Tuesday, September 12, 2017

A Taste of Chlorine - Bastien Vivès (graphic novel)



Vim quebrar o meu longo silêncio ao fim destes meses para falar de uma das minhas últimas leituras, A Taste of Chlorine, do Bastien Vivés.
Escrevi o título em inglês porque li a tradução, é assim que está escrito na capa, mas o nome original é Le goût du chlore.
Como sabem, por alguma razão que não sei qual é, não há muita coisa do Bastien Vivès traduzida para português, ou seja, por alguma razão que também não sei qual é, não costumo encontrar livros dele nas livrarias lisboetas. Uma pessoa erradamente assume que, lá por ele ser um autor premiado e mais não sei quê, que facilmente conseguimos encontrar um exemplar do seu trabalho, mas tem sido difícil.

Felizmente e recentemente, Polina foi editada pela Levoir, dentro da colecção do jornal Público, cuidadosamente em simultâneo com a estreia do homónimo filme, o que finalmente me deu a possibilidade de comprar o livro.
Não sei bem qual era a minha obsessão em ler aquilo. Nunca tinha lido nada dele até então, sem ser pequenas amostras na Internet. No entanto, já seguia o trabalho dele há algum tempo, sempre fui grande fã das suas ilustrações e todos os meus amigos me falavam do quanto eu ia gostar daquilo, por isso, mal o livro foi lançado, fui à tabacaria e comprei.
Comprei o Polina antes do Le gout du chlore - e este pormenor faz a diferença.


Polina - Bastien Vivès (Levoir)

Não vou mentir, eu gostei bastante do livro, mas também é verdade que toda aquela expectativa pode ter amassado um bocadinho as coisas. Seja como for, não me desiludi e rapidamente emprestei o livro, porque queria ter mais alguém com quem poder falar sobre aquilo. E também fiquei feliz, porque, quando comprei Polina, já tinha encomendado o Le Gout du Chlore, portanto era um alívio saber que continuava a achar que tinha feito uma boa escolha.

Apesar de querer bastante ler o Polina (por razões óbvias), tinha muito mais expectativas para o outro, de tal maneira que me esqueci que o Le Goût du Chlore é anterior ao Polina - não que isso seja mau mas, quando finalmente o livro chegou e o pude ler, não deixei de ficar com aquela sensação que fiquei quando fui jogar o Sonic Advance depois de ter jogado o Sonic Advance 3.

Atenção: não quero transmitir a ideia que achei o livro mau ou que fiquei desiludida, porque o que realmente acontece é que se nota o salto que o Vivés deu de uma coisa para a outra, mesmo que não seja muito óbvio. 
Uma coisa tem de ser notada logo à partida acerca do Chlore : a tradução era muito infeliz. Infeliz no sentido que era difícil ser mais fraca - sem querer contar com a escolha, também infeliz, da fonte: o lendário e infame Comic Sans que, apesar do meu namorado defender que em certas situações pode ser tolerável, aquela certamente não era uma delas. Com tanta Internet que já consumi na minha vida, é muito difícil não ser preconceituosa com aquela fonte. No entanto, na versão francesa a fonte é normal, muito parecida com aquela que apanhamos no Polina da Levoir. 6/10.


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 HI. HI.
Por favor, digam-me que não sou a única preconceituosa e que isto de facto é um bocado estranho.
Parece que estão sempre A GRITAR.

Related image
Aqui já não.

Mas falando do que realmente importa, que não é só a fonte e os aspectos técnicos. Le Goût du Chlore é um conto sobre uma possibilidade de amizade, uma história sobre coisas que podiam vir a ser e não são, sem sabermos bem porquê. Um rapaz que, devido a um problema na coluna, é mandado pelo médico começar a praticar natação semanalmente. Na piscina, conhece uma nadadora com quem fica embeiçado e a partir daí ficamos a observara relação deles a crescer, timidamente, de quarta feira em quarta feira, por cada dia que se encontravam.
Não sabemos os nomes deles, quem são, nem de onde são. É o tipo de história em que as personagens, o local e tudo o resto não são o objectivo da narrativa, mas o inverso: são ferramentas para passar uma ideia, uma mensagem - a distância, a aproximação, o nada que existe entre eles e que os separa. Estas personagens anónimas podiam ser qualquer um de nós e acho que é esse tipo de narrativa imersiva que me fez querer ler esta graphic novel.
Num podcast que desencantei na net, Bastien Vives confessa que teve um período da sua vida em que esteve solteiro durante algum tempo, e por isso estava cada vez mais obcecado por histórias de amor, mas não no sentido romântico-final-feliz, mas na química que existe entre duas pessoas, o que faz elas aproximarem-se ou afastarem-se; todo o leque de possibilidades que se abre no momento em que duas pessoas se conhecem pela primeira vez.
Este livro é o reflexo disso, é bastante óbvio, apesar de não o ser.

