando nos seus murais, a par com umas bonecas de edição limitada que, compradas a…