O que gosto mais no trabalho dele é, evidentemente, a forma como ele consegue simular tão bem o movimento das personagens e toda a vibração que elas transmitem. Vivès estudou animação e nota-se isso no seu trabalho. As personagens estão vivas em todas as vinhetas, os seus movimentos são bastante orgânicos e fluídos, coisas que reflectem alguém que sabe aplicar dinamismo a figuras bidimensionais estáticas. Toda essa ondulação já é bastante bem conseguida no Chlore, mas no Polina está ainda mais apurado. Também, há que referir que ele teve muito mais referências e trabalho neste segundo livro do que no primeiro. Como podem ouvir no podcast que referi, Vivès apenas foi à piscina uma vez para desenhar este livro.

A sensação que me ficou, depois de ter lido ambos, é que Polina é o resultado da maturação do trabalho que já foi começado no Le Goût du Chlore. Apesar de serem histórias diferentes, a narrativa continua a ter muitos pontos de contacto; o final aberto, a ausência de um narrador que nos dá mais liberdade de fazer a nossa própria interpretação da história, toda a poesia, não só no desenho mas também na narrativa.
Também arrisco afirmar que a ausência de cor no Polina ainda dá mais protagonismo à linha e ao traço. A cor na banda desenhada muita vezes acaba por ser decorativa e, consequentemente, distractiva, no entanto não acho que isso se aplique a este autor (como prova disso, recomendo-vos a folhear o Dans Mes Yeux, uma graphic novel impressionante que tive a sorte de ter nas mãos há dois anos no stand da Dr. Kartoon, no AmadoraBD. E não, não li nem comprei, porque a minha forretice é mais forte que os meus vícios.) No Polina, o traço é muito mais expressivo, há variação na pressão e na grossura da linha, há muito mais dramatismo mas também sobriedade.
Não vou mentir, invejo a simplicidade do traço dele e por mais voltas que dê com a minha wacom estou bem longe de conseguir um desenho assim.

Entretanto, fico à espera de ler mais obras deles.
Sei que ele tem umas graphic novels anteriores ao Le Goût du Chlore, mas estão apenas editadas em francês.

Talvez em Leeds.
Inté.

Algo me diz que a versão inglesa do Polina também sofre das mesmas características infelizes do Le Goût du Chlore.



Sunday, January 1, 2017

9 Razões Aceitáveis para ir ao Thought Bubble em Leeds


Antes de mais, boas festas e boas entradas!

Ignorando o facto que não tenho escrito nada, hoje vou falar do festival internacional de BD de Leeds, o Thought Bubble Sequential Art Festival.
Tive o privilégio de poder ter ido à convenção nos passados dias 5 e 6 de Novembro (já foi há meses, eu sei) mas a experiência ainda está muito viva em mim e agora sim consigo fazer uma boa apreciação e justificar-vos porque é que vocês têm mesmo de ir e porque é que eu vou fazer de tudo para lá voltar.

Antes de mais, Leeds é uma cidade britânica que fica a cerca de 1h de Manchester. Muita gente me avisou que nada acontecia lá, e que era ainda mais parada que a Amadora - não é assim TÃO mau. A sensação com que fiquei é que Leeds é uma espécie de centro comercial gigante: nunca vi tantos supermercados concentrados na minha vida.

Voltando ao que interessa,
Apesar do festival começar dia 1 de Novembro, aquilo que move as pessoas, que é a convenção, ocupa apenas os dias 5 e 6. Durante esse fim de semana, 3 pavilhões de bancas de artista, feira de BD e stands tanto amadores como profissionais ficam cheios de visitantes de todo o Reino Unido e até da Europa. Durante os outros dias, haviam pequenas conferências, exposições, mostras de filmes espalhados por vários pontos da cidade, sejam lojas, livrarias, galerias, espaços públicos...
Esperava ter conhecido mais gente de outros países, até portugueses, mas a esmagadora maioria era Inglesa e praticamente todas as pessoas com quem falei e a quem contei que era portuguesa ficaram super impressionadas com o facto de termos vindo de Portugal para Leeds só por causa de BD #truluv.
Portanto, admitindo que foi, provavelmente, o melhor evento de BD que fui, vou tentar convencervos porque é que têm de ir e esperar que a organização do TB me pague uma gratificicação por toda esta publicidade.

1. A convenção é um Artist Alley gigante

Basicamente, consistia em 3 grandes espaços, todos eles cheios de bancas de artista e stands (mais de 400 no total - não consegui apanhar nem metade) - Royal Armouries, New Dock Hall e Comixology Marqee . O ambiente é bastante informal e descontraído, um bocado como a Artist Alley de qualquer outro evento cá em portugal, mas com uma dimensão astronomicamente maior e com artistas/editoras de todos os estilos e de todo o tipo de público. As mesas não têm nenhuma organização específica, portanto, um pouco à semelhança do que aconteceu na primeira edição da Comic Con Portugal, é provável encontrarmos autores bem populares sentados ao lado de estudantes de Belas Artes de Leeds - o que é óptimo e promove ainda mais a comunicação e o contacto entre participantes e visitantes, sendo que...


2. ... É uma boa forma e oportunidade de conhecer pessoas

Devido à proximidade (não só pelas razões do tópico acima, mas também porque chegava a um ponto em que aquilo ficava tão cheio que se tornava impossível estar lá dentro sem andar aos encontrões e a esfregarmo-nos nas outras pessoas), também é bastante fácil estabelecer contactos e trocar ideias com uma série de pessoas diferentes. Recomendo vivamente a quem for ao TB que leve sempre consigo um saquinho com cartões de contacto, portfolios, zines, o que for! porque é uma óptima forma de dar a conhecer também o nosso trabalho e trocá-lo com o de outros artistas, por exemplo. Não só estão artistas nas bancas como também estão editoras, e muitas delas à procura de novas parcerias e projectos. (Estas viagens não podem nem devem ser só turisto, se é que me faço entender).


3. Os Livros são todos MUITO mais baratos.

Se há coisa que vale a pena comprar na convenção do TB é livros, álbuns e livros. Não só porque encontram uma variedade e oferta que dificilmente encontrariam em Portugal, mas essencialmente porque os preços são estupidamente baixos. Por exemplo, consegui comprar um hardcover, cores, A4, que normalmente não custaria menos de 20€ por 9libras. E, naquela altura até compensou porque a Libra estava desvalorizada em relacção ao Euro.


Nota: A maior parte das maquinas de cartão Visa que fornecem nas lojas, que também há em algumas bancas da convenção, dão a possibilidade de optar entre Euros e Libras para o pagamento. Se a Libra continuar desvalorizada, vale a pena optar pagar em libras, a máquina fará a conversão, não pagaremos taxa e ficará mais barato do que se fosse em Euros. Só se paga taxa nas ATM.


4. Existem MUITO mais coisas para além da Manga e Anime

A maior parte das convenções cá em Portugal são dedicadas essencialmente à cultura do Anime e da Manga, o que não é mau, mas, infelizmente, acaba por ser sempre mais do mesmo. À parte da AmadoraBD e do Festival de Beja, é difícil ir a um evento de Banda Desenhada que não seja à volta da venda de merchandise e de Cosplay - que seja. O TB é porreiro porque tem a dimensão da Comic Con Portugal e consegue ser só dedicada a BD, e quando digo BD é mesmo BD e tem um pouco de tudo: desde auto publicação e zines a clássicos da Marvel, graphic novels a manga, Tintin e Peanuts - tudo.
Continua a haver cosplay e 2 ou 3 bancas de merchandise, mas o evento não perde o foco e tema principal - a Banda Desenhada enquanto Sequential Art Form (por mais pomposo que isso soe, é assim que eles lhe chamam).

5. Leeds dá para se fazer toda a pé

Recomendo que guardem 1 dia para visitarem a cidade de Leeds, não que seja o epicentro cultural do Reino Unido, mas é uma cidade com o tamanho ideal para se fazer toda a pé, sem ser assim tão pequena. Fique onde ficar o vosso Hotel, não vai ser preciso gastarem dinheiro em transportes públicos porque tudo fica a 20 minutos (a passo rápido) de tudo. O Hotel onde fiquei, o Ibis Leeds Centre, ficava já nas fronteiras da cidade (eu sei, não joga muito com o nome do Hotel) no lado oposto à localização da convenção do TB. Demorava cerca de 20/30 minutos, a pé até lá, e mesmo de noite fazia-se bem. No entanto, existem muito mais hotéis e hotéis muito mais centrais e se prepararem a viagem com antecedência, não será difícil marcar um quarto no centro.

À parte da convenção que se organiza no mesmo pólo, o TB tem outros eventos espalhados pela cidade, sejam exposições, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, exibições de filmes, festas, etc... que, como já referi antes, acontecem ao longo da semana toda do festival.

6. Aproveitem para visitar a Travelling Man

Fonte
A Travelling Man é uma loja especializada em Banda Desenhada situada no centro de Leeds que, apesar de ter um stand na convenção TB, não deixa de valer a pena em ser visitada. Como devem adivinhar, tem uma oferta e uma variedade de catálogo impressionante, que vai desde comics a manga, graphic novels, zines e álbuns de ilustração infantil. A loja parece pequenina e muito aconchegada, mas tem dois pisos, sendo que o primeiro é dedicado a BD e o piso inferior a jogos de RP, jogos de tabuleiro e cartas.
Ah! Se tiverem zines ou livros vossos, podem deixá-los lá para venda, na hora. Os donos são bastante simpáticos e acessíveis e têm um expositor à entrada exclusivo para vender aquilo que autores independentes trazem e oferecem.

Para além da Travelling Man, também há uma Forbidden Planet. É uma loja bem maior, mas foca-se mais em merchandise e cultura pop. No entanto, tem um piso inferior só para BD, maioritariamente Manga e Comics (DCs e Marvels).

7. Vale a pena ir à festa.

Isto digo eu porque sou uma pessoa de festas. Uma das vantagens do TB é a facilidade de expandir toda a nossa rede de contactos e não há melhor forma de o fazer do que a pagar copos ao pessoal - mas não podem ser muitos porque cada cerveja custa, no mínimo, 4 libras (isto não é o Bairro Alto!).
No entanto, a festa que tem acontecido no sábado coincidente com o da convenção, não tem a entrada incluída no bilhete, o que significa que têm um bilhete à parte para a festa (não é muito caro, mas também não inclui nenhuma bebida ou petisco).
Já que a cerveja é tão cara quanto tudo resto, aproveitem para experimentar outras coisas, como por exemplo todas as variedades de cidra que encontrarem. Sendo uma fã de cidra, fiquei a saber que Somersby afinal não é nada de especial. 

A festa este ano foi um enorme sucesso, segundo a organização, e foi feita no Trinity Kitchen, um complexo de restaurantes e bares hipsters na cobertura do centro comercial Trinity Leeds. Eu sei, parece manhoso, mas foi bastante divertido e uma óptima forma de descontrair. Garanto, não há nada melhor do que dançar Britney Spears com gente que, até àquela altura, só existiam na capa de livros de BD e em entrevistas do youtube, 3 horas depois de lhe terem pedido um autógrafo com os joelhos a tremer.

Nota: O que acontece em Leeds, fica em Leeds.

8. Meal deals a 3,99 libras - ou então, jacked potato!

Se há coisa que ficou em conta nesta viagem a Leeds foi a alimentação. Ao contrário das bebidas, que custam os olhos da cara, aparentemente também custam mais do que uma refeição leve! 
Há uma cadeia de comida take away, Greggs, que vendem uma promoção, 'meal deal', que consiste numa sandes/tosta/burrito/wrap/refeição leve tipo go-natural + bebiba e café ou 'sobremesa' (bolo/chocolate/pacote de bolachas) por apenas 3,99 libras! Também encontram meal deals semelhantes noutras cadeias de 'fast food', com boas alternativas ao conceito de fast food que já conhecemos. 
Se querem optar por algo mais típico da terra, têm o clássico fish and chips e as jacked potatoes, que consistem numa grande batata aberta ao meio na qual enfiam recheio (chilli, mayonese com atum, etc) dentro, geralmente servido com batata.
Encontram bastante comida rápida, comida de rua, cafés simpáticos e acolhedores locais com preços simpáticos - isto se não pedirem bebidas! - sem terem que gastar um dinheirão em restaurantes. E garanto-vos, não passei fome em Leeds, muito pelo contrário.

Jacked Potato que se vendia nos dias da convenção, que fico a 5libras.


9. E para o ano vai ser melhor! 

Como se esta edição de 2016 não tivesse sido já bastante boa e nem foi assim à tanto tempo, a organização já começou a organizar a edição de 2017, que será em Setembro em vez de Novembro e, segundo o que prometem, terá uma dimensão ainda maior e uma colaboração muito mais activa por parte da cidade de Leeds em si.
O primeiro convidado já foi confirmado e é Gerard Way, mais conhecido como o vocalista dos My Chemical Romance (a minha pessoa de 2010 está a chorar por dentro)

Se quiserem mais informações, o TB está sempre em actualização através do site e do blog do Wordpress.

Mas já sabem, para que a viagem fique em conta, quanto mais cedo marcarem as passagens e estadias, melhor. Ah, e se não perderem os voos, melhor ainda (falo por experiência própria, não recomendo).

PS: Quero agradecer à Mariana, a minha companheira de viagem, que também forneceu estas fotografias.

Friday, December 2, 2016

Very Much Typical Portuguese Post

Infelizmente, este post que vem quebrar o grande silêncio de 2 meses que sofreu este blog, não tem praticamente nada haver com BD, e peço desculpa, desde já, aos (poucos) leitores que poderão ficar desiludidos.
Obrigada, 9gag, pela fiel ilustração. (Note-se a bola de futebol, canto inferior esquerdo)



Acontece que recentemente li no site da BBC um artigo sobre o meu querido adorado país que descreve Portugal como um país triste de gente que gosta de estar triste: The European Country that Loves being Sad. Carreguei no link e tive interesse em ler o artigo talvez por me ter rido e ter concordado até certo ponto, mas não foi preciso ler muito mais do que um parágrafo para ver que o texto ia noutra direcção.

Toda a gente que me conhece sabe que sou opinosa e fico muito ''exaltada'' quando falamos destes tópicos mais patriotas mas, se calhar, é isso que faz de mim uma ''typical portuguese girl'', de acordo com estes turistas que passam uma semana em Lisboa a comer pastéis de bacalhau com queijo da serra, lêem um poema traduzido do Fernando Pessoa e ouvem 5 minutos de fado numa tasca em Alfama e, automaticamente, estão licenciados em Estudos Lusitanos.
Sim, eu gosto do meu país (como estou sempre a repetir) e mesmo por gostar e (ainda) não ter desistido dele é que este tipo de propaganda me irrita.
Vim a saber que Portugal é, neste momento, o destino nº1 dos americanos. Temos álcool barato, vida nocturna, boa gastronomia, sol e casinhas so much very typical, algumas com mais de 100 anos (o que para eles é pré-histórico) - que mais é que eles podem querer dum destino de férias? Há 1 ano atrás, éramos uma província espanhola, agora somos motivo para ter saudade.

Não quero, de todo, soar discriminatória/xenófoba/ofensiva com este post, mais uma vez, aqui não há ódio - estou apenas exaltada - é das hormonas, sou uma mulher né?

Mas, continuando, logo no início do artigo, escrito por um american, que, aparentemente, passou uns dias em Portugal, o autor começa por dizer que no one tells you to have a nice day. No one particularly cares if you have a nice day, because chances are they’re not having a nice day either. If you ask a Portuguese person how they’re doing, the most enthusiastic reply you can expect is mais ou menos (so so) (...) But don’t pity the Portuguese. They’re content with their discontentment, and, in an odd but enlightening way, actually enjoy it.
RESUMO: Portugal é um país de emos carracundos masoquistas? É que os Tokyo Hotel nem tocaram cá assim tantas vezes.

Okay - o que é que se passa de errado aqui? Porque, mais uma vez, na verdade até concordo a certo ponto. Quando fui guia de estudantes de Erasmus, eu muitas vezes brincava com eles dizendo coisas do género, que mais facilmente toda a gente se queixa de tudo do que elogia ou comenta algum aspecto positivo sobre seja o que for. Mas, no entanto, os portugueses não são melancholic por desporto, como ele gosta de descrever ao longo de todo o artigo. Não é um estilo de vida optado, uma moda, um 'fase rebelde de adolescência', um fashion statement - as pessoas não estão tristes e não estão cabisbaixas por opção, talvez haja uma série de razões reais por detrás disso que vão para além do nosso aparente masoquismo. E é preciso numerá-las? Talvez para um estrangeiro sim, uma pessoa que não tem culpa de não saber o que é que de facto se passa no nosso país, porque não é durante 2 semanas ou mesmo um período de Erasmus que se consegue perceber isso.
Porque, talvez as pessoas estejam tristes porque vêm o seu dinheiro a ser sugado pelo Estado e a não terem nada em retorno, ou porque têm familiares a morrer em filas de espera que os serviços de saúde não conseguem controlar. Ou, escapando a estes clichés que todos nós ouvimos diariamente nos telejornais, as mães portuguesas estão tristes porque têm de ver os seus filhos emigrar, porque por mais condições que lhes tenham dado e promessas feitas, o país continua a adiar o apoio que devia ser devido. E todos nós sabemos que há ainda mais razões para estarmos tristes - há sempre.

Mas, no entanto, enquanto são impressas canecas e t-shirts da Amália e glorificamos todo este espírito lusitano #sad, Portugal está a ter o maior boom turístico dos últimos tempos e em Lisboa isso sente-se na pele. 
Na mesma forma que artigos destes são escritos, há muitos outros a promover o quão cool é Lisboa, como é uma pérola Europeia, como toda a gente devia vir para cá e, acima de tudo, como os Portugueses são tão afáveis e simpáticos! Nessa onda, surge aquele vídeo viral do estudante alemão a falar aos pais em como Lisboa é a cidade dos seus sonhos e em como ele vai estender a sua estadia lá

Aquilo que eu sinto perante isto tudo deve ser semelhante ao que muitas outras pessoas sentem quando vivem num centro turístico - há tanta coisa que não faz qualquer sentido que acaba por ser mentira. É toda esta artificialidade.
Por um lado, para nós jovens portugueses, vendem-nos cada vez mais cedo a ideia de que, se queremos fazer alguma coisa da vida - especialmente na área artística - temos de ir para fora! Lá fora (seja lá o que isso for, é uma frase tão batida e dita tão de cor que até podem estar a falar da Lua) é que estão as boas oportunidades, universidades, vagas de emprego, coisas a sério! Cá, não dá para nada porque não há oportunidade/investimento/opções/emprego/futuro/etc na área/especialidade/opção que queremos. É a mensagem default que te aparece mal acabamos o 9º ano. Ou a pré-primária (não há tempo a perder). Mas, por outro lado, fazem vídeos super inspiradores em que mostram em como a Champalimaud seria uma faculdade fantástica, como nós jovens estudantes temos o hábito de jantar vinho com tapas todas as noites nas nossos apartamentos na Lapa, em como os transportes, de facto, funcionam bem e nunca estão demasiado cheios de turistas e nos fazem valer o passe, e mais vocês já sabem.

Sim, de facto concordo que Portugal é um país fantástico e Lisboa é uma cidade que não quero trocar por outra tão depressa, mas também concordo que somos um país de pessoas tristes mas que, acima de tudo, têm uma desgraçada falta de auto-estima - vivo num país que prefere vender-se descaradamente ao turismo, arrisca-se a perder a sua identidade e aquilo que, na verdade, faz com que haja tanta gente a vir e a interessar-se por Portugal. Despreza e negligencia o seu próprio povo e as gerações mais novas, mas depois diz ao resto da Europa para vir estudar para cá, porque só têm vantagens (que não têm para nos oferecer a nós). Porque, por mais tempo que tenha passado, a atitude provinciana é sempre a mesma, que o que vem 'de fora' é que vale, que nós somos pequenos e num mundo tão grande ninguém nos valoriza.
Todos os dias conheço cada vez mais gente da minha geração de que vem para cá de férias e acaba por ligar aos pais, tal como o rapaz alemão, para informar que não tem planos de voltar. Mas não ouço disso dos meus colegas, das minhas amigas, dos filhos dos amigos dos meus pais.

Por isso sim, se calhar os portugueses andam tristes ou cabisbaixos, ou melhor, têm razões para isso. Porque na verdade, o feedback que recebo dos meus contactos estrangeiros é que os portugueses são, de facto, pessoas acolhedoras. Obrigado, Bom dia, Boa Tarde, mesmo como portuguesa, e mesmo que seja com entoações com mais ou menos entusiasmo, é raro a loja/café/restaurante onde não ouça quando entro. E, não sei se é português ou não, mas é normal que a simpatia seja uma atitude recíproca.

Mas a saudade, o fado, e o drama católico agora são fashion, e não tarda que isso seja também uma atracção turística, mais um parágrafo para escrever noutro artigo do Huffington Post.

Inté.




Monday, October 10, 2016

Geis - Alexis Deacon


Já faz algum tempo que não escrevo aqui no blog (como tradicionalmente costumo de começar os posts) portanto, visto que hoje pus um ponto final no último volume do Altemente, vim quebrar o silêncio com uma pequena review opinosa sobre a última graphic novel que comprei.

Encontrei este tesouro na Bertrand da Rua Garret que, como quase todas Bertrands, apesar de não ter muita BD, tem quase sempre BD boa. A loja da Rua Garret, que está em obras, tem ainda menos BD que o habitual, portanto este livro não foi propriamente o achado mais surpreendente de sempre, visto que nem estava escondido no meio de livros de arquitectura manhosa, estava literalmente especado na estante das novidades e destaques da entrada.
E digo-vos, foi amor à primeira vista. São poucas as vezes que isso acontece, mas quando acontece é intenso - acho que vocês sabem o que é, certo? A capa em si já me captou alguma atenção, mas mal folheei a primeira página apaixonei-me. Não demorou uma semana para voltar e comprar um exemplar.

Adiante, àquilo que interessa. Geis - A Matter of Life and Death, é o primeiro volume duma série desenhada e escrita por Alexis Deacon e publicada pela Nobrow, uma editora britânica que tem lançado muitas obras interessantes nestes últimos tempos. Tal como a editora, Alexis Deacon é mais conhecido pelo seu trabalho na área da ilustração infantil mas, desta vez, decidiu apostar numa graphic novel mais matura e sombria.
Não deixa, no entanto, de ser uma obra de fantasia em que o protragonista é uma criança e, apesar de poder ser lida por crianças e por qualquer idade (mesmo), de infantil não tem nada.

Como já devem ter reparado, se me conhecem e/ou se lêm regularmente este blog, o meu gosto em BD (e em qualquer outra coisa, como filmes, livros... etc) geralmente tende a inclinar mais para slice of life, drama, tramas da vida e coisas desse género. Há quem pense (e não os julgo, assumem isso dos meus desenhos e é compreensível que assim julguem) que eu não goste nada de fantasia ou aventura, mas isso é uma mentira total. Na verdade, são temas que me interessam bastante, especialmente quando são bem desenvolvidos (a minha infância foi passada à custa de LOTR, mmorpgs e ficção científica). Portanto, apesar de eu agora promover coisas mais "realistas" e "humanas", não deixo de ter um fraquinho por coisas deste género.
No caso de Geis, a história começa quando a matriarca de um determinado realm morre e uma feiticeira sombria, a cargo da falecida, inicia um torneio para determinar o sucessor. Nesta primeira parte, ficamos a saber um pouco sobre alguns dos convocados, da protagonista que não sabe porque é que está ali e do mundo em que vivem. É um universo mágico muito similar aos dos contos de fadas da nossa infância, mas não é tanto como uma idade média com magia e dragões; é mais parecido com o ambiente e com a estética do Castelo Andante e do subaquático do Ponyo, ambos do Studio Ghibli (não sei bem descrever porquê), o que para mim é bem mais apelativo e criativo.
Mas, o melhor do livro (para mim) não é a história, apesar de ser bastante cativante. O cerne desta paixão intensa é a qualidade gráfica desta graphic novel: é tudo aquilo que procuro em desenho e BD. Traço solto, orgânico e natural, caracterização dos personagens simples mas altamente expressiva e a cor é quase apenas sugestiva, usada em função de criar ambiente e sensações - muito naturalista. O controlo da luz/sombra é fantástico e é isso que dá aquele ambiente de filme Disney dos anos 40/50 que tantos arrepios nos deu. É puramente místico!

Escusado será dizer que estou desejosa de saber do 2º volume. No entanto, enquanto não sai, recomendo a toda a gente que leia, ou pelo menos veja o trabalho do Alexis - vale a pena!
Não tenho muito mais que dizer, mas no entanto vou deixar aqui algumas páginas:


Inté! e boas leituras.

Monday, September 12, 2016

Fui ver a Vida Secreta dos nossos Bichos e foi esquisito.


Pode conter SPOILERS

Há uns dias atrás fui finalmente ver The Secret Life of Pets, ou A Vida Secreta dos Bichos, apesar de todos os comentários depreciativos que tenho andado a ouvir. Acredito que seja uma pessoa esperançosa, mas ao menos não fui com demasiadas expectativas e a desilusão não foi tão grande como temia.

Antes de mais, não digo que não gostei, mas também não adorei. Honestamente, nem sei. Houve momentos bastante engraçados em que me ri, houve outros em que fiquei comovida e quase que chorei (uma das razões pela qual queria muito ver o filme é porque tenho duas cadelinhas, cujo a história é muito parecida com a sinopse do filme), mas também houve (muitos) momentos em que fiquei desconfortável - acho que não arranjo melhor adjectivo.
Sim, desconfortável. Para começar, não percebi qual é que era mesmo o público alvo deste filme: supostamente era um filme infantil, mas a maior parte das piadas eram bastante maturas. No entanto, a sala de cinema era basicamente composta por crianças abaixo dos 10 anos, acompanhadas pelos respectivos pais e mães. De filme infantil, só tem mesmo a limitação legal de idade mínima (maiores de 6 anos) e o facto de ser animado, porque ao longo da história, o diálogo dos personagens, o sentido de humor é claramente voltado para um público mais maturo/jovem adulto. 
Não estou a dizer que estava à espera de ver o Noddy ou qualquer outra coisa do Disney Kids, mas haviam certas cenas que eram desconfortavelmente violentas para o tipo de audiência que estava comigo na sala - como, por exemplo, a subcultura dos esgotos liderada pelo coelhinho esquisito, onde fizeram bastante ênfase na ideia de MATAR os donos. 


Existem outros filmes de animação que à partida são direccionados para o público infantil mas que, na verdade, acabam por tentar agradar mais aos pais e às plateias mais velhas, como o pioneiro Toy Story (então o primeiro...), Shrek ou o Magadáscar, da Dreamworks. Também podemos ir mais longe (e mais atrás na linha do tempo) e relembrar a Fuga das Galinhas ou (o mais soft) Por Àgua Abaixo, ambos do estúdio Aardman.  Todos estes filmes eu fui ver ao cinema quando era pequena e, apesar de nem todos me terem deixado constrangida e com pesadelos (no caso da Fuga Das Galinhas e do 1º Toy Story), só agora, todos estes anos depois, é que percebo realmente a essência e as verdadeiras mensagens por detrás destas longas metragens.

Chicken Run (2000) (os comentários no youtube dizem tudo)
Tinha 6 anos quando vi este filme no cinema e lembro-me de, tanto eu como a minha mãe, sairmos caladas da sala de cinema. Da mesma forma que na altura não via mais nada nos filmes do Tim Burton para além do ambiente arrepiante e das personagens medonhas, também não tive capacidade de perceber que a Fuga das Galinhas é, de facto, uma história bem inteligente e (há quem diga até) uma metáfora satirizada do terror dos campos de concentração, durante a 2a Guerra Mundial. Apesar de ser um bocado pesado para uma criança do 1º ano, continuo a defender que é preferível a séries fúteis e surrealistas que passam actualmente no Disney Channel, cujo o único problema da vida daqueles adolescentes é com quem e como é que vão ao prom. MAS, isso é tema que dá para outro post, ainda maior que este.
Se há coisa que detesto no entretenimento infantil é que seja estupidificante e vazio de conteúdo, por isso não achem que estou contra este tipo de animação, pelo contrário. Acho que é uma forma bastante inteligente e divertida de educar crianças, mudar mentalidades e ginasticar a cabecinha através do cinema, da arte e do entretenimento. Agora, o que difere neste caso específico dos Bichos é que o contéudo maturo e desconfortável não provoca nada de positivo, é apenas isso, desconfortável e forçado. Por outro lado, surpreendentemente, o Inside Out e o Zootopia foram bastante positivos e bem construídos, em termos de argumento e mensagem a transmitir. Na minha opinião, por mais 'mainstream' que sejam classificados, tanto um como outro foram filmes que conseguiram abranger o público infantil e também o mais adulto, sem ser demasiado violento ou infantil (tanto o Inside Out como o Zootopia tocam temas sensíveis, como a descriminação e o racismo, no caso do segundo.)
E isso é o que leva à razão pela qual quis mesmo escrever este post, aquilo que me irritou mais no filme - a tradução e a dobragem.

Muita gente manda vir comigo e insiste permanentemente para eu dar uma segunda hipótese aos desenhos animados de hoje em dia, como Adventure Time, Regular Show, e essas coisas que passam maioritariamente no CN, mas a verdade é que é muito pouco provável que a minha vontade mude, ainda mais com estas novas dobragens.
A mesma razão pela qual não consigo ouvir rap/hip hop português (no geral) é a mesma razão pela qual cada vez detesto mais a televisão infantil dobrada - mau português - e fala aqui a pessoa que tem uma colecção interminável de erros gramaticais e gralhas neste mesmo blog.
Mas, continuando, aborrece-me solenemente que uma língua tão rica, tão antiga, tão diversificada como a nossa, não só em sons e fonemas como em variedade de palavras e sinónimos, seja reduzida a calões forçados e faltas de criatividade e exercício mental. Não dá! Tanto nessas séries de desenhos animados como neste filme dos Bichos, todos os personagens falam como um Youtuber português de 13 anos que passa demasiado tempo ao telemóvel. Isto podia ser justificado como 'caracterização dos personagens', mas vai muito mais para além disso: é uma tentativa falhada de captar o 'público jovem' do milénio, e em vez de ser 'fixe', é simplesmente ridículo. É tão ridículo e despropositado quanto aqueles professores do liceu que vinham falar buéda fixes e bacanos com a malta, para mostrarem ao peeps como eram curtidos, mas acabavam por serem apenas caricatos e humilhantes. Em cada 5 palavras, 4 são 'meu' ou 'bué' ou 'bacano' ou 'fixe'. 
Não consigo, simplesmente. Chamem-me snob, chamem-me picuinhas, mas há coisas que cada vez me chateiam mais. Estes assassínios à nossa língua são cada vez mais estupidificantes e redutores, em vez de incentivarem o público a falar melhor e a compreender porque é que o acordo ortográfico é um atentado à nossa cultura e às nossa história. 
Mas a dobragem não serve de desculpa para a minha falta de interesse nos desenhos animados do CN - antes da versão dobrada, já tinha visto as originais e, por mais inovadoras que sejam as técnicas de animação, por mais contemporâneos que sejam os temas, nada disso se consegue sobrepor ao vazio e à falta de conteúdo destas produções (agora caiu o Carmo e a Trindade).
 Não vou desenvolver estes argumentos porque só levam àquele tipo de conversa do género "no meu tempo ..." ou "antigamente é que ..." ou ainda "hoje em dias (blah blah blah) já não vale nada", e isso também não é verdade. Há muita coisa boa e bem feita a ser produzida hoje em dia, e defendo isso. Mas, tal como dantes, também há muito lixo e, infelizmente, o lixo é muito mais acessível (e rentável).

Portanto, para concluir, A Vida Secreta dos Bichos, tal como já muita gente disse, tinha tudo para ser um filme bem interessante, humoristicamente inteligente e divertido, mas não foi. Um filme infantil não tem que ser puramente entretenimento - nem deve - mas para isso também não precisa de ser vulgar ou estupidificante, por mais ténue que essa linha seja. Infelizmente, quase que ponho na mesma categoria que pus o Bee the Movie ou os Monstros vs Aliens - filmes que podiam ser giros, mas são apenas constrangedores e cheios de humor fácil e forçado, numa tentativa falhada de juntar gerações. 

Enfim, não me odeiem depois deste post. Eu estimo muito os meus poucos leitores!

Inté e, como sempre, prometo escrever mais. 

BAZA